Garanhuns, 22 de maio de 2004
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Pernambuco abriga condições de possuir pólo farmacoquímico

A criação do Pólo Farmacoquímico de Pernambuco foi discutida entre o governador Jarbas Vasconcelos, secretários de governo e empresários da indústria farmacêutica do Brasil, Argentina, México, Peru e Costa Rica, durante café da manhã no Palácio do Campo das Princesas. "Queremos afirmar que estamos muito interessados em investir aqui no Estado. Não só por causa de sua localização e infra-estrutura mas, sobretudo, porque aqui em Pernambuco encontramos um quadro de profissionais capacitados tecnicamente para o trabalho em indústrias e boas universidades, vantagens que outros Estados não possuem", observou Dante Alario.

O secretário de Saúde, Guilherme Robalinho, apresentou as vantagens de Pernambuco para a implementação de um Pólo Farmacoquímico. Foram apontadas como potencialidades do Estado, a presença do Laboratório Farmacêutico de Pernambuco (Lafepe) e de mão-de-obra qualificada, infra-estrutura - com destaque para o Aeroporto dos Guararapes e o Porto de Suape. "Pernambuco tem condição de ser um pólo de produção e distribuição de medicamentos para o Nordeste, para o Brasil e para outros países, como os africanos", disse Robalinho.

O setor farmacêutico também aparece como uma das cadeias prioritárias no Programa de Desenvolvimento de Pernambuco (Prodepe). O Prodepe concede uma redução de 75% do valor arrecadado do ICMS durante doze anos para empresas que se instalarem em Pernambuco. "Os incentivos contemplam centrais de distribuição, indústrias, laboratórios e projetos de importação, já tendo aprovado vários projetos nessas áreas", afirmou o secretário executivo de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Esportes, Fernando Jordão.

O Pólo Farmacoquímico de Pernambuco tem como objetivo impulsionar o setor farmacêutico no Estado, congregando uma série de empresas de áreas diversas, que deverão trabalhar em conjunto com o setor, como a indústria química, de embalagens e de insumos. O Lafepe, que hoje produz 67 medicamentos e os fornece para 1,8 mil municípios em todo o País, é apontado como a âncora do Pólo. Os medicamentos do Lafepe são comercializados a preços po-pulares que chegam a atingir uma diferença de 1.600% quando comparados aos medi-camentos de outros labora-tórios.

Os empresários estão participando da XXV Assembléia Anual da Associação Latino-Americana da Indústria Farmacêutica (Alifar) e do XX Fórum Latino-Americano da Indústria Farmacêutica, que terminam hoje no Recife.

Assembléia - O encontro, que acontece anualmente em um dos 15 países sócios da Associação Latino-Americana da Indústria Farmacêutica, está movimentando o Recife desde a última terça-feira. Cerca de 70 empresários dos mais importantes laboratórios do Continente Latino-Americano estão debatendo problemas e soluções para o setor nas questões relativas ao mercado, área regulatória, patentes, compras governamentais, Área de Livre Comércio das Américas (Alca), entre outras.

O setor farmacêutico brasileiro vem apresentando uma estagnação desde 1999, quando as unidades de medicamentos vendidas caíram de 1,8 bilhão para 1,25 bilhão, permanecendo neste patamar até hoje. Segundo Dante Alario, a redução ocorreu devido à diminuição do poder aquisitivo da população. "Atualmente, cerca de 50 milhões de brasileiros não têm condições financeiras de adquirir os mais simples medicamentos", observou.

Com a determinação do Governo federal, em dar prioridade ao setor, os empresários passaram a acreditar em seu reaquecimento. Segundo o planejamento do Governo, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) irá financiar plantas industriais, aquisição de equipamentos, além de pesquisas e inovação tecnológica. "As empresas que decidirem investir em pesquisas e inovação tecnológica receberão financiamento a custo zero ou até mesmo negativo. Agora, estamos discutindo os passos a serem dados para conseguirmos o financiamento, como os detalhes dos projetos a serem encaminhados", informou Dante Alario.