Garanhuns, 19 de junho de 2004
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COLUNAS
 

HUMOR

Raulzito


Frio, São João e Festival

Já passamos da metade de junho e o frio aumenta a cada dia. Na Várzea tá de arrepiar, na Cohab de desanimar, na Brasília de rachar e no Magano tá de lascar. Tem muito pobre, nesses bairros e em outros menos afortunados da cidade, que esperam ansiosamente pela doação de cobertores, quase certa nesta época préeleitoral.

Se eu não ganhar um lençol de dona Orora Cristalina ou de dona Rosa Quidute eu e meus fio vamo tremer o inverno inteiro confessou ao colunista, esta semana, uma senhora sem terra, sem teto e sem marido, lá do bairro da Brahma.

Pode até ser efeito do frio. Mas o fato é que esta senhora, mesmo sem marido, tem catorze filhos. E fica tudo, nesse tempo, entrempado um no outro, para poder se esquentar. É certo que se ela ganhar um cobertor das madames a coitada terá de fazer o "milagre da multiplicação dos lençóis", visando atender tanto menino com frio.

Confesso aos meus 24 leitores que eu mesmo tive dificuldades de escrever a coluna desta quinzena, devido ao frio. A Viviane, que só gosta do calor, queria ficar na cama o tempo todo, a dois, encobertos por um cobertor comprado 15 anos atrás, quando ainda existia as casas Zé Araújo.

O agasalho já está fino, esburacado e não dá vencimento. O resultado é que a minha Vivi treme, geme, pede, chora, deixando a vizinhança convencida de que estamos no maior amor. Que nada! O frio no bairro de São José tá tão grande que ninguém consegue nada, nem acender o fogo do carvão.

Mais desanimador do que esse frio de junho só a programação junina de Garanhuns. Como acontece todo ano, quem quiser um forró bom de verdade terá de ir a Campina Grande ou Caruaru. Aqui mais perto, as prefeituras bancam boas festas em São João, Caetés e Lajedo.

Na chamada cidade serrana, com a desculpa do Festival de Inverno de julho, as festas juninas só conseguem ganhar em animação para o nosso carnaval. A única coisa que aconteece é um rídiculo concurso de quadrilhas, prestigiado por uma minoria e que todo ano termina em briga pela decisão da comissão julgadora. Coisa de mundiça.

O único capaz de louvar a festa é o meio secretário Ivanzinho (ele só era inteiro quando comandava também a área de Desenvolvimento Urbano, que lhe foi roubada pelo Guido), que deita falação em tudo, se você quiser ele traça teoria até sobre física nuclear. Fala, fala, fala e não diz porra nenhuma. Juro que é melhor aguentar o frio do Alto do Magano.

Mas não tem nada não. O Bruno Portugal já anunciou a programação do Festival de Inverno, que este ano está mais eclética e vibrante do que nos anos anteriores. Tem um monte de meninos escalados para cantar na Guadalajara: Aguinaldo Timoteó, Ângela Maria, Ney Matogrosso, Simone, Alcione, Lulu Santos e o grupo The Fevers, mais conhecido, nos anos setenta, como The Fezes. Fiz as contas rapidinho e cheguei ao resultado de que somados esses artistas têm mais de 500 anos. Do jeito que vai, daqui a pouco, teremos em Garanhuns não um Festival de Inverno, mais um Festival de Geriatria.

Quem sabe o presidente Lula tem razão e em Garanhuns só tem jerico mesmo? Sua excelência podia até estar levemente embriagado quando disse essa asneira, mas pensando bem faz sentido. Se você prestar atenção direitinho, apesar do frio, vai ver que na terra das sete colinas tá assim de jumento.