Garanhuns, 05 de junho de 2004
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OPINIÃO
 

Que venha o exército

Rafael Brasil


Sempre disse, em conversas informais, que se fosse Lula, logo ao iniciar o governo, tomaria medidas de impacto na questão da violência. A primeira delas, seria colocar o exército para trabalhar, assumindo funções, digamos, de uma guarda nacional. Primeiro, para guardar as fronteira, caminho fácil para contrabandistas, narcotraficantes, e outros bandidos menos votados. A segunda, seria fazer com que o exército ocupasse pelo menos as cinco maiores capitais do país, onde os índices de violência fossem maiores.

Claro, essas ocupações não apenas se restringiram à força bruta, mas que paralelamente, nas áreas mais violentas e mais carentes, fosse feita uma mobilização, envolvendo os mais diversos setores da sociedade civil, e suas mais diversas organizações, juntamente com a aplicação dos programas governamentais de assistência social. Ao mesmo tempo, mobilizar a sociedade para uma séria discussão sobre as reformas, da polícia, e do judiciário. Uma espécie de operações mãos limpas, para, se não livrar, pelo menos diminuir, a bandidagem nas polícias. Afinal, o povo não só tem medo de bandido, mas de polícia também, tais as atrocidades cometidas.

O povo brasileiro tem agüentado muitas catástrofes, claro, não naturais, com seus desgovernos, um modelo de estado que privilegia minorias muito sabidas, o escambau. Mas a violência há tempos passou dos limites, e a inação é o pior remédio para todos os males. E esse governo tem pecado pela inação, e falta de projetos. Enquanto escrevo, o ministro da justiça, o respeitável cidadão Márcio Tomaz Bastos, lenvanta a hipótese da intervenção das forças armadas no Rio de Janeiro, tal a escalada da violência naquele nestado. Aqui em Pernambuco, mais especialmente no grande Recife, a situação nestá também insuportável. Dá até tristeza ler os jornais.

Muitos argumentam que as forças armadas não estão preparadas para isso, que suas funções são distintas da polícia, etc. Porém, chegamos ao limite. E quem não se lembra da ECO 92, quando o exército ocupou o Rio? A própria presença dos efetivos militares, inibiu consideravelmente a ação da bandidagem. E trata-se de garantir, o que milhares de pessoas não possuem mais, que é o elementar direito de ir e vir, ora bolas!

Vamos ver quais os próximos lances desta infeliz e vergonhosa questão. Se vão agir, ou ficar na conversa. Nossa caóticas cidades pedem socorro, com seus jovens morrendo de bala, quando não de bala perdida. Claro, a realidade é muito mais perversa. O que conhecemos não é nem a ponta do iceberg. Do jeito que as coisas andam só nos resta perguntar: onde vamos parar?