Garanhuns, 17 de julho de 2004
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DIVERSÃO
 

Do jeitinho que o diretor gosta

É fato: a esmagadora maioria dos diretores faria uma mudança, nem que fosse mínima, em seus filmes. Alguns por necessidade (filmes que, de tão antigos, possuem efeitos especiais mais ridículos que qualquer coisa feita pela Xuxa), outros por pura frescura, cuja mudança é apenas enquadra-mento ou a cor da fotografia utilizada. De qualquer forma, as Versões do Diretor cada vez mais se popularizam com o advento do DVD, e há tantos lançamentos no mercado que este já se tornou um novo filão nas vendas do produto, ao lado das "edições especiais" e das famosas "edições de colecionador".

É bem verdade que antes do aparelho digital essas tais versões eram margina-lizadas, por assim dizer, aos relançamentos caça-níqueis dos filmes nas telas do cinema. Mas nada comparado ao que acontece agora: os lançamentos especiais com os retoques do mestre da direção pipocam a cada mês nas lojas especializadas, e às vezes são versões com cenas mais extensas e/ou completamente diferentes da obra original. É o caso da versão do diretor Ridley Scott para o seu "Blade Runner", em que a narração em off do personagem de Harrison Ford desaprece e o final feliz é substituído por um outro mais sombrio. Outras versões costumam apenas acrescentar cenas extras, como a de "O Exorcista", que insere 11 minutos à versão original de cenas excluídas, e a de "O Exterminador do Futuro 2", que acrescenta longos 16 minutos na versão do diretor James Cameron.

Nem sempre as versões do diretor servem para melhorar. A versão de 2002 para "E.T. - O Extraterrestre", de Spielberg, tenta amenizar a impressão de que o que vemos não é um boneco mecatrônico ao produzir um et digitalizado, mas o tiro saiu pela culatra: o bonequinho em CGI é mal-feito e não se combina com o ambiente doméstico da década de 80. Outro exemplo clássico é a versão de George Lucas para o seu "Guerra nas Estrelas", que retirou todo o charme da trilogia espacial e deixou a saga à beira do ridículo.

Para o bem o para o mal, a versões de diretor vieram para ficar no mercado doméstico cinematográfico. E que venham mais delas: porcarias ou não, sempre é interessante ver o que realmente se passava na cabeça dos verdadeiros donos dos filmes.