Garanhuns, 08 de maio de 2004
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OPINIÃO
 

A escola do padre Geraldo

Rafael Brasil


Há mais de dez anos que ensino na Escola Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Capoeiras. A escola foi contruída com muito sacrifício e determinação por Monsenhor Geraldo, a quem gosto de chamar padre Geraldo, tal qual este abnegado clérigo é conhecido pelo povo desta pobre região do agreste pernambucano. Aos poucos, padre Geraldo foi construindo a escola, que tem como característica principal a capela, que fica cercada por salas de aula. É uma escola de periferia, onde acorrem alunos não só da vila de Capoeiras, mas também de Caetés, município vizinho. Mesmo sendo um clérigo conservador, padre Geraldo nunca interferiu nos conteúdos ministrados em sala de aula, cuidando mais, digamos, da parte espiritual da nossa escola, o que demais é muito importante. Pessoalmente gosto muito dele de longa data, pois há muitos anos foi um fiel amigo de meu pai, sobretudo quando ele foi prefeito de Caetés, e, por ser conservador da ARENA, do PDS e do PFL, vivia sendo espezinhado pelo clero dito progressista, instalado naquela cidade. Clero progressista que se calou diante da roubalheira que veio depois, com os governos "esquerdistas" de Caetés. Bem, mas isso é outra história. O certo é que padre Geraldo mantém há muito tempo, um sólido trabalho social em Capoeiras. Sempre de hábito, andando no meio do povo, lá vai padre Geraldo, amigo e devoto de Frei Damião, cumprindo sua missão, como convém aos autênticos missionários religiosos. Que deus o abençoe.

Mas, voltando ao assunto, digamos, da escola, o ambiente é muito alegre, dada a hamonia e a simplicidade das pessoas. As diretoras que por lá conheci, fizeram bons trabalhos. Marizete, Márcia, Nazaré, e agora a simpaticíssima Rosana, que, democraticamente sempre gosta de dizer: "sou professora, e no momento estou diretora, afinal, nesta vida, tudo é passageiro". Muito bem. Filosoficamente falando, tudo mesmo é passageiro, e tem tanta gente iludida com os poderes... Pequenos e grandes, ressaltemos. E, nossa escola segue, apesar das dificuldades, dos baixos salários, e do descaso dos sucessivos governos de quem somos empregados, pois todos pertencemos a rede estadual de educação. Que aliás, paga uma ninharia pela locação das intalações, e falha demais na manutenção.

Nossa escola, digamos, é um retrato fiel da edução no nosso sempre desigual país. São os professores, e membros proeminentes da sociedade, como padre Geraldo que as sustentam e as mantêm. Enquanto existirem professores e funcionários devotados, como nosso caboclo bom seu Erivaldo, que é um misto de porteiro, conselheiro e amigo de todos, que já se tornou uma marca registrada da nossa escola. Não vou citar os nomes dos professores, pois poderia correr o risco de esquecer de alguém. Mas, continuemos na luta, e reforcemos nossos fraternais laços de amizade e respeito profissional. E que deus proteja todos nós.