Garanhuns, 28 de agosto de 2004
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DIVERSÃO
 

Gênero independente

Com o sucesso recente de "Homem Aranha", parece que foi fácil a invasão dos quadrinhos ao cinema com força total. Mas, antes de existirem alguns produtos com certa qualidade, o público teve de passar por dolorosas e traumatizantes experiências do calibre do horrendo "Batman & Robin" e derivantes. Mais recentemente, "Hulk" provou que a série de TV com um halterofilista pintado de verde era menos ridículo do que uma bola digital saltitante, e "Mulher-gato" conseguiu a proeza de deixar Halle Berry feia dentro de um uniforme canastrão. Daí você pensa: "será que existe chance para adaptações dos quadrinhos na tela grande?".

Existe. Aliás, os quadrinhos só chegaram até aqui não por causa do grandioso blockbuster "Homem-Aranha", mas sim por um filme quase independente, com um diretor semidesconhecido e apenas um ator de renome no elenco: "X-men". O êxito de "X-men" em 2000 fez a Marvel (a editora mais famosa dos quadrinhos) olhar adiante, inaugura uma nova era e ser grande responsável pelas HQs ganharem um lugar de destaque com gênero cinematográfico de verdade. A editora, desde então, não parou mais. Em 2003, lançou "X-men 2", ainda melhor que o primeiro, e "Demolidor", transposição de um personagem cult que arrecadou 100 milhões de dólares em caixa. Para o próximo mês, a Marvel ainda reservou o lançamento de "O Justiceiro", com Thomas Jane (de "O Apanhador de Sonhos") no papel do vigilante assassino que deseja vingar a morte de sua família. A história é das mais batidas, mas o lançamento está sendo aguardado por fãs de todo o mundo, já que a adaptação se mostrou fiel ao espírito dos quadrinhos. Ah, e John Travolta é o mafioso na mira do anti-herói da vez.

Como as animações, os quadrinhos acabam de atingir seu auge no cinema. Ainda estão por vir "Blade 3", "Homem-Coisa", "Motoqueiro Fantasma" e adaptações de HQs underground (na cola do igualmente alternativo Hellboy), como "Sin City", de Frank Miller. Com a produção a todo vapor, o gênero "filme de HQ" não dá sinais de que possa ser algo passageiro. Ainda bem, tem muito herói quadrinesco bacana que merece aventuras contadas no cinema. Só não venham com gatunas humanas vestidas em couro preto, com capacete pontudo e calça rasgada, além do chicotinho nas mãos. Afinal, isso não é uma adaptação dos quadrinhos, é um filme, literalmente, sadomasoquista.