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Mulheres driblam o desemprego com criatividade
e coragem
O desemprego é hoje o principal problema nacional, como
não se cansam de mostrar os jornais, o rádio e a televisão.
Em Garanhuns, pesquisas recentes atestam que a primeira preocupação
dos moradores da cidade é a falta de oportunidades de trabalho.
Os mais angustiados com a questão são os jovens, mas
também os homens maduros sofrem, pois a partir de uma certa
idade o emprego vai ficando ainda mais díficil.
A dificuldade de encontrar um trabalho com carteira assinada é
cada vez maior e penaliza igualmente hoje homens e mulheres. Muitos,
para garantir a sobrevivência, têm de usar a criatividade
e com muita disposição ir à luta, como única
maneira de alcançar algum objetivo na vida. No Jornal da
Sete 2ª Edição, na FM Sete Colinas, iniciamos
uma série de reportagens mostrando o perfil de algumas pessoas
que conseguem driblar o problema do desemprego e às vezes
até garantem um ótimo rendimento por mês trabalhando
como autônomas.
O material ficou tão bom que resolvemos aproveitá-lo
também no jornal impresso, onde é possível
aprofundar a discussão. Começamos, como no rádio,
com as mulheres, que são um exemplo de força e fé,
no sentido de vencer obstáculos. Elas, como muitos homens,l
provam que apesar de tudo é possível vencer as adversidades
e garantir, além da sobrevivência, pelo menos um mínimo
de independência.
A MANICURE - Kênia Isley
Maciel, 34 anos, é casada com um funcionário público
estadual, tem dois filhos menores e trabalha na cidade como manicure.
A dona de casa confessa gostar do seu trabalho, que lhe garante
uma renda mensal na faixa de um salário-mínimo. "Gosto
muito do que faço e além do dinheiro ainda aumento
meu círculo de amizades", disse Kênia.
A manicure começou a atividade com apenas 11 anos de idade,
quase que por brincadeira, ao fazer a unha dela e de uma amiga.
A partir daí tomou gosto e se profissionalizou, estando no
ramo há mais de 15 anos. Com o dinheiro que ganha, Kênia
Maciel faz suas despesas pessoais, compra alguma coisa para os filhos
e ainda consegue juntar umas economias, uma vez que as despesas
de casa ficam por conta do marido.
Apesar de exercer uma atividade simples, Kênia garante não
sofrer nenhum tipo de preconceito no seu trabalho, tendo conseguido
o respeito da comunidade. "Outras mulheres, ao verem que deu
certo pra mim seguiram meu exemplo e muitas hoje também ganham
o seu dinheirinho, fazendo unhas. Acho que o meu exemplo foi um
incentivo a outras pessoas", observou a manicure.
SAÚDE - Lurdes Wanderley
tem 33 anos e trabalha como agente de saúde no Conjunto Residencial
Francisco Figueira, atendendo a própria Cohab II e loteamentos
em volta. Divorciada, dois filhos, a funcionária pública
(a profissão ainda não foi reconhecida pelo Governo)
mantém a casa e os meninos com o salário-mínimo
mensal repassado pela prefeitura.
Apesar das dificuldades, Lurdes gosta do seu trabalho porque experimenta
uma sentimento de liberdade, andando pela comunidade e visitando
uma média de oito casas por dia. "É um trabalho
calmo, no qual atuo junto ao pessoal conhecido e isso é muito
bom", declara a agente de saúde.
Ela admite que o orçamento é apertado porque o pai
do casal de filhos não está ajudando, contudo garante
que consegue pagar aluguel, as contas de luz e água e comprar
comida com o dinheiro que recebe por sua atividade. "É
meio apertado, mas dá", se conforma a profissional.
Lurdes Wanderley assegura que o trabalho do agente de saúde
comunitário hoje é bastante valorizado e os envolvidos
na tarefa de visitar as residências são bastante respeitados
pelos moradores do bairro, embora ainda exista uma minoria que não
aceita muito bem o que fazem.
Na opinião da agente é importante a mulher ter sua
independência, mesmo que tenha marido trabalhando e colocando
as coisas em casa. "Faz bem pra o íntimo, pra o ego
da mulher ela ter o seu próprio rendimento", ressalta
Lurdes
LUTA - Nalva Lopes, 36 anos, casada,
filho único, também trabalha como manicure atendendo
tanto as mulheres da periferia onde mora quanto as madames endinheiradas
do centro. Como a sua colega Kênia, ela gosta do que faz e
consegue por mês pelo menos R$ 200, dinheiro que é
usado para ajudar nas despesas de casa.
"Eu acho que tanto as casadas quanto as solteiras devem ir
à luta, pois não de pode deixar de trabalhar",
defende Nalva, convencida que as mulheres devem enfrentar a vida
com determinação e coragem. "Nós não
ganhamos muito, mas esse rendimento ajuda bastante. O importante
é trabalhar", complementa.
A CABELEIREIRA - Fátima
Maciel, 37, estudou para ser professora, mas logo sentiu que uma
sala de aula não era a sua e então resolveu fazer
um curso de cabeleireira com Arnaldo, que já faleceu. Depois
fez outros cursos e não parou mais. "Foi o caminho que
escolhi e estou satisfeita", afirma, mesmo tendo de trabalhar
às vezes mais de 15 horas por dia, inclusive nos finais de
semana.
Cortando cabelos, no salão montado na Cohab II, ao lado
do Colégio Simoa Gomes, Fátima Maciel ganha por mês
pelo menos R$ 800,00 líquidos, aumentando essa renda nos
períodos de festa da cidade. "Um mês mais movimentado
deixa no salão até R$ 3 mil brutos", revela.
Mesmo com muitas despesas para manter o salão, Fátima
admite que poucas pessoas em Garanhuns tem uma renda igual a dela,
vivendo de emprego ou numa atividade similar. "Se eu trabalhasse
todos os dias renderia mais. Mas o movimento é maior somente
nos finais de semana. Mesmo assim é muito satisfatório
o que faço", salienta a cabeleireira.
Fátima avalia que as mulheres conquistaram muito espaço
e hoje não dependem mais de marido ou de empregos menores.
Como autônomas, imagina, basta ir à luta e se consegue
alcançar os objetivos traçados. "Estou realizada
na minha profissão", afirma, confessando ainda que sempre
procura se atualizar através de cursos feitos em Garanhuns
e outras cidades.
BOLOS, SALGADOS E COSTURA - Já
Socorro Ferreira e Ana Maria, as duas com pouco mais de 30 anos,
casadas com policiais militares, cada uma com um casal de filhos,
vivem respectivamente de fazer bolos ou salgados pra festa de aniversário,
e do ramo de confecções. Conseguem fazer por mês
um salário-mínimo e meio e com o que ganham ajudam
bastante os maridos nas despesas de casa.
"Passou o tempo de ficar só esperando pelo esposo",
declara Socorro, que da mesma maneira que as colegas gosta muito
do que faz. Já Ana Maria revela que existente uma grande
concorrência entre as costureiras, mas admite que mesmo assim
dá para garantir um rendimento razoável, principalmente
nos períodos de festa. "É melhor trabalhar como
autônoma, em casa, do que ter emprego fora, pois aqui podemos
fazer o nosso horário e ter mais independência",
finaliza a costureira.
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