Garanhuns, 19 de junho de 2004
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OPINIÃO
 

Imprensa e Liberdade

Odete Melo de Souza


A liberdade é, com certeza, um dos atributos mais nobres que o Criador dotou o homem, distinguindo-o e elevando-o das demais criaturas.

Entretanto, o conceito de liberdade apresenta-se bastante complexo.

Para alguns, essa gratificante prerrogativa humana, consiste no direito de fazer tudo que quer e pensa.

Outras pessoas imaginam talvez, que parece paradoxal sermos livres e ao mesmo tempo restritos no desempenho de nossa vontade, do nosso agir.

É que o homem é um ser social e vive em comunidade.

E assim, existe uma inultrapassável barreira salvaguardando a individualidade e cada um tem garantido o justo direito da sua liberdade e que deve ser respeitada por todos.

São bem conhecidas as frases:

"A tua liberdade acaba onde a minha começa.

Um povo livre é aquele que cumpre os seus deveres e luta pelos seus direitos".

Em nome da liberdade cometeram-se e cometem-se os mais hediondos crimes, mas também o ideal da liberdade já levou pessoas ao heroísmo, perpetuando-se no correr dos séculos, imortalizando-se na história da humanidade, como um Frei Caneca e outros.

Enfim, todos querem ter, sentir e vivenciar a liberdade na verdadeira acepção da palavra.

Mas qual liberdade? A minha, a dos outros ou cada um a sua?

Salientamos aqui, a liberdade de expressão, de pensamento, enfim, a liberdade da imprensa, tão definida, cantada e decantada pelos que lidam com os meios de comunicação social.

Estes responsabilizam e punem muitas vezes, injustamente pessoas e órgãos em nome da verdade ou melhor, da liberdade.

Convém lembrar que "palavras são exatamente como granadas. Usadas com imperícia, explodem na boca".

Houve um tempo em que censura da nossa imprensa era por demais rigorosa, exigindo-se até que na primeira página do jornal ou revista estivesse impresso a inscrição "visado pela censura", o que significa estar em perfeita harmonia com o regime político vigente.

Esta cruel realidade foi vivenciada predominantemente durante a ditadura militar que fez calar figuras como Dom Hélder Câmara e outros.

Ultimamente acompanhamos o rumoroso caso da publicação no The New York Times, um dos mais importantes do mundo, do jornalista norte-americano Larry Rohter, atribuindo ao Presidente Luís Inácio Lula da Silva a degradante condição do mais autêntico álcoolatra.

A notícia grassou rápida e negativamente o cenário mundial.

O Chefe da Nação, ofendido, surpreso e talvez sem controle emocional no momento, puniu o jornalista norte-americano, expulsando-o do território brasileiro.

Medida essa, rejeitada por autoridades governamentais, consideranda arbitrária, ditatorial e ainda um atentado à liberdade da imprensa!

Tudo foi anulado, mas os comentários se sucedem, aguardando-se uma solução final definitiva.

Cultuemos a imprensa, respeitando-a e acatando-a desde que seja justa e sábia.

O eminente jurista Rui Barbosa, apologista da liberdade de imprensa afirmou certa vez: "a imprensa é a vista da nação".

Que teus olhos sejam perfeitos e abrangentes.

Toda imprensa deve ser imparcial, equilibrada, imbuída do lídimo espírito de veracidade e liberdade, concretizando no seu desempenho a certeza de que "o homem conscientemente livre não se propõe a dominar, perseguir ou prejudicar outro homem".

A imprensa é detentora da omissão da censura outorgada por poderes humanos, mas é escrava do julgamento divino e da opinião dos infelizes atingidos pela crítica e punição injusta dos meios de comunicação.

Que a imprensa brasileira esteja sempre a serviço do bem, da verdade, do progresso, da paz, e sobretudo da justiça e da verdadeira liberdade pessoal e social.