Garanhuns, 14 de agosto de 2004
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DIVERSÃO
 

Animações invadindo as telas

Começou com "Branca de Neve e os Setes Anões", há muito tempo atrás. Assim, com o sucesso da animação baseada na mais famosa das fábulas infantis, o império Disney se firmou como marco da animação. Foram vários os êxitos desde então: "A Pequena Sereia", "A Bela e a Fera", "Fantasia", "A Bela Adormecida", "O Rei Leão", todos estrondosos sucessos de bilheteria e crítica. Somente a Disney era capaz de obter tal fama - isso até o final da década de 90. De 1997 para cá, o público, talvez cansado dos traços clássicos das obras e dos enredos politicamente corretos (sem falar das infidáveis canções que chateavam adultos e crianças), abandonou os filmes de animação mais tradicionais e passou a ser mais exigente com o trato final da obra: desejava-se menos musiquinhas, menos bichinhos falantes bonitinhos, mais situações e tiradas cômicas e, sim, um desenho animado mais próximo da realidade.

Eram características próprias da entrada do século 21. Foi nesse período em que os "clássicos Disney" perderam espaço para novas animações no mercado, com idéias totalmente diferentes da perfeição sobreumana do reino de Mickey Mouse: os animes japoneses extremamente violentos e repletos de ação marcando presença em longas-metragens, as animações satíricas e sujas do calibre de South Park, que inclusive teve uma película aclamada pela crítica, fora as dezenas de obras de estúdios pequenos que desnortearam o rato Mickey. Não coincidência, os únicos filmes da Disney que representaram algum sucesso nesta época foram "Mulan" e "Tarzan", exatamente por fugir de certas regras conservadoras (como a animação essencialmente em 2-D, que passou a ter seqüências em 3-D, e a preferência por temas mais verossímeis).

Se bem que em 1995, com o lançamento de "Toy Story", a Disney acertou em cheio. Além de ter sido um sucesso astronômico de venda de ingressos, o filme foi o primeiro de um filá extremamente rentável e bem-sucessido: o de filmes gerados inteiramente por computador. E assim foi o que aconteceu com outras obras do tipo, como "Vida de Inseto", "Monstros S.A." E "Procurando Nemo" (aliás, as únicas películas em que a Disney conseguiu lucrar nesses últimos anos). Hoje, tem-se "Shrek 2" como a animação mais lucrativa nas bilheterias, "Procurando Nemo" como o DVD mais vendido na história (superando pesos-pesados como "Matrix" e "Homem-Aranha") e uma gama de animações a chegar nos cinemas daqui a alguns meses, como "Os Incríveis", nova parceria Pixar e Disney, e "Steamboy", anime japonês retro-futurista cheio de seqüências de tirar o fôlego.

Interessante observar que as animações nunca tiveram tanta popularidade quanto agora, muito desta graças à evolução ocorrida ao longo dos anos. A supremacia digital nos desenhos animados inaugurou um período para a realização de obras mais irônicas e menos repetitivas, às vezes sombrias e politizadas ("FormiguinhaZ") e outras vezes com grande genialidade humorística (qualquer filme Pixar/Disney lançado recentemente). Por outro lado, o Japão e as produções independentes esbanjam criatividade e traços artísticos ousados. Não há mais por quê duvidar da capacidade das animações em conquistar as telas de cinemae dos aparelhos de DVD; elas não só evoluíram como também acompanharam a mudança no perfil de seus espectadores. Num mercado saturado e sustentado por fórmulas, manter a autenticidade e ainda assim conquistar fãs por meio da inovação de técnicas e tramas é um feito dos grandes.