Garanhuns, 19 de junho de 2004
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OPINIÃO
 

Qual o impacto causado pelo FIG

Marcílio Viana Luna


Entra ano e sai ano e não se sabe, nem sequer se discute, qual o real impacto causado pelo Festival de Inverno na economia de Garanhuns e no Agreste Meridional como um todo. Recentemente, a leitora do Diário de Pernambuco, Adelma Cunha, levanta o assunto em uma Carta à Redação, culpando o prefeito Silvino Duarte de não cuidar desse lado importante da promoção anual, não só em termos econômicos, como também socialmente e politicamente falando. Como não tenho amarras com grupos e não devo nada a político algum de Garanhuns, prefiro ampliar a culpa não só a Silvino como aos seus antecessores, inclusive o próprio Ivo Amaral e Bartolomeu Quidute.

Como o mais importante evento turístico da região, o Festival de Inverno foi criado na administração de Ivo Amaral, o que todo mundo já sabe disso. O que muita gente não sabe é que ele nunca teve um planejamento técnico, estudos de viabilidade econômica e projetos para trazer dividendos reais para o município e para sua gente. Que o Festival traz turista ninguém tem dúvida, mas quem ganha com isso? A contratação dos artistas, interessa a quem? Para o povo fica reservada a única tarefa de bater palma? Para quem é independente, como qualquer escriba que se preza, é precisa a liberdade da crítica para que um elogio seja válido e isso é o que procuro fazer quando escrevo para os jornais de minha terra.

Depois da gestão de Ivo, veio Bartolomeu Quidute que diga-se de passagem prestigiou o Festival de Inverno. Mas também não planejou nada. Poucos prefeitos gostam de receber sugestões e muito menos críticas. Alguns recentes administradores de Garanhuns têm horror a imprensa e muitos até que estão cheios de razão. Quando alguns criticam muito é porque querem alguma coisa. Bartolomeu e Silvino são até parecidos: teimosos e dão pouco ouvidos a imprensa. Mas é preciso distinguir os tipos de profissionais e por que escrevem para os jornais. Particularmente, gosto muito dos dois, ou melhor dos três, incluindo, Ivo Amaral também. Mas gosto muito mais de Garanhuns e do seu povo, meus conterrâneos de verdade, não sou forasteiro.

Mas voltando ao impacto causado pelo Festival de Inverno, ninguém mesmo, nem Governo ou Prefeitura, sabe dizer o que cada promoção anual rende de fato para a economia do município, quanto foi o mercado circulante, quanto entrou e quanto saiu de divisas da região e, finalmente, sobre a viabilidade econômica e financeira da iniciativa. A parte técnica propriamente dita do Festival sempre foi esquecida ou melhor: nunca houve, lamentavelmente, o menor interesse em estudar o assunto, aperfeiçoar a matéria e elaborar planos e projetos para que cada Festival seja melhor do que o outro e renda mais dividendos para o município e para o seu povo pobre e esquecido, sem representação e com um futuro muito sombrio.

Talvez, somente no primeiro ano do Festival de Inverno, poderia ser admitida alguma falta de planejamento ou até mesmo alguma improvisação. Mas, do segundo ano em diante, teria que haver um projeto previamente elaborado, um esboço completo de tudo que haveria de acontecer e um estudo detalhado de cada ação das equipes de emergenciais da Prefeitura. Teve um ano aí que não havia nenhum banco para se sentar e depósitos para lixo, tanto no Parque Euclides Dourado como no Pau Pombo. Grande parte dos barraqueiros da Praça Guadalajara era de fora. Tinha gente do Recife, de Maceió, do Cabo, de todo canto. Os preços por isso e por falta de fiscalização da municipalidade, foram lá para cima. Um absurdo os preços cobrados e nenhuma providência foi tomada.

Saiu a programação oficial do Festival de Inverno. Não vou fazer nenhum comentário, em sinal de protesto. Tanto faz como tanto fez, os donos da verdade escolhem, mandam e dão as cartas que querem. Os subservientes fazem o que mais gostam: obedecem e dizem "sim senhor". Como eu não tenho senhor e muito menos patrão, prefiro ficar calado para não incorrer no rol daqueles que são chamados de "contra o Festival". Afinal, ninguém é contra promoção nenhuma. O que todos querem é transparência, consulta popular e uma palavra que muito governista, seja do executivo municipal ou estadual, desconhece: democracia.