Garanhuns, 22 de maio de 2004
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COLUNAS
 

CORREIO POLÍTICO

Roberto Almeida


CLÁSSICO

A última pesquisa sobre a eleição no Recife reitera que teremos um clássico. É como se Náutico, Sport e Santa Cruz fossem disputar um supercampeonato. Os pré-candidatos Joaquim Francisco (PTB, Carlos Eduardo Cadoca (PMDB) e João Paulo estão literalmente empatados. No ritmo que a coisa vai só teremos uma definição do vencedor no dia. E ainda teremos segundo turno.

Joaquim, que se elegeu deputado federal com uma votação modesta, é um fenômeno na capital, demonstrando um fôlego surpreendente. Seu grande aliado é Armando Monteiro, que sonha em ser governador.

Carlos Eduardo, campeão de votos no último pleito, na capital, tem ao seu lado a juventude e o apoio do governador, também de grande prestígio no Recife. Se passar para o segundo turno, o que é provável, será um perigo para o PT.

Já o prefeito João Paulo superou os problemas do começo do mandato e hoje é reconhecido como um bom administrador. Terá como trunfo o seu trabalho, a militância do partido e o aliado Lula. O presidente, se conseguir também superar os problemas de sua gestão será decisivo para reeleger o governante recifense.

Usando de novo o jargão do futebol: quando o jogo é um clássico não há favorito.


LARANJA

Ao chamar o pré-candidato do PMDB, Luiz Carlos de Oliveira, de laranja, o deputado Izaías Régis (PTB), deu o tom da campanha política que vem por aí. Vai ser jogo pesado e quem achar que eleição é feito concurso de miss pode perder as ilusões. Será chumbo grosso e quem tiver seus podres que se prepare.


EDUCADO

Ao responder o discurso inflamado de Izaías no Jornal da Sete, Luiz Carlos foi muito educado. Apenas lamentou as declarações do parlamentar, que a seu ver deu uma entrevista "muito infeliz". Silvino também foi civilizado na entrevista que deu no dia seguinte, na Rádio Jornal.


ESTRATÉGIA

Depois de participar de um seminário sobre estratégia política, me São Paulo, com participação de ministros de Lula e o publicitário Duda Mendonça, o promotor Alexandre Bezerra (PT), está de volta para organizar sua campanha em Garanhuns. O petista avalia que o tiroteio verbal envolvendo Izaías e Silvino não leva a nada e defende um discurso em cima de propostas.


DOM MORRA

Apesar das polícias militar e civil garantirem que o soldado não teve culpa, uma vez que o paciente enfurecido o agrediu, a morte de um rapaz de Jurema, com um tiro na perna, no Hospital Dom Moura, mostra que não falta acontecer mais nada na unidade de saúde local. É o fundo do poço. É o apelido "Dom Morra" cada vez mais justo. E a secretária de Saúde do Estado se lixando pra Garanhuns.


SEM GRAÇA

A verdade é que o jogo político local ficou meio sem graça depois do freio do Ministério Público na movimentação dos candidatos. Só esquentou um pouquinho esta semana, por conta do estilo bombástico do deputado Izaías Régis. Mas as convenções estão perto e logo a campanha irá começar pra valer. E tá provado que o povo gosta é de polêmica, de quem tem coragem e determinação, embora às vezes os mansinhos surpreendam e chegem lá.


PESQUISAS

Numa pesquisa encomendada por Izaías Régis ao Opine, cerca de um mês atrás, acendeu-se a luz de advertência no grupo do PTB local. Menos de 13 pontos separavam Luiz Carlos de Bartolomeu. Outro levantamento mais recente, realizado pelo Instituto Plural, a pedido de Armando Monteiro, tranquilizou um pouco a turma: Bartó voltou a subir e ficou com o dobro dos que ocupavam a segunda colocação.


PROCESSO

O prefeito Silvino Andrade anunciou na Rádio Jornal sua intenção de processar de novo o vereador Cacau, que acusa o Executivo de ter mandado à Câmara um projeto ilegal. O parlamentar já foi condenado uma vez, mas recorreu e o caso antigo está no Tribunal de justiça.


PADRES VERSUS BISPO I

Dom Irineu Roque Scherer, bispo da Diocese, não gostou nem um pouco da reunião dos padres políticos em Garanhuns. Uma fonte contou ao colunista que ele ficou particulamente chateado com as declarações de Pe. Eraldo neste jornal. O parlamentar alagoano disse que era hipocrisia criticar os padres na política e questionou uma foto de Dom Irineu junto de Silvino: "Isso aqui é o quê?", indagou o sacerdote, para desgosto do bispo local.


PADRE VERSUS BISPO II

Um dos padres presentes ao encontro realizado na cidade também ficou chateado com uma entrevista de Dom Irineu, na Rádio Marano. Ele disse que não interessa levar a discussão adiante, mas insinuou que se fosse abrir a boca teria muita coisa a dizer pra incomodar o bispo.


VITÓRIA E DERROTA

Desde que chegou em Garanhuns o bispo conseguiu enquadrar quase todos os padres na sua linha de trabalho. A vitória maior foi conseguir que Carlos André desistisse de disputar a prefeitura local. Só não teve jeito foi de tirar o monsenhor Geraldo de Capoeiras. Este último mostrou que é forte e continua invicto, mesmo assumindo posições políticas claras nas eleições do município vizinho.