Garanhuns, 31 de julho de 2004
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OPINIÃO
 

Eleição de vereador fica mais difícil

Marcílio Viana Luna


Os garanhuenses tomaram conhecimento que, na próxima legislatura, a Câmara de Vereadores em vez dos atuais 15 edis, vai ter apenas 11. Sem querer interpretar a opinião coletiva, ou seja, o que a população achou da medida, acho que a maioria vibrou com a redução. Os gastos com uma Câmara Municipal são enormes e quem paga é o contribuinte. Com a redução as despesas ficarão bem menores e a Prefeitura poderá aplicar os recursos economizados, em obras e ações de interesse público. Essa economia e a contenção do arbítrio das Câmaras nos aumentos exagerados de vereadores, foram as principais razões da iniciativa. Acho que na Câmara de Garanhuns caberiam muito bem 13 vereadores, mas o corte foi muito mais drástico e a população disparadamente aprovou.

Uma Câmara de Vereadores é muito importante para um município. Garanhuns sempre teve grandes edis. Sou freqüentador da Casa Raimundo de Moraes desde quando o pai de Humberto de Moraes era vivo. Atuante, inteligente e líder inconteste, Raimundo de Moraes tinha um grande papel ao lado de Fausto Souto Maior, Aloísio Pinto, Uzzae Canuto, Amílcar Valença, Pedro de Souza Lima, Deusdeth Maia e outros. Isso nas décadas de 50 e 60. É muito tempo para quem mora na Suíça Pernambucana há menos de 40 anos. Os debates eram acirrados, muitos pronunciamentos e alguns bons projetos. Mas, o principal era feito: o prefeito tinha apoio e oposição. Oposição fiscalizadora, eficiente e de muita fibra. Sempre vibrei com uma boa oposição.

O papel de uma Câmara, além de constitucional, é muito importante. É dela de onde saem os projetos legislativos, aprova ou rejeita os programas do governo municipal, bem como as contas do prefeito. Sugere medidas administrativas e critica os problemas da cidade, dos distritos e da zona rural.É também um exemplo de democracia, elegendo representantes de diversos segmentos sociais, como comerciários, bancários, profissionais liberais, operários, estudantes, jornalistas e empresário. Geraldo Calado, irmão de Givaldo Calado, foi eleito vereador como líder estudantil. Outros, como o ex-prefeito e vereador José Inácio, Márcio Quirino e Paulo Gomes, surgiram na política estudantil. Como professores foram eleitos, entre outros, Levino Epaminondas de França e Jaime Alves Pinheiro.

Uma eleição em Garanhuns, pelo menos até a década de 60 quando deixei a cidade, era algo formidável, principalmente no pleito municipal, ou seja a eleição de prefeito. Comícios em diversas ruas da minha Boa Vista: São Miguel, Mundaú, Ipiranga, praça São Sebastião e adjacências; no bairro de São José: Monsenhor Afonso Pequeno, Antônio Souto, Antonio Victor, São Vicente, Liberdade e na Brasília; em Heliópolis: Euclides Dourado, Júlio Brasileiro, Santa Rosa, Frei Caneca e lá para a estrada de Santa Quitéria; no Magano: comícios na rua da Areia, Campos Sales, Matadouro, Santa Terezinha e Pascoal Lopes. No centro da cidade: Cabo Cobrinha, Sete de Setembro, Dantas Barreto, praça Irmãos Miranda e, finalmente, o grande comício de encerramento na avenida Santo Antônio.

Atualmente, existem novos bairros, muitas ruas foram criadas e já não se faz mais comício como antigamente. O último comício do qual participei ativamente, em cima dos caminhões e palanques, visitando também os sítios e distritos, foi na primeira eleição de Amílcar Valença no ano de 1962. Amílcar ganhou disparado e Ivo Amaral iniciou a sua vida pública, sendo eleito vereador com a maior votação. Outros vereadores eleitos na época foram Paulo Faustino, José Inácio Rodrigues e Jaime Alves Pinheiro. Outro dia falei como Ivo e Márcio Quirino sobre por que os dois não disputavam a eleição para vereador já que não é nenhum desmerecimento. O primeiro (Ivo) me disse que tinha compromissos com outros candidatos e o segundo (Márcio), bastante magoado com o seu partido, revelou que não queria reforçar a legenda com os seus votos. Ambos seriam muito bem votados, tenho certeza.

Uma Câmara Municipal precisa ser reforçada com pessoas e políticos de nível. Afinal, ser vereador não é o mesmo do que ser cabo eleitoral ou office-boy de luxo. Gustavo Krause, por exemplo, foi prefeito, vice-governador e assumiu até o Governo do Estado. Depois foi eleito vereador e não houve nenhum desmerecimento. Prefeitura e Câmara não são condomínios privados, pois não somos condôminos de ninguém. Agora, com a redução de 15 para apenas 11 vereadores, fica muito mais difícil chegar lá. O número de candidatos é muito grande, edis tradicionais e atuantes como Paulo Gomes estão tentando voltar à Câmara, sem falar que quase todos os atuais, com exceção apenas de Givaldo e Gedécio que pleiteiam outros cargos, como também João Inocêncio Filho.

Mudando um pouco de assunto, gostaria de parabenizar o teatrólogo Marcos Tenório, pelo seu artigo "Crítica à diretoria de cultura de Garanhuns", publicado na última edição. Marcos disse o que todos nós sabemos e precisa cada vez mais ser revelado: o assunto Cultura é relegado pela Prefeitura. Alguma coisa precisa ser feita pelo setor, pois até a Banda de Música Manoel Rabelo foi desativada. O Cabo tem até banda filarmônica e Garanhuns, berço da cultura interiorana, não tem nada. O prefeito Silvino Duarte, homem educado e tratável, bom administrador, não pode ser acusado de desamor pela cultura.