Garanhuns, 05 de junho de 2004
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OPINIÃO
 

As fogueiras do São João

Odete Melo de Souza


Antônio, João e Pedro (por que não incluir Paulo, que sempre nesteve unido a Pedro e cuja festa é no mesmo dia?) são nomes que brilham, enriquecem, alegram e divertem o calendário junino do nordeste brasileiro, de modo especial da nossa querida, conhecida e já internacional Caruaru.

Claro que o maior enfoque é para João.

Junho se torna anualmente um imenso palco onde se encenam as tradicionais e sempre novas danças, forró, quadrilhas, xaxado, roda, bacamarteiros, adivinhações, canjica, pamonha, milho cozido e assado, jogos, da rodinha ao busca-pé e sobretudo, as fogueiras... As grandes fogueiras...

É realmente uma festa... Uma indescritível festa...

E por que fogueiras?

Evoquemos um longíquo passado, na distante, pequenina e desconhecida AIN-KARIN (terra natal de São João), na antiga Palestina.

Naquelas abençoadas plagas, um conhecido e idoso Zacarias e Isabel que sendo estéril não tinha filhos, foi agraciado compensadoramente com uma angélica notícia da chegada em breve, de um nfilho, cujo nome seria João.

E conta a lenda, que a maneira inusitada para participar aos parentes e amigos o nascimento daquele filho que se tornaria o Precursor do Messias, "o maior entre os nascidos de mulher", o privilegiado de batizar Jesus e muitas outras raras prerrogativas, seria acender uma grande e bem viva fogueira. E isso realmente aconteceu, tornou-se um costume acender fogueiras no aniversário de São João, estendendo-se por várias outras regiões da terra, até os nossos dias e envolvendo depois Santo Antônio, São Pedro e até São José. Repitamos a pergunta: Por que fogueiras? Acreditamos que os pais daquele que encarnaria o caráter forte de Elias, iluminados pelo alto, escolheram o fogo por ser este um elemento imprescindível no equilíbrio universal e ser também símbolo da força divina constatada na vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos, no Pentecostes.

E ainda, consideramos que a escolha do fogo foi atentado para a importância das várias serventias que lhe são peculiares, com a garantia do preparo alimentar, desempenhos industriais, medicinais, técnicos artísticos e para aquela ação superior e eterna que lhe é sentimentalmente atribuída - a força poderosa do fogo do verdadeiro amor. Crença esta externada na conhecida oração: Divino Espírito enchei nosso corações com o fogo do vosso amor.

Esqueçamos, portanto, a ação malfazeja do fogo nos criminosos incêndios, homicídios e acidentes e no seu nefasto uso nas terríveis guerras.

Prestemos o nosso culto ao fogo!... Enxaltemos o fogo força, luz, calor, amor!...

Procuremos encarnar em cada um de nós algumas das virtudes dos santos das festenças juninas.

E assim, abastercidos com o fogo espiritual acrescentamos o fogo material da animação para as brincadeiras profanas e nesta maravilhosa simbiose, vivenciemos o mais alegre e melhor São João.

E quem sabe se o eco da zabumba, sanfona e triângulo, no ritmo gostoso do forró não atravessará mares e ares e chegará até KAIN-AIN?

VIVA O NOSSO PROTETOR E MILAGROSO SÃO JOÃO!...