Garanhuns, 17 de julho de 2004
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OPINIÃO
 

A eleição do síndico será depois

Marcílio Viana Luna


Ser prefeito de Garanhuns é coisa muito importante e não é para qualquer um. A outrora decantada em prosa e verso Suíça Pernambucana, apesar das perdas políticas, econômicas, sociais e culturais, ainda é a cidade mais importante de Pernambuco em termos turísticos e paisagísticos, bem como culturalmente falando, com excelente clima, águas minerais, colégios famosos, praças e parques monumentais e uma infra-estrutura hoteleira de dar inveja a muita cidade por esse Nordeste afora. Ocupar a cadeira de prefeito no Palácio Celso Galvão é ter projeção política e social a nível nacional, sem falar no conceito internacional da cidade das flores.

Politicamente falando, ser prefeito da Terra de Simoa Gomes é bem melhor do que ser deputado estadual ou federal, e até mesmo Senador da República. Só trocaria o cargo para ser Governador do Estado ou Presidente da República. Portanto, o que vai ser decidido no próximo 3 de outubro, é um posto altamente qualificado que requer uma postura de dignidade, competência e amor a cidade que já foi no passado "a mais progressista do Brasil". Tanto é importante que pessoas que vieram morar em Garanhuns, sem nenhum vínculo de tradição com a cidade, querem agora ser prefeito.

São profissionais liberais, empresários, servidores públicos e outras categorias que gostaram do nosso torrão natal e pretendem governar o município. Mas, ser prefeito de Garanhuns não é tão simples assim. Para disputar um pleito eleitoral os candidatos devem ter as condições mínimas exigidas de qualquer postulante a um cargo público. Honestidade, capacidade administrativa, equipe de governo e um programa que reflita necessariamente suas idéias e soluções para os problemas da cidade. E que por sinal, são muitos. Muitos mesmo. Do programa de governo devem constar os projetos prioritários, os planos emergenciais e os de longo, médio e curto prazo.

Tudo deve e precisa ser elaborado tecnicamente, sem fantasia ou falação. Dizem que os políticos são demagógicos. Em um programa de governo, os projetos e planos são podem ser sonhadores e fantasiosos. A realidade de Garanhuns muitos conhecem. Estamos quase no fundo do poço em termos financeiros e econômicos. Não temos representação federal, os políticos têm medo até de falar com o governador, ninguém vai a Brasília e ficamos como filhos bastardos, sem nenhuma ajuda, perdendo tudo do que temos, como o Monte Sinai. Tenho medo de alguém querer tomar o Relógio das Flores, o Pau Pombo e o Parque dos Eucaliptos. O Magano e o Ipiranga continuam abandonados, talvez ninguém queira.

Um programa de governo deve apontar soluções ou pelo menos a coragem de enfrentar os problemas econômicos, sociais e políticos do município. A cultura também deve e precisa ser lembrada: continuamos na estaca zero em termos culturais. O turismo, que deveria ser uma das nossas principais fontes de renda e emprego, continua tecnicamente inexistindo em Garanhuns. Vale apenas a iniciativa privada dos hotéis e restaurantes. O poder público nada faz, não existe um plano diretor, uma programação oficial ou um órgão que cuide do planejamento, execução e divulgação dos eventos. O futuro prefeito deve priorizar a atividade turística na Suíça Pernambucana já que, atualmente, nada é feito. Vivemos do passado e do pouco que foi feito há muito tempo, apesar das perdas como o Grande Hotel Monte Sinai e toda a sua majestosa Colina.

Um programa de governo desses candidatos teria que, obrigatoriamente, abordar os mais diferentes seguimentos do município: a decadente agricultura, a pecuária leiteira em crise, a indústria cada vez mais falida com apenas duas grandes fábricas, o comércio que poderia ser maior e melhor, e, finalmente, a área de serviços que ainda salva um pouco a barrra, com alguns grandes bancos, uma razoável área de saúde privada e um péssimo setor público. O turismo que poderia ser a nossa grande esperança, terá que ter nos próximos quatro anos alguém para cuidar do setor, atualmente esquecido, não priorizado e totalmente sem planejamento. Finalmente, ser prefeito de Garanhuns não é administrar qualquer município pequeno, com todo o respeito por eles.

Garanhuns, um município com uma população de 117 mil habitantes, já foi tão desenvolvido como Caruaru, muito mais do que Petrolina e tão famoso como Olinda ou Jaboatão. Atualmente, por culpa das lideranças políticas, perde e feio para todos. Administrar a cidade das flores não é apenas manter as ruas limpas e a iluminação pública acesa. O futuro prefeito terá que ter gabarito político, visão administrativa em elevado termos e um programa de governo elaborado com técnica e realismo. Agora, para que os garanhuenses definam os seus votos, é necessário que os candidatos apresentem as suas credenciais, mostrem que ser filho da terra ou não é besteira e que o importante é ter capacidade para administrar. A eleição de 3 de outubro é para prefeito. A eleição do síndico será depois.