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HUMOR
Raulzito
Aos pés do Santa Cruz
Os meus caros amigos nunca leram uma coluna minha falando de esportes.
É que o futebol atual, cheio de pernas de pau (até
rimou) tá tão ruim que em vez de engraçado
se tornou triste. Em Garanhuns a AGA virou água e o Sete
não vale nem meia dúzia. Em São Paulo os times
tido como bons pioraram tanto que um santo do interior é
que fez o milagre. No Rio de Janeiro, nossa senhora, um estado em
que o Flamengo é campeão só pode estar mesmo
decadente. É melhor botar logo o time da Rocinha em campo,
com o Garotinho ou o Molequinho, não sei direito o nome de
craque, jogando de centroavante.
O futebol nacional está tão nivelado por baixo, que
na Bahia a macumba só dá certo pra o Vitória,
em Minas o real não vale nada, quem brilha ainda é
o Cruzeiro e no Ceará não tem disso não, o
campeão é o Fortaleza. Se acham pouco, em Goiás,
terra de gente honesta do porte de Iris Rezende, quem levantou a
taça foi o Crac, que tem nome de droga das mais fortes.
No Rio Grande do Norte quem manda agora é o Potiguar, uma
vez que o América não aprendeu nem o ABC e na Paraíba
as equipes caíram tanto de produção que estão
pensando em trazer a Erundina de reforço para o Botafogo
de João Pessoa.
O único estado em que o futebol evoluiu este ano foi Pernambuco.
É que aqui, apesar da AGA e do Central, agora artigos de
segunda, surgiu um tal de Itacuruba, onde um jogador sozinho, com
nome de remédio de pobre, o tal de Kelson, marcou mais gols
sozinhos do que todo time do Sport junto.
Pernambuco inovou tanto no futebol, este ano, que teve dois campeões.
O Santa Cruz, que comemorou o título de véspera, com
Bacalhau à frente, e o Náutico, que quis ganhar no
tapetão e entrou no Arruda pensando que estava no Tribunal
do Júri. Batata doce foi a primeira testemunha, Jorge Henrique
se apresentou logo depois e o enfezado Kuki condenou os campeões
de véspera a amargar mais um ano no inferno.
No total, por força dos três tiros certeiros dos craques
vermelhos, os tricolores estão condenados a 10 anos sem a
alegria de um título. Até Lula, no Planalto, que desde
a posse não teve um dia de sossego, comemorou tomando uma
branquinha, ao lado da galega Marisa.
O pior de tudo, meus caros leitores, é que sou torcedor
do Santa, imagine. E a Viviane, a peste, a diaba, a louca, é
Náutico desde criança. Dessas tão cri-cris,
quando o assunto é futebol, que mais parece rubronegra.
Na última segunda-feira, logo depois da conquista que foi
um presente de grego para os 90 anos do meu querido clube do coração,
a Vivi chegou em casa cantando uma música que dizia mais
ou menos assim:
"Aos pés do Santa Cruz, você se ajoelhou, e em
nome de Jesus um gritinho de gol você jurou... Jurou mas não
cumpriu, sorriu e me enganou e em apenas três minutos o sonho
lindo acabou...".
Tive vontade de esganá-la, de passar a torcer pelo Ibis.
Mas ficou só na vontade, a carne é fraca e nem mesmo
o namoro eu acabei.
E, como na música de Wanderléia, na hora da raiva
eu gritei seu nome e tudo acabou na cama.
Campeão de véspera é foda. Tem nada não,
na eleição de outubro eu me vingo. Juro pelo Papangu.
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