Garanhuns, 24 de abril de 2004
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POLÍTICA
 

Silvino tenta polarizar disputa

Ao lançar o nome de Luiz Carlos de Oliveira como pré-candidato a prefeito pelo PMDB, o prefeito Silvino Andrade deixou claro sua estratégia: o presidente da CDL será apresentado à população ao mesmo tempo como uma espécie de protetor dos pobres (por conta do trabalho na farmácia), administrador (pela gestão na Maçonaria e no Clube dos Dirigentes Lojistas) e principalmente como um homem de bem (por não se ter notícias de nenhum ato capaz de abalar a moral e o caráter do pré-candidato). Com esse discurso, o prefeito fará tudo para polarizar a disputa entre Luiz e Bartolomeu, como fez com Izaías em 2002, quando conseguiu dar mais de 13 mil votos a Aurora Cristina só em Garanhuns.

O candidato escolhido por Silvino não é político profissional, como os adversários e isso também faz parte da estratégia do prefeito, que pretende levar o discurso para o campo administrativo, evitando o debate político ou ideológico. Com esses dados, mais o uso da máquina partidária e da mídia, o chefe do Executivo local pretende fazer de Luiz Carlos - um sujeito sisudo e até certo ponto esquisito - uma alternativa viável para evitar a volta de Bartolomeu Quidute ao poder.

Até agora, quase um mês depois de lançada à pré-candidatura do dirigente da CDL, a estratégia vem dando certo, por conta de erros da Oposição. Bartolomeu, talvez por falta de poder econômico, por enquanto é um candidato tímido, dependente de Izaías e Armando Monteiro, que vive eleitoralmente apenas de administrar o favoritismo nas pesquisas. Estas, se olhadas através de uma lupa, nem são tão animadoras assim. O ex-prefeito tem abaixo de 40% quando confrontados com apenas quatro outro candidatos, sem que nenhum deles tenha governado Garanhuns e disputado eleições majoritárias e de deputado, como ele o fez.

O deputado Izaías Régis e seus partidários, por seu lado, se preocupam mais em desqualificar o adversário do que em cuidar da própria campanha. É o caso da tentativa de mostrar instabilidade no pré-candidato Luiz Carlos, que segundo o parlamentar e seus aliados poderá ainda desistir de participar do processo eleitoral. Chegaram, inclusive, semana passada, a pregar que o presidente da CDL já havia desistido, quando isso de fato não aconteceu.

Essa estratégia poderá mais na frente representar um tiro no pé, pois o prefeito já provou ser profissional e seguirá em frente, obstinado, tentando a todo custo fazer o seu sucessor.

Os outros pré-candidatos que poderiam se viabilizar, como o promotor Alexandre Bezerra (PT) e o vice-prefeito Márcio Quirino (PDT) têm já uma boa aceitação por parte da população, mas até agora não ampliaram suas bases, o que poderá fazer falta na reta final, caso sigam até outubro.

Quanto a Givaldo Calado, sofreu um golpe quando foi preterido pelo prefeito e outro quando Sérgio Guerra anunciou que o PSDB ficaria com a aliança capitaneada pelo PSDB. Lutou como um leão, até agora, mas não se sabe como conseguirá um percentual de intenção de votos maior do que o conquistado até agora. Pelo visto, apesar da força de vontade, o vereador repete a trajetória de 88 e 92.

Os pré-candidatos Jorge Branco (PFL), Adolfo Lopes (PV), Severino Vieira (PC do B e Paulo Camelo (PSTU), podem até não gostar da realidade, mas ou se compõen à direita e à esquerda ou nessa eleição de Garanhuns serão mero figurantes ou candidatos olímpicos. (R.A.).