Garanhuns, 31 de julho de 2004
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OPINIÃO
 

Ladrões e espertalhões

Rafael Brasil


Até as paredes sabem que, efetivamente, sempre se roubou muito em Pindorama. Não só agora, mas sobretudo no passado. Homens de bigodões, e casacas, geralmente à moda francesa, já roubavam, e muito, desde os primórdios da República. A política, de uma forma geral, sempre foi feita com as deletérias e incestuosas misturas entre bens públicos e privados.

Roubaram e roubam, desde Adhemar de Barros, até Jânio Quadros, que, tal qual Collor levantou a bandeira da moralidade. Professor de português, e político populista, quando morreu, deixou uma bela fortuna para a família. Além é claro, dos ladrõeszinhos menores, que infestam o nosso país, a maioria, é claro, de analfabetos. Para roubar a coisa pública é só querer, pois rouba-se de todo o jeito, muitas vezes com a complacência do judiciário, onde aliás, se escondem muitos ladrões, fantasiados de juízes. Respeitadíssimos juízes. Afinal, essa canalha dificilmente vai presa. Morre quase todo mundo de velho, e o pior: posando de honestos, para o mundo, e talvez para o além.

Aliás, tenho lido nos jornais que rouba-se à direita e à esuqerda. O caso Valdomiro é exemplar. A operação abafa do governo, só foi comparável à época da ditadura, quando o governo tinha a imprensa sob censura. Neste governo do PT, muitas acusações de maracutaias invadem o noticiário, o que é uma pena, pois acho que Lula não é ladrão, mas claro, a essa altura do campeonato, não boto a mão no fogo por ninguém.

Pois não é que após a morte de Brizola, a quem um tio meu, lá de São Paulo me dizia, que, louvando a sua honra, ele tinha feito muitas besteiras, mas não tinha roubado. Coitado do meu tio, desiludido com o PT no governo, também foi iludido pela honestidade de Brizola. Agora, o respeitável jornalista Élio Gaspari, em sua coluna dominical, afirmou que Brizola, deixara para os três filhos a quantia de 20 milhões de dólares. De dólares, viu macacada? O velho caudilho roubava sim, claro, muita gente já sabia, desde o velho Fidel, a quem apelidara de el grande ratón, por Brizola desviar uns milhares de dólares de um abortado movimento guerrilheiro, depois do golpe de 1964.

Foi um grande enterro o de Brizola. Quase não enterraram o defunto. E, no Brasil, todo mundo que morre é bom. Quer ser bom? Morra! Quantos cacarecos humanos e políticos são reabilitados quando morrem? Mas, quem conhecia, pelo menos superficialmente, a política populista do velho PTB, desde Getúlio, sabe muito bem, não só o peso da caneta populista, demitindo alegremente os desafetos, mas a velha mala preta petebista, sempre abarrotada de dinheiro, claro.

O aparelhamento da máquina pública, evidentemente, foi um mau sinal do início do PT no governo. O aumento de tributos, e o inchamento do estado com a criação de mais cargos de confiança, também. Ao invés de diminuir o tamanho do estado, o PT o vem aumentando. Quando, claro, o importante mesmo é instituir o governo da moritocracia, e não dos amigos. Tem-se que priorizar a institucionalização das relações políticas da sociedade para com o estado e vice-versa, caminha para a efetiva democratização do estado e da sociedade. Não existe outro caminho, senão o efetivo império da lei, sobre as múltiplas vontades humanas. Enfim, é por essas e outras, que cidadãos com Brizola gostavam e, claro defendiam tanto uma forte presença do estado em todos os setores. Afinal, como é fácil roubar a viúva, não? E ainda pousar de nacionalista. Já se disse, que o nacionalismo é a principal arma dos velhacos. O que vocês acham?