Garanhuns, 3 de julho de 2004
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OPINIÃO
 

Salvem o governo Lula

Rafael Brasil


Claro, todos que se dão ao trabalho de ler os meus malfadados artigos, sabem que sempre fui um feroz crítico das esquerdas tradicionais. Leia-se, daquelas esquerdas autoritárias e com fortes resquícios dos malfadados marxismos-leninismos, que geraram os mais variados stalinismos. Quando vejo a cara de um Zé Dirceu, ou mesmo de um Aldo Rebelo, um governando, e o outro fazendo a coordenação política, sinto, que, por essas e por outras porque não estamos bem. O governo dá tiros sucessivos no próprio pé, e, tal qual nos governos Erundina e Cristóvam Buarque, o maior adversário do governo é o próprio PT, como bem tem ressaltado a imprensa nacional das mais diversas colorações. Aliás, quem está defendendo o lado mais racional do governo que é a política econômica, é a oposição. Tucanos e pefelistas aliás foram os responsáveis pelas vitórias mais significativas do governo, como na reforma da previdência e no remendo da reforma tributária. Agora se esmeram para defender Palocci e Meireles das estocadas, tanto da base stalinista do próprio PT, como do velho PMDB cada vez mais fisiológico.

Aldo Rebelo pertence ao velho stalinista PC do B. Ouvi ele na televisão dizer que Palocci seria o nosso Deng Xiao Ping, que foi o grande arquiteto das reformas capitalistas na China , depois da morte de Mao Tse Tung. Na época, Deng contratou os serviços de Milton Friedman, o papa do neoliberalismo, para começar a implementar as reformas econômicas naquele país. Aldo Rebelo e seu partido já tinham rompido com China, e eram adeptos da ditadura stalinista albanesa, de tristíssima memória. Hoje, Aldo Rebelo apoiaria Deng? E, ademais, o próprio Zé Dirceu não anda, nos bastidores tramando contra a dupla Palocci e Meireles? Pelo menos andava, antes do escândalo envolvendo seu amigo e ex-assessor Valdomiro. Como aconselharia o velho e bom Maquiavel, se fosse Lula, demitiria os dois. Afinal o mal deve ser feito de uma vez. O bem aos pouquinhos, de preferência em doses homeopáticas, não? Se fizesse isso, certamente a situação do governo seria outra, não tendo àquela queda brusca de popularidade, segundo as pesquisas.

Justamente numa conjuntura internacional favorável ao crescimento econômico, o governo fica paralisado pela própria incompetência de tocar o governo, até nas coisas mais simples. E o pior: cresce no governo a convicção de que o estado pode muito bem cuidar da infra-estrutura, como estradas, eletricidade e portos, e pipocam planos de governo para a efetivação desses projetos. Um estado falido, querendo investir, quando todo mundo sabe que essa época já passou, desde o final do governo Geisel, o penúltimo do ciclo da ditadura militar. Aliás, o modelo dos militares nacionalistas, seria o sonho encantado de muitos entes esquerdistas. Por isso, talvez, muitos andam namorando o ex czar da economia nos tempos mais duros do regime militar, Delfim Neto. Temos que abrir o país para investimentos em serviços, como estradas, portos, seja para capitais estrangeiros, seja para associações e/ou parcerias do estado com a iniciativa privada. Quando não faz, o governo fica pendente a discutir certas questões um tanto quanto bizantinas. Aliás, o governo deveria mesmo era reformar amplamente o ministério, extinguindo pelo menos metade das pastas, e tentar avançar nas reformas, no sentido de modernizar e dinamizar o nosso combalido capitalismo. Mas é difícil. ..O perigo mesmo é Lula ceder aos esquerdistas de sua base, e aí, salve-se quem puder. Voltaríamos a ter inflação, e tudo o mais que amargamos no passado. Por isso, é preciso que salvemos o governo Lula destas múmias paralídicas. Mas, como disse, infelizmente, o governo não anda. Para muitos o governo Lula já acabou. Espero sinceramente que não, mas infelizmente, minhas sombrias previsões estão começando a acontecer. De qualquer forma, é preciso garantir a governabilidade. Mas a incompetência é latente e bastante assustadora .

Enquanto escrevo, Lula pensa em criar novos ministérios, para acomodar aliados. Como sempre anda falando inúmeras besteiras, tanto aqui, como no exterior. É lento nas decisões, e sobretudo em mexer em privilégios que vicejam por essas bandas, desde tempos imemoriais. O perigo é que surja alguém muito pior, como uma figura do quilate de um Garotinho. Aí seria de lascar, um recrudescimento do mais reles populismo. Aí teríamos saudades de Lula com suas contumazes besteiras. Vade retro, satanás!