Garanhuns, 24 de abril de 2004
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COLUNAS
 

HUMOR

Raulzito


Aos pés do Santa Cruz

Os meus caros amigos nunca leram uma coluna minha falando de esportes. É que o futebol atual, cheio de pernas de pau (até rimou) tá tão ruim que em vez de engraçado se tornou triste. Em Garanhuns a AGA virou água e o Sete não vale nem meia dúzia. Em São Paulo os times tido como bons pioraram tanto que um santo do interior é que fez o milagre. No Rio de Janeiro, nossa senhora, um estado em que o Flamengo é campeão só pode estar mesmo decadente. É melhor botar logo o time da Rocinha em campo, com o Garotinho ou o Molequinho, não sei direito o nome de craque, jogando de centroavante.

O futebol nacional está tão nivelado por baixo, que na Bahia a macumba só dá certo pra o Vitória, em Minas o real não vale nada, quem brilha ainda é o Cruzeiro e no Ceará não tem disso não, o campeão é o Fortaleza. Se acham pouco, em Goiás, terra de gente honesta do porte de Iris Rezende, quem levantou a taça foi o Crac, que tem nome de droga das mais fortes.

No Rio Grande do Norte quem manda agora é o Potiguar, uma vez que o América não aprendeu nem o ABC e na Paraíba as equipes caíram tanto de produção que estão pensando em trazer a Erundina de reforço para o Botafogo de João Pessoa.

O único estado em que o futebol evoluiu este ano foi Pernambuco. É que aqui, apesar da AGA e do Central, agora artigos de segunda, surgiu um tal de Itacuruba, onde um jogador sozinho, com nome de remédio de pobre, o tal de Kelson, marcou mais gols sozinhos do que todo time do Sport junto.

Pernambuco inovou tanto no futebol, este ano, que teve dois campeões. O Santa Cruz, que comemorou o título de véspera, com Bacalhau à frente, e o Náutico, que quis ganhar no tapetão e entrou no Arruda pensando que estava no Tribunal do Júri. Batata doce foi a primeira testemunha, Jorge Henrique se apresentou logo depois e o enfezado Kuki condenou os campeões de véspera a amargar mais um ano no inferno.

No total, por força dos três tiros certeiros dos craques vermelhos, os tricolores estão condenados a 10 anos sem a alegria de um título. Até Lula, no Planalto, que desde a posse não teve um dia de sossego, comemorou tomando uma branquinha, ao lado da galega Marisa.

O pior de tudo, meus caros leitores, é que sou torcedor do Santa, imagine. E a Viviane, a peste, a diaba, a louca, é Náutico desde criança. Dessas tão cri-cris, quando o assunto é futebol, que mais parece rubronegra.

Na última segunda-feira, logo depois da conquista que foi um presente de grego para os 90 anos do meu querido clube do coração, a Vivi chegou em casa cantando uma música que dizia mais ou menos assim:

"Aos pés do Santa Cruz, você se ajoelhou, e em nome de Jesus um gritinho de gol você jurou... Jurou mas não cumpriu, sorriu e me enganou e em apenas três minutos o sonho lindo acabou...".

Tive vontade de esganá-la, de passar a torcer pelo Ibis. Mas ficou só na vontade, a carne é fraca e nem mesmo o namoro eu acabei.

E, como na música de Wanderléia, na hora da raiva eu gritei seu nome e tudo acabou na cama.

Campeão de véspera é foda. Tem nada não, na eleição de outubro eu me vingo. Juro pelo Papangu.