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HUMOR
Raulzito
Frio, São João e Festival
Já passamos da metade de junho e o frio aumenta a cada dia.
Na Várzea tá de arrepiar, na Cohab de desanimar, na
Brasília de rachar e no Magano tá de lascar. Tem muito
pobre, nesses bairros e em outros menos afortunados da cidade, que
esperam ansiosamente pela doação de cobertores, quase
certa nesta época préeleitoral.
Se eu não ganhar um lençol de dona Orora Cristalina
ou de dona Rosa Quidute eu e meus fio vamo tremer o inverno inteiro
confessou ao colunista, esta semana, uma senhora sem terra, sem
teto e sem marido, lá do bairro da Brahma.
Pode até ser efeito do frio. Mas o fato é que esta
senhora, mesmo sem marido, tem catorze filhos. E fica tudo, nesse
tempo, entrempado um no outro, para poder se esquentar. É
certo que se ela ganhar um cobertor das madames a coitada terá
de fazer o "milagre da multiplicação dos lençóis",
visando atender tanto menino com frio.
Confesso aos meus 24 leitores que eu mesmo tive dificuldades de
escrever a coluna desta quinzena, devido ao frio. A Viviane, que
só gosta do calor, queria ficar na cama o tempo todo, a dois,
encobertos por um cobertor comprado 15 anos atrás, quando
ainda existia as casas Zé Araújo.
O agasalho já está fino, esburacado e não
dá vencimento. O resultado é que a minha Vivi treme,
geme, pede, chora, deixando a vizinhança convencida de que
estamos no maior amor. Que nada! O frio no bairro de São
José tá tão grande que ninguém consegue
nada, nem acender o fogo do carvão.
Mais desanimador do que esse frio de junho só a programação
junina de Garanhuns. Como acontece todo ano, quem quiser um forró
bom de verdade terá de ir a Campina Grande ou Caruaru. Aqui
mais perto, as prefeituras bancam boas festas em São João,
Caetés e Lajedo.
Na chamada cidade serrana, com a desculpa do Festival de Inverno
de julho, as festas juninas só conseguem ganhar em animação
para o nosso carnaval. A única coisa que aconteece é
um rídiculo concurso de quadrilhas, prestigiado por uma minoria
e que todo ano termina em briga pela decisão da comissão
julgadora. Coisa de mundiça.
O único capaz de louvar a festa é o meio secretário
Ivanzinho (ele só era inteiro quando comandava também
a área de Desenvolvimento Urbano, que lhe foi roubada pelo
Guido), que deita falação em tudo, se você quiser
ele traça teoria até sobre física nuclear.
Fala, fala, fala e não diz porra nenhuma. Juro que é
melhor aguentar o frio do Alto do Magano.
Mas não tem nada não. O Bruno Portugal já
anunciou a programação do Festival de Inverno, que
este ano está mais eclética e vibrante do que nos
anos anteriores. Tem um monte de meninos escalados para cantar na
Guadalajara: Aguinaldo Timoteó, Ângela Maria, Ney Matogrosso,
Simone, Alcione, Lulu Santos e o grupo The Fevers, mais conhecido,
nos anos setenta, como The Fezes. Fiz as contas rapidinho e cheguei
ao resultado de que somados esses artistas têm mais de 500
anos. Do jeito que vai, daqui a pouco, teremos em Garanhuns não
um Festival de Inverno, mais um Festival de Geriatria.
Quem sabe o presidente Lula tem razão e em Garanhuns só
tem jerico mesmo? Sua excelência podia até estar levemente
embriagado quando disse essa asneira, mas pensando bem faz sentido.
Se você prestar atenção direitinho, apesar do
frio, vai ver que na terra das sete colinas tá assim de jumento.
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