Garanhuns, 24 de abril de 2004
  Início
  Opinião
  Política
  Cidade
  Geral
  Cultura
  Sociedade
  Ed. Anteriores
  Expediente
 
OPINIÃO
 

O Brasil potência

Rafael Brasil


Lula, nas inúmeras viagens que fez ao exterior, procurou ressaltar a importância do Brasil no cenário internacional, tentando influenciar os rumos da mesma, colocando o Brasil, se não no centro das questões, mas como um ator de peso na política internacional. Muito bem, como presidente da república, ainda mais autoproclamado de presidente mascate, nosso deslumbrado presidente procura encarniçadamente vender seu peixe. Ou melhor, o nosso. Em Monterrey, no México, ele nem quis falar da ALCA, e fez um discurso ridículo, desvinculando a questão social da econômica, como se isso fosse possível.

Reclamou da política monetária, quando o seu governo adota a mesma política. Um desastre. Dizem, que se acha um grande orador. Para desespero dos assessores, gosta de falar de improviso. É aí que mora o perigo.

Na Índia, em viagem recente, nosso bravo presidente, aproveitou para falar mal dos empresários, que segundo ele, reclamam demais. Deveriam trabalhar mais, e reclamar de menos, sobretudo em termos de agressividade no comércio exterior, pois, tal qual o ex-poderoso tzar da economia no tempo dos militares, Delfin Neto, exportar é o que importa. Aliás, por falar em Delfin, não é que o mesmo tornou-se um dos principais conselheiros informais do governo? Bem, mas isso é outra história... Só que, se empresário fosse, não parava de reclamar, pois, ao contrário do governo, as empresas se reestruturaram, cortando gastos inúteis, redirecionando as empresas em nome dos ganhos de produtividade. Sobretudo em tempos de extrema competição, principalmente externa. O que fez o governo em contrapartida? Aumentou significativamente a carga tributária, o número dos ministérios, e até os malfadados cargos de confiança. Pra melhor negociar com os partidos aliados, como o PMDB, e, também, claro, para acomodar os amigos petistas, principalmente os defenestrados com a pífia reforma ministerial. Em outras palavras, é aquela velha história, do faça o que eu digo, mas não o que faço. O governo continua gastando mal, e nós, trabalhadores e empresários pagamos a conta. Aos empresários ainda resta o caminho da sonegação. Aos trabalhadores, claro, nada. Os descontos são feitos em folha, e nos impostos embutidos, inclusive da cesta básica. E a conta dessa pesada carga tributária vai para o desemprego, que está batendo recordes nunca dantes vistos. Um verdadeiro horror

Claro, para o povão, é bonito, e soa corajoso bater em empresário. Enfrentar os poderosos. No jargão populista, estas palavras soam como música. Mas, com toda essa conversa mole, os investimentos produtivos despencaram no país, após a vitória petista. Para os grandes conglomerados multinacionais, é melhor investir, na China, ou mesmo na índia. Que são dois países bastante complicados, mas, para o capital, são previsíveis. Ou seja, são estáveis. Já o Brasil e América Latina, não podemos em hipótese alguma falar o mesmo. Aliás, segundo as previsões da CIA, a malfadada central de inteligência Norte-Americana , ainda estaremos estagnados nos próximos vinte anos, pois daqui para lá, ainda não teremos resolvido o nosso imbróglio tributário, só para ficarmos neste exemplo. Claro, a CIA tem um histórico de incompetência, aliás, como todos os organismos pertencentes ao estado. Menos mal. Porém, concordo plenamente com as avaliações, pois nosso atraso e subdesenvolvimento, são, resumidamente, frutos da nossa preguiça colossal em mudar. Em outros termos, não somos nem um pouquinho flexíveis. Ainda mais, quando se trata de acabar com os históricos privilégios, que evidentemente, não são poucos. Preguiçoso mesmo, é o governo, que não fez a reforma tributária, nem vai fazer, ao que tudo indica.
Nem a reforma tributária, nem tampouco a trabalhista, só para ficarmos nestes exemplos. Ainda vem o presidente prosador, falar dos empresários. Só falta agora mesmo falar mal do povão. Mas, para populista, falar mal do povão, não dá.

Na índia, o presidente, propõs. A formação de um bloco , sedimentando a união da Índia, da África do Sul e do Brasil , como uma melhor forma, talvez de enfrentar os poderosos, não só da América, mas da Europa e da Ásia. Tudo bem. Mas será que os outro vão embarcar nessa, sobretudo que a intenção de todos é mesmo fazer acordos e alianças justamente com os poderosos. Tanto na vida, como no comércio internacional, vale o velho ditado popular: trabalhar para pobre, é pedir esmola para dois. Lula, e sua assessoria para política externa acham que o Brasil conta no cenário internacional. Balela. Só conta mesmo as potências econômicas e militares. Infelizmente não somos nenhuma das duas. Temos um exército ridículo, e um comércio internacional idem. Gostaria muito que fosse diferente, que o Brasil fosse uma grande potência, se não militar, econômica. M as, evidentemente, ainda estamos muito longe disso0, apesar dos progressos dos últimos anos. Enquanto não arrumarmos nosso quintal, viveremos de bravatas. Ou mesmo de conversas fiadas, boas para entreter os eternos imbecis de plantão. Que, como tenho dito, não são poucos.