Garanhuns, 24 de abril de 2004
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OPINIÃO
 

Águas de Março

Pedro Jorge Valença


Essa história veio de Parnamirim, contada pelo Engenheiro Agrônomo Felix Cantalício, um ilustre sertanejo que foi Prefeito de Terra Nova, Deputado Estadual e já assumiu vários cargos de destaque na Secretaria de Agricultura de Pernambuco. Segundo seus amigos, nada disso teria conseguido, se ele não tivesse passado pelas mãos do Padre Adelmar, a fim de receber, no Colégio Diocesano, um "alinhamento " na sua vida.
Uma vidente de Salgueiro descreveu o seguinte sonho:

Nosso Senhor, depois dos últimos anos de seca, mandou um anjo para verificar o comportamento da população do Nordeste. No retorno, o relato foi tétrico: animais morrendo de sede, silos vazios, roçados perdidos, barreiros esturricados, secos, carestia grande e tem até um técnico do SEBRAE, que está mandando o povo comer Palma Forrageira. O povo vive rezando, fazendo novena, promessas e o Nome do Senhor é o mais ouvido!

Então o Senhor ordenou a Santo Expedito: - Me localiza um matuto da Vila de São Pedro, que tinha um "ditado" sobre as chuvas! Mais rápido que depressa, ele foi encontrado e estava no Sétimo Céu, seu nome era Antônio Adeildo Ferreira, que na terra era conhecido como Tonho de Lon e a frase era a seguinte:

"Se não for por castigo, que Deus bote chuva e que cada pingo dê um pote!"

Logo, as últimas chuvas não foram castigo e sim, uma dádiva dos Céus! E a velhinha de Salgueiro continuou a contar o seu sonho: Um dos flagelados, quando chegou ao Céu, resolveu reclamar a São Pedro: - Foi muita água, o Açude da Cajarana sangrou em um dia ! Foi interrompido por um velhinho, que afirmou: - Isso nunca viu água !
O flagelado continuou o relato:
- O Açude das Furnas, também sangrou! E o velhinho, novamente, interrompeu:

- Isso nunca viu água! Irritado, São Pedro resolveu intervir: - Noé, deixa o homem falar, pois o Dilúvio já faz muito tempo e o povo já está esquecido.

Vou aproveitar o Dilúvio, para falar sobre nomes bíblicos estranhos existentes em Garanhuns: Ageu, Êutico, Miquéias, Moab, Naum, Ciríaco, Timóteo e Zorobabel. Entretanto, esqueceram os nomes dos filhos de Noé, que gerou Sem, Cam e Jafé. Estes, por sua vez, escolheram nomes estranhos para os netos de Noé: Mandai, Tiras, Misraim, Fut e Sabata. Escapando, apenas, os nomes de Canaã e Cetim. Tudo isso está na Bíblia (Gênesis, Capítulos 9 e 10). Só que Cam, não primou na escolha, e deu o nome de Cus para o seu primogênito. Não estou blasfemando, apenas ilustrando os hereges, que em vez de escolherem nomes de Santos, ficam juntando os nomes do pai e da mãe, para deixar os inocentes pagando por toda vida. A exemplo de Gonçalo e Orneia, que seria chamada de Gonorréia; Meira e Beatriz, chamada de Meretriz, que pelo menos teria um futuro garantido.

Completando os "causos" com chuvas, vamos para um verdadeiro:

Numa grande enchente, o Rio Canhoto derrubou algumas casas no Distrito de São Pedro, e o Prefeito Ivo Amaral foi verificar os estragos. Na comitiva, ia o Vereador Pedro Rodrigues (Pedro Pesão), que sugeriu: - Ivo, decreta Calamidade Pública! O Prefeito ponderou que o caso não era de catástrofe, e não caberiam medidas extremas. Pedro Pesão contra-atacou: - Então, decreta Meia Calamidade!

Semana passada, o Anjo voltou e encontrou a maior fartura, festa para todos os lados, comemorações fantásticas, comidas e bebidas rolando alto. E o nome de Deus? O Anjo quase não ouviu!

O título desta crônica foi aproveitado da música de Antônio Carlos Jobim. O certo seria nosso dito popular:

Trovoada de Janeiro tarda, mas não falta...