Garanhuns, 14 de agosto de 2004
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Professor escreve livro sobre a hecatombe

Um dos fatos mais marcantes da história de Garanhuns, a hecatombe de 1917, será tema de mais um livro, desta feita escrito pelo professor Cláudio Lima, dos quadros da rede estadual e um dos dirigentes do Sintepe no Agreste Meridional. Em linguagem simples, jornalística, de certa forma até romanceada, o autor conta em detalhes tudo que ocorreu naquele ano, quando o capitão Francisco Sales Vila Nova matou a tiros o deputado Júlio Brasileiro, representante do município na Assembléia Legislativa do Estado.

Cláudio mostra os antecedentes do crime, quando Vila Nova foi ameaçado e depois humilhado por Júlio e seus aliados e o desdobramento do que aconteceu depois, quando várias pessoas das famílias Miranda e Jardim foram assassinadas a mando da viúva do deputado, Ana Duperron. Crimes bárbaros foram cometidos, pessoas decapitadas, muitos dentro da cadeia, onde tinham sido colocados para escapar à vingança.

A hecatombe é um capítulo negro na história de Garanhuns, um fato que vitimou muitos inocentes, como o heróico cabo Cobrinha, que morreu tentanto proteger as famílias guardadas na cadeia pública. Depois dos assassinatos cometidos pelos partidários do coronel Vila Nova, muitas pessoas envolvidas nesses crimes também foram mortas e durante muito tempo o município teve de conviver com a guerra provocada pelo gesto solitário de Sales Vila Nova.

Tudo isso o escritor mostra detalhadamente, numa linguagem agradável, num texto enxuto, fácil de ser lido. Cláudio Lima consultou ampla bibliografia para escrever o seu livro, que poderá ser apreciado pelas novas gerações, que talvez desconheçam essa parte da história de Garanhuns.

Dentre os livros citados pelo autor na bibliografia está o clássico "Anatomia de uma Tragédia: A Hecatombe de Garanhuns", de Mário Márcio de Almeida Santos. Também foram consultadas obras de Alfredo Leite Cavalcanti, Luiz Souto Dourado, Alberto da Silva Rego, um cordel de Gonzaga de Garanhuns sobre a chacina e até as memórias de Luiz Jardim, que teve o seu pai morto na vingança comandada por Ana Duperron.

O escritor também colheu depoimentos de personalidades locais que têm ligação com a tragédia, como o atual presidente da OAB local Luiz Afonso de Oliveira Jardim, José Maria Brasileiro, José Rodrigues de Freitas, Lanuza Ivo Ubirajara e o monsenhor José da Silva Aragão. Não escapou ao professor nem o importante e emocionante depoimento do monsenhor da Adelmar da Mota, Valença que consta do CD "Com a Palavra Monsenhor Adelmar".

Enfim, agora é aguardar o lançamento do livro de Cláudio Lima, uma obra importante para o município. O livro ainda deve receber alguns retoques e o título definitivo não foi escolhido. Mas o principal já foi feito e o volume merece chegar às mãos do público logo. Vamos esperar com ansiedade o produto final deste volume e esperamos que o professor tenha apoio dos setores intelectuais da terra, devido ao seu esforço de pesquisa para resgatar um capítulo singular da história da terra das sete colinas.

Confira, com exclusividade, um trecho do livro de Cláudio Lima.