Garanhuns, 17 de julho de 2004
  Início
  Colunas
  Opinião
  Política
  Cidade
  Geral
  Especial
  Cultura / Diversão
  Ed. Anteriores
  Expediente
 
GERAL
 

Telefone no Brasil agora é só para os ricos

Com menos de 30 dias de instalado em Garanhuns o Procom já tinha um campeão em reclamações: a Telemar, empresa que assumiu o controle da antiga Telpe, pertencente ao Estado. A verdade é que por todo o Brasil as queixas contra as companhias telefônicas se avolumam, e o telefone, que seria acessível a todos após a privatização promovida pelo governo Fernando Henrique, está cada vez mais se transformando em artigo de luxo, um bem que só os ricos podem manter.

Um artigo publicado recentemente no jornal Inverta, do Partido Comunista, mostra dados interessantes e assustadores da realidade do país, referentes a essa questão da privatização das companhias telefônicas. Segundo o periódico, passados seis anos das privatizações do setor de telecomunicações todas as comunicações, do serviço de orelhão aos satélites de segurança, passaram a ser controlados por dois gigantescos monopólios internacionais, um espanhol e outro mexicano-estadunidense.

Quando as multina-cionais entraram no mercado, diz o jornal, herdaram das estatais um custo para manutenção de uma linha residencial de cerca de R$ 1,40, valor já atualizado. Este o preço que as empresas deveriam estar cobrando pela assinatura mensal. "Cabe ressaltar que este custo era devido a uma espécie de aluguel do aparelho for-necido pela concessionária, o que não ocorre atualmente", ressalta o artigo. Como se sabe, estamos pagando hoje R$ 31,00 pela linha telefônica, independente de quanto usamos o aparelho, sejamos pobres ou banqueiros. De acordo com o Inverta o aumento foi de 4.500% em seis anos, representando uma transferência de 1,5 bilhões de reais por mês, ou 20 bilhões ano para as mãos do capital internacional.

O periódico também mostra que as empresas multinacionais que controlam atualmente o sistema de telefonia fixa no país exploram os denominados "pulsos". As estatais o adotavam devido à tecnologia analógica, em-pregada então, considerada imprecisa no controle do tempo de utilização dos telefones. Cada ligação gerava um pulso e ponto, independente da duração da ligação, como ocorre atualmente, nas conexões via internet. Depois, para reduzir o congestionamento nas linhas analógicas durante o horário comercial, passou a se cobrar mais um pulso a cada, aproximadamente, quatro minutos, a "multimedição".

Mas a tecnologia digital possibilitou a conversação simultânea sem o inconveniente cruzamento de linhas e a medição real do tempo de ligação. A tecnologia dispensaria a cobrança de pulsos, as sobre taxações e as ligações de longa distância (entre estados, ao menos). Mas o então presidente Fernando Henrique assinou uma portaria, logo após a privatização do setor, estendendo a "multimedição" para qualquer hora do dia.

Ao mesmo tempo em que viam seus lucros quadruplicarem no país, as empresas de telefonia passaram a demitir e retirar os direitos dos empregados. A categoria chegou a ter 90 mil trabalhadores e hoje são pouco mais de 20 mil. Os serviços de manutenção em sua redes foram terceirizados e as agências de atendimento foram simplesmente extintas. As reclamações agora devem ser dirigadas a centrais telefônicas e o usuário, depois de passar por inúmeros códigos e senhas é atendido por uma funcionária terceirizada que pouco pode fazer.

Como se vê por esses dados, a telefonia no Brasil virou um grande negócio, só as empresas estrangeiras foram beneficiadas com a privatização e fica cada dia mais difícil um pobre manter um telefone em casa. Nos últimos anos, mais de 9,2 milhões ou 20% do sistema foi desativado por absoluta impossibilidade de se pagar a conta.

Fica claro por esse artigo que a privatização foi um crime e ninguém sabe se o Governo Lula terá peito para mudar essa situação. Por enquanto, só há duas alternativas: reclamar no Procom, porque apesar de todos os ganhos as empresas como a Telemar ainda aparecem com contas cheias de erros, ou simplesmente dispensar o velho e bom telefone, que antigamente (nem faz tanto tempo assim) podia ser usado para namorar ou qualquer bate papo descontraído. (R.A.)