Garanhuns, 14 de agosto de 2004
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POLÍTICA
 

Mulheres lutam por vagas no Legislativo de Garanhuns

Núbia Kênia


A corrida por uma das 11 vagas do Legislativo de Garanhuns na eleição proporcional deste ano está acirrada, principalmente pelas 30 mulheres candidatas que pleiteiam um cargo de vereadora, em um universo, hoje, dominado pelos homens, que ocupam 14 cadeiras contra apenas uma ocupada por uma mulher. Para chegar a conquistar o voto muito tem que ser feito, considerando o eleitorado exigente da cidade, que também conta com maioria feminina. Elas (candidatas) usam da sensibilidade e garra, porta a porta disputam o voto, e paulatinamente, ao lado de mais 100 candidatos, apresentam propostas com muito jogo de cintura que evidencia a conquista das mulheres em cargo público.

Uma das candidatas que tem chance de ser eleita é a ex-vereadora Alzira Josefa de Andrade Lima (PMDB), cujo primeiro mandato foi de 1996 a 2000, tendo conseguido aprovar projetos como o calçamento de várias ruas, o Ensino Médio para a Escola Virgem do Socorro, a legalização dos conjuntos residenciais, a exemplo da Cohab I e II.

Popularmente conhecida como "Alzira do Hospital", a postulante conseguiu 848 votos nas últimas eleições, mas mesmo sendo bem votada não conseguiu uma vaga na Casa Raimundo de Morais, por causa da legenda. Neste pleito, Alzira trabalha firmemente com propostas voltadas para a saúde, dando ênfase a melhoria do atendimento no SUS, que hoje é considerado precário e precisa de um atenção redobrada, já que é mais voltado a população carente, além da melhoria da segurança pública e combate ao desemprego.

Com caminhadas diárias ao lado do candidato à majoritária, Luis Carlos de Oliveira, e visitas aos muitos amigos que conquistou tanto como vereadora, quanto como funcionária da saúde, a servidora pública acredita que não será fácil a eleição este ano, até porque o número de vagas diminuiu de 15 para 11, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). "Essa campanha é um vestibular que estamos tentando passar, mas acredito que sairemos vitoriosos", ressalta.

A veterana Sônia Maria Moreno de Lima (PMDB), atuando no 2º mandato consecutivo, busca a terceira vitória, e acreditando na força da mulher na política garanhuense, faz sua plataforma de campanha, no empenho de trazer a Delegacia da Mulher para cidade, além de lutar pela saúde e educação.

Sônia tem uma história de vitórias em eleições, sendo mais votada em 1996, com 1 295 votos, e em 2000 com 975 votos, mesmo disputando com quatro outros candidatos do seu partido, ficando em 5º lugar em número de votos. Dentre os trabalho que realizou no Legislativo, a vereadora conseguiu a legalização de gás, calçamentos e saneamentos de várias ruas, e estágio para jovens sem experiência em Garanhuns. Hoje, a maior luta da parlamentar é a gratuidade no transporte coletivo para os pacientes que fazem hemodiálise na cidade.

"A campanha é difícil para todos nós, pois poderemos ganhar ou perder. Por isso, o eleitorado feminino da cidade tem que se unir para eleger mais de três mulheres, pois com uma Câmara composta por mais vereadoras poderemos garantir a conquista de mais direitos para nós mulheres", afirma Sônia.

Marinheira de primeira viagem, há quem diga que Girlane Lira de Santana (PSDB) vá estourar as urnas no dia 3 de outubro, principalmente pelo trabalho que vem desempenhado ao longo de 25 anos voltado para educação, destes tendo sido secretária de Educação do município por mais de 4 anos. "Sabemos que o maior canal de transformação do mundo é a educação. Nossas propostas têm como base as necessidades de cada comunidade, dentro de um âmbito de coletividade", defende a professora.

Em relação a campanha, Girlane considera complicada, por causa da diminuição nas vagas, ficando a população com a responsabilidade de escolher em qualidade e não em quantidade. Além disso, a educadora admite a falta de recursos para se trabalhar, mesmo assim, acredita na conquista da vaga. "Vejo o voto como a melhor arma para lutar, é quando o cidadão passa a ter voz ativa, exercendo o seu direito".

Afastada do cargo de secretária de Educação, comentários surgem na cidade que Girlane venha sofrendo uma certa retaliação por conta da coligação. Sobre o assunto, ela diz que nada disso está ocorrendo. "Nunca tivemos divergências nas questões profissionais, até porque ele é profissional e eu também, apenas maneiras diferentes de pensar", finaliza.