Garanhuns, 3 de julho de 2004
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Legislação eleitoral cala rádios em Garanhuns

Desde o último dia primeiro de julho que as rádios em Garanhuns estão com seus noticiários políticos completamente mutilados. É que tanto a promotora Marinalva Almeida quanto o juiz Márcio Bastos entendem que a legislação eleitoral não permite que os cinco candidatos a prefeito do município e os mais de cem candidatos à Câmara sejam entrevistados por nenhuma emissora no período da campanha política.

Segundo o juiz Márcio Bastos deixou claro, numa reunião que fez com profissionais de imprensa e representantes dos partidos políticos, no último dia dois, a única coisa permitida nos rádios, a partir de agora, é o debate entre os candidatos à prefeitura, desde que todos os candidatos sejam convidados e a Justiça Eleitoral comunicada. O prefeito do município, Silvino Andrade, o deputado estadual Izaías Régis, presidentes de partidos e mesmo os populares estão impedidos de falar em qualquer emissora, se na entrevista forem abordados temas relativos à campanha.

As restrições impostas pela legislação ao trabalho dos repórteres políticos da cidade deixaram os profissionais atônitos e sem saber o que fazer para informar a população. Na opinião do jornalista Roberto Almeida, editor do Correio e presidente da Associação Garanhuense de Imprensa (AGI), as leis atuais conseguem levar o país a um tempo pior do que o da ditadura, quando existia a Lei Falcão, censurando o debate político.

"Ora, naquela época as restrições se limitavam ao horário eleitoral gratuito e agora essas medidas atingem o trabalho jornalístico, mutilando os noticiários e ferindo até, no meu entendimento, a Constituição, que assegura a liberdade de informar com isenção. O povo vai ser informado da campanha apenas pelo horário eleitoral, que é pago, feito por marketeiros e sem nenhum compromisso com a verdade", disse Roberto Almeida.

Na avaliação de profissional, a legislação é tão absurda e anti-democrática que a restrição de um repórter político noticiar fatos da campanha pode ser comparada à proibição de um jornalista esportivo dar o resultado dos jogos ou anunciar quem fez os gols da partida. "Toda essa limitação do debate político só vai favorecer o poder econômico. Quem tem muito dinheiro para comprar voto não precisa mostrar suas idéias nos meios de comunicação", opina o dirigente da Associação Garanhuense de Imprensa.