Garanhuns, 14 de agosto de 2004
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OPINIÃO
 

Urbano, o advogado de todos

Marcílio Viana Luna


Muitos pronuncia-mentos verbais e escritos, alguns publicados com destaque nos jornais locais, marcaram a passagem de Urbano Vitalino de Mello Filho para o Oriente Eterno. A maioria, obviamente, retratou a sua extensa e dedicada vida jurídica, como advogado com mais de 40 anos de militância em diversas esferas do Judiciário. Outros artigos evidenciaram também, a sua religiosidade e a sua presença marcante na sociedade, como exemplar esposo e pai de família. Mas, uma convivência efetiva e marcante, como seu vizinho e amigo pessoal, durante mais de uma dezena de anos, só em Garanhuns, e depois, já no Recife, outros exatos 40 anos, me autorizam a falar mais intimamente, sobre a sua vida pessoal e, principalmente, sobre uma infância dedicada à família, à Igreja Presbiteriana, ao Colégio 15 de Novembro e aos amigos.

Urbano Filho, ou Baninho como sempre o tratamos, mesmo depois de famoso e líder de um dos cinco maiores escritórios de Advogacia do Recife, morava em Garanhuns, onde nasceu, na rua Dr. José Mariano, antiga Rua do Recife, na casa de número 277. A casa vizinha, de número 283, foi adquirida pelo meu pai, Jayme Luna, na década de 40, quando tínhamos, eu e Urbano, pouco menos de dez anos de idade. Iniciamos no ano de 1948 uma amizade de fazer inveja. Urbano sempre foi um colega e amigo leal, respeitava a todos de sua idade e aos mais velhos, nunca gostou de brincadeiras que diminuíssem alguém ou que não fossem bem aceitas pelo próximo. Na turma, tinha o seu irmão de sangue Hilton, como o melhor exemplo. Hilton sempre foi atleta, líder e brincalhão. Baninho mais comedido, não deixava de também de ser líder mas, nos esportes, nunca praticou nenhum com a maestria do irmão, salvo o futebol de mesa, conhecido como jogo de botão.

Como os seus dois irmãos mais velhos Erasto e Jesisai, moravam no Rio de Janeiro e vinham a Pernambuco uma vez por ano, Urbano Filho perdeu também a parceria de Hilton, que logo cedo deixou o seu querido Quinze e foi estudar no Recife. O seu velho e querido pai, que sempre tratamos de Dr. Urbano, advogava em todo o Agreste Meridional, inclusive em outras regiões. Era o advogado mais atuante na região e Urbano Filho, ainda menino, passou a acompanhá-lo em suas causas cívis, trabalhistas e criminais. Baninho, logo cedo começou a aprender o ofício e sempre pedia a nós, os colegas e amigos que freqüentavam, assiduamente, à sua casa, que fizéssemos menos barulho pois seu pai estava estudando ou atendendo aos clientes.

A sua santa mãe, dona Henriqueta, sempre foi de um carinho enorme para com os vizinhos e amigos dos seus filhos. Os cuidados com Urbano Filho passaram a ser maiores pois em casa ele ficara quase como filho único, se não fossem os perturbadores como eu, Maurício Almeida, Clávio Valença, Quidoval Souto, Amaury Pereira e outros freqüentadores da 277, ora jogando e as vezes editando os primeiros jornais da época. No Colégio 15 de Novembro, Urbano já se destacava nos grêmios culturais, sociais e esportivos. De bola mesmo, preferia apenas as "peladas" com os amigos de rua. Freqüentador assíduo da Igreja Presbiteriana Central, na avenida Santo Antônio, Urbano sempre convidava os amigos para cultos e conferências, mas tinha a sua Igreja como uma mãe: "amava a sua mas respeitava a dos outros".

Concluído os estudos no antigo Quinze e já com a experiência adquirida como seguidor dos passos do seu pai, o respeitado e querido defensor das "causas justas e nobres", como Baninho definia o velho Urbano Vitalino, ele veio para o Recife, freqüentou, se não me engano, o Curso Torres e ingressou na tradicional Faculdade de Direito do Recife, onde logo despontou o seu brilhantismo e sua sábia competência para o difícil ofício. Mesmo antes de formado já estava atuando, ora na defesa, ou como assistente da acusação. De início fazia tudo: Civil, Trabalhista, Criminal e Comercial. Terminou os seus dias como vitorioso advogado empresarial, sem nunca deixar de lado a sua vocação de ensinar, como professor universitário, conferencista de mão cheia e teólogo de primeira hora. Em seu escritório, formou na prática dezenas de novos advogados, a maioria reconhecida pelos ensinamentos recebidos.

Outros articulistas falaram, e muito bem, da vida profissional e associativa de Urbano Filho, na OAB, no IBDM, e outros órgãos e instituições. Para mim, falar mais sobre a juventude e a vida familiar de Urbano tornaria muito longo. Assim sendo, prefiro transmitir os meus sentimentos de condolências à inseparável companheira de Urbano, Ruth Helena, aos filhos Sue Elizabeth, Urbano Neto, Samuel, Mirian, Gláucia e Henrique, aos irmãos Erasto, Jesisai e Hilton e, também a uma verdadeira legião de amigos, colegas e admiradores, da qual faço parte com o orgulho de quem acredita na vida eterna junto ao Grande Arquiteto do Universo.