Garanhuns, 19 de junho de 2004
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OPINIÃO
 

A dignidade política afetada

Ivo Amaral


Há muitos anos não se via uma campanha tão acirrada, ou melhor dizendo, tão violenta e agressiva como a atual sucessão do Palácio Celso Galvão. Evidentemente, que para aqueles que acompanham a política de Garanhuns, pelo menos nos últimos 50 anos, não tem sido muita surpresa os ataques, os desaforos e até baixarias da pior ordem. Mas, este ano, os panfletos anônimos tomaram conta da cidade e é raro não se vê uma pessoa com um deles em mãos, distribuídos ninguém sabe por quem.

Tenho conversado muito, ultimamente, com os meus correligionários, amigos, parentes e até mesmo adversários políticos, porém nunca inimigos, que graças a Deus não os tenho. Todos estão revoltados com o clima de agressões, desfeitas e até tentativas de desmoralização pública de alguns candidatos. Primeiro, foi o exprefeito e médico Bartolomeu Quidute. Depois o ilustre farmacêutico, líder classista Luiz Carlos Oliveira. Quem será a próxima vítima?

É uma pena que Garanhuns, uma cidade historicamente culta, com colégios tradicionais como o velho 15 de Novembro, o aristocrático Santa Sofia e o meu Diocesano, sem falar nos educandários públicos como o Estadual e Municipal e os demais particulares além das Faculdades de Formação de Professores e de Administração seja penalizada com uma campanha eleitoral tão baixa, agora quando ainda praticamente nem começou. Garanhuns precisa mostrar que é uma cidade civilizada, de um povo bom e hospitaleiro. Nunca demonstrar falta de educação política como está acontecendo atualmente.

Volto a dizer que nos velhos tempos de políticos tradicionais como Elpídio Branco, Aloísio Pinto, Francisco Figueira, Amílcar Valença, Álvaro Rocha, Raimundo de Moraes, Fausto Souto Maior, Luís Souto Dourado, José Inácio Rodrigues, Jaime Pinheiro, José Tinoco e tantos outros, ocorriam discussões, até mesmo algumas briguinhas sem maiores conseqüências, mas o clima era de absoluto respeito a honra e a dignidade de quem quer que seja. Agora não: os panfletos apócrifos, anônimos e misteriosos tomam conta da cidade. Até outubro próximo, o que poderá acontecer?

Mesmo quando disputei inúmeros pleitos eleitorais, principalmente para Prefeito em 1976, 1988 e 1996 fui também alvo de ataques injustos e desonestos, porém nunca tão violentos como estão ocorrendo na presente campanha sucessória que volto a repetir: praticamente ainda nem começou. Imaginem quando ocorrerem as convenções municipais, definidos os candidatos e a campanha tiver começado realmente... Pelo que os garanhuenses estão vendo, muita honra vai ser afetada, ou melhor, são tentativas inúteis de denegrir pessoas de bem que não merecem isso.

Para concluir, faço um apelo aos políticos, aos cabos eleitorais, aos eleitores e aos garanhuenses de um modo geral, que desarmem os espíritos, pensem no respeito ao próximo e na dignidade alheia. Nenhuma Prefeitura, nem mesmo a de Garanhuns, na qual estive por duas vezes ocupando o importante e digno cargo de Prefeito, merece ter uma campanha sucessória tão cheia de vícios, agressões e violências. Vamos fazer uma campanha em alto nível, com respeito aos adversários e acima de tudo: com amor ao próximo e a Deus.


Ivo Tino do Amaral foi vereador, vice-prefeito e prefeito em dois mandatos (1977/1982) (1989/1992) de Garanhuns e deputado estadual em duas Legislaturas (1983/1986) e (1987/1990)