Garanhuns, 14 de agosto de 2004
  Início
  Colunas
  Opinião
  Política
  Cidade
  Geral
  Especial
  Cultura / Diversão
  Sociedade
  Ed. Anteriores
  Expediente
 
COLUNAS
 

HUMOR

Raulzito


DEBATE NA TV

Embora não tenha sido convidado, Raulzito deu um jeito de estar presente no debate entre os candidatos à prefeitura de Garanhuns, graciosamente realizado nos estúdios da TVI, em Caruaru, uma vez que apesar de ter obrado tanto, durante quatro anos, o prefeito Sirvino ainda não conseguiu uma emissora de televisão pra nossa cidade.

Estrategicamente disfarçado de auxiliar de serviços gerais da simpática TVI, Raul pôde pegar detalhes do debate que ninguém aqui, no aconchego ou desassossego do lar conseguiu perceber. A coluna desta quinzena do nosso colaborador, portanto, é um retrato fiel do que aconteceu na capital do Agreste. E tudo que segue adiante saiu da boca, ou melhor do teclado, do irreverente arremedo de jornalista.

Confesso a vocês, meus 24 fiéis ou infiéis leitores, que adorei a performance (vê aí que palavra da porra) dos prefeitáveis (não confundir com imprestáveis) de Garanhuns. Todos eles deram um show e quem perder a eleição pode ser contratado imediatamente pela Globo.

Paulo Camelão, com aqueles cabelos brancos, pode fazer par com Renato Aragão no programa os trapalhões. Seriam dois velhinhos matando a gente de rir. Bartolomeu Quichute, no caso de uma tropeçada, tem tudo para reeditar os melhores momentos de plantão médico, cuidando de suas buchidinhas e tudo mais.

O Luiz Carlos do Jardim das Oliveiras, que não é político, como faz questão de dizer, poderia virar empresário. Quem sabe ele botando uma farmacinha teria condições de sair-se melhor, sem precisar bater tanto, como estão orientando os seus marqueteiros.

Givaldo Colado, com o seu imponente ar de senador da República, trocaria o hotel da Rui Barbosa pela apresentação de um quadro no fantástico, quando revezaria com Cid Moreira na antecipação dos fatos mais pomposos do domingo.

O promotor Alexandre Bezerra, que tem jeito de herói de histórias em quadrinho, emplacaria como ator de um novo filme do superman. Ou Batmam mesmo, afinal de contas é tudo herói e o povo precisa viver um pouco de fantasia.

Mas deixemos de imaginação e vamos ao debate em si, que é o que interessa. Bartolomeu Quichute, na minha modesta opinião, estava muito tenso. Dizem que foi por tudo conta de um engarrafamento que pegou na BR-232 esburacada. Quando chegou na TV, doido pra dar uma mijadinha, não deu tempo. Colocaram o candidato na frente das câmeras e de cara foi sorteado pra falar na frente de todo mundo. O resultado é que ficou o tempo todo preso, sem ao menos gesticular, porque estava a fim de que acabasse o programa para ir ao banheiro. Nota 10 pra o petebista que aguentou o aperto até o final.

O promotor Alexandre Bezerra tá virando político mesmo. Confundiu as BRs, levou uma cutucada do Camelão e mesmo assim, na maior cara de pau disse que o socialista não entendeu a mensagem. Pela sua conversa, se for prefeito vai conseguir com Lula até a duplicação da estrada de Garanhuns a Miracica. E pela força da lei ou da marra dará um jeito na Compesa. Nota 10 pra o promotor, que chegou no município ontem e por isso está perdoado em confundir o nome das rodovias federais.

O pós-socialista e ex-um bocado de partido Givardo Colado, deu um show. Bem vestido, sorridente, parecia que estava em casa. O seu melhor momento foi quando disse que Luiz é contraparente de Sirvino, mas mesmo assim quer esconder a condição de candidato do prefeito. Verdade que ele mesmo queria ser primo, ou irmão, qualquer coisa do homem. E ter o apoio deste, porém isso não aconteceu e sobrou pra seu Luiz, que não é político nem quer ser, por isso tanto faz pra ele o resultado dessa eleição. Minha nota pra o Givardo Colado é 10, mesmo sem ele ser contraparente ou aderente de Sirvino ou Orora.

E por falar no seu Luiz Carlos do Jardim das Oliveira não tem dúvida de que ele foi o melhor de todos. Seguindo a orientação dos marqueteiros deixou o ar de bom moço e partiu pra cima. No debate do rádio já tinha dado umas botinadas em Bartolomeu Quichute e na televisão quase dá uma bordoadas em Givardo Colado. Aristóteles já dizia que um homem é um ser político e a legislação não permite concorrer a cargo público sem filiação partidária. Luiz portanto, é um inventor, é o primeiro político que não é político no Brasil depois de Collor de Melo e ainda consegue a proeza de ter, e ao mesmo tempo não ter, o apoio do poderoso prefeito Sirvino. É o candidato denorex, é mais não é. Nota 10 pra ele e, se eu pudesse, se o regulamento do jornal deixasse eu dava uma nota ainda maior, talvez um 15.

Terminando, tem o Paulo Camelão, que saiu-se tão bem em Caruaru que até os eleitores de lá estão querendo votar nele. Com certeza depois de sua passagem pela TVI até o João Lyra e o Tony Gel devem estar preocupados. Além de tudo, o Camelo se destacou pelo visual. Todo de branco e despenteado, parecia um fantasma, ou mais um médico atrás de ser prefeito de Garanhuns. Sua idéia do teleférico e do shopping turístico é tão original, que podia ser exportada, talvez aproveitada pela enrolada equipe de Lula, ou quem sabe pelo candidato americano John Querry ou mesmo o belicida do George Bucha de canhão. Nota 10 para Paulo Camelão, que depois de eleito com certeza poderá comprar uma escova de cabelos ou pelo menos um pente.

Enfim, foi um espetáculo. Na cidade a audiência pipocou e todo mundo depois do programa não tinha outro assunto. Uns discutiam, depois, sem chegar a uma conclusão, quem tinha apresentado a melhor proposta. Por mim, fico com Bartolomeu e sua lagoas de cocô, que é pra não viver apertado. E ainda mais que com a construção das tais lagoas todo mundo vai poder obrar. Não vai ser como atualmente, que só o prefeito Sirvino teve o dieito de obrar, durante oito anos. Já a minha namorada, a Viviane, está vivendo um dilema: estava certa de votar no promotor mais agora quer mudar pra Givardo Colado. Achou que este estava mais bonito na televisão e por isso quer virar a casaca.

Tô doido pelo próximo debate. É melhor do que a ronda e do que a novela das sete. Nenhum dos candidatos seria capaz de matar o Afonso, pois é tudo gente fina e, como diz o nosso prefeito perfeito: apenas lutam por uma "Garanhuns cada vez melhor"