Garanhuns, 22 de maio de 2004
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OPINIÃO
 

A esperança continua vencendo o medo

Alexandre Bezerra


De certo que o resultado da campanha eleitoral à Presidência da República travada particularmente entre a direita, representada pelo então candidato José Serra, do PSDB, e a esquerda, através do Presidente Lula, do PT, significou o desejo do povo brasileiro de ver implementada nova condução política, econômica e social no país.

O Governo FHC convivia com a alta do dólar, a baixo da bolsa e o risco Brasil aumentado. Os juros elevados para capitanear investimentos internacionais estimulavam a inflação, que a todo tempo ameaçava encaminhar-se para o descontrole absoluto, e inibiam o crescimento econômico, pois a movimentação financeira era meramente especulativa. Para se ter uma idéia a estimativa feita para a inflação no final do ano de 2002 para 2003 indicava a possibilidade de se chegar a 35.0% (trinta e cinco pontos percentuais) ano.

O Estado brasileiro mantinha pouca capacidade de investimento, embora o modelo neo-liberal tenha promovido a venda de mais de 70% do patrimônio público nacional com as privatizações, e dessa forma obtido fonte extra de recursos, que alinhados ao aumento da carga tributária, impuseram as famílias brasileiras baixa na classificação social.

O desemprego, a falta de uma política econômica consistente, geraram grave desagregação social, com o incremento de atividades criminosas, surgidas a partir da falta de oportunidades, sem falar que as cidades e o campo assistiam ao caos, mediante a desenfreada escalada da ineficiência do poder público, circunstanciada no descumprimento das obrigações básicas com a educação, saúde, segurança pública e habitação, entre outras.

A reforma agrária nunca foi objeto de séria preocupação do Governo social-democrata e de seu principal aliado, o PFL.

Esse cenário levou, através da esperança, o Partido dos Trabalhadores à vitória eleitoral em 2002. Entretanto, o povo brasileiro, não efetivou completamente a mudança. Não deu ao Partido dos Trabalhadores a hegemonia, e com isso trouxe dificuldades para o Governo Lula, que se viu obrigado, em nome da governabilidade, a proceder com uma ampla aliança, indo da esquerda ao centro. Vieram, dentro desse contexto, partidos absolutamente fisiologistas, que negociaram e querem continuar negociando com cargos e verbas públicas.

A missão do nosso Presidente é dificílima. Mesmo assim, em pouco mais de um ano e quatro meses de Governo, duas grandes reformas foram aprovadas por articulação direta da Presidência. A reforma previdenciária e tributária impediram a quebra do país, que voltou a crescer, controlando a inflação, mantida em pouco mais de 5.0% ( cinco pontos percentuais ) no primeiro ano de Governo Lula.

O Brasil efetivou uma nova política internacional, fortalecendo o comércio com a China e a Índia , estreitando laços com países em desenvolvimento, afastando a imposição americana de inclusão na ALCA. Ao contrário, optou pelo engrandecimento do merco sul, para livrar-se do protecionismo e dos subsídios que o Governo dos Estados Unidos dão aos seus produtores, chegando a discutir questões importantes na OMC, principalmente voltadas a agricultura. A esse respeito lembro agora que o país é superavitário, e exportou nos últimos 12 meses mais de 80 bilhões de reais. É o começo da reação. Reação materializada com o surgimento, naquele mesmo período, de 885.600 novos empregos. Ate o final do ano serão, segundo o Ministério do Trabalho, 1.300.000 novos empregos.

Houve, também, alteração nas linhas de financiamento e crédito para o pequeno empreendedor. O Banco do Nordeste do Brasil desembolsou para o programa nacional do microcrédito do dia 01 de janeiro de 2003 até o dia 07 de maio deste ano 502,4 milhões de reais. Diminuiu os juros, alargou o crédito e o prazo de pagamento de 12 para 18 meses, estimulando a produção.

Nunca se assentou tantas famílias como hoje.

E para lembrar o começo dessa nossa história: o dólar baixou, o risco Brasil diminuiu, a bolsa de valores trabalha em alta, e os juros caíram de 27% (vinte e sete pontos percentuais) ano para 16.5% (dezesseis pontos e meio).

Com o objetivo de finalizar, ainda que parte da imprensa, dominada pela direita não queira, a esperança sempre vencerá o medo, porque o povo brasileiro sabe que ainda não alcançamos o sonho, mas estamos melhor que antes.