Garanhuns, 24 de abril de 2004
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CULTURA
 

A BIENAL DO LIVRO

Esta semana aconteceu em São Paulo a décima oitava bienal do livro. O evento é tão importante que da abertura participaram a prefeita da cidade, Marta Suplicy, o governador do estado, Geraldo Alkmin, e o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

Na bienal, que até este domingo, dia 25, deve ser visitada por mais de meio milhão de pessoas, foram investidos quinze milhões de reais. São 260 expositores e 830 editoras diferentes, tentando fomentar a cultura e o conhecimento no país.

Apesar dos números grandiosos, o evento realizado em São Paulo não esconde a realidade do Brasil, na área da leitura.

No nosso país, infelizmente, ainda se lê muito pouco e as editoras vivem muito mais da venda de livros didáticos, boa parte deles comprada pelo MEC.

Para vocês terem uma idéia de como nós brasileiros ainda estamos aquém de outros povos, no quesito educação e cultura, em todo o país existem cerca de 400 livrarias. Na vizinha Argentina, nos últimos anos sacudidada por tantas crises políticas e econômicas, só em buenos aires existe quase o dobro de livrarias brasileiras.

O fato de o brasileiro ler poucos jornais e menos ainda livros não significa necessariamente que não há dinheiro para isso.

Pessoas de alto poder aquisito muitas vezes não lêem um único livro por ano e homens e mulheres das classes B, C e D comumente gastam dinheiro com bebida, cigarro e outras porcarias, mas alegam não ter grana para comprar um simples jornal ou uma revista.

O problema então, além de financeiro, é cultural. O erro começa nas escolas e mesmo os professores, que deveriam ler até por dever profissional, terminam sem fazê-lo.

Falta uma política cultural consistente nos municípios, nos estados e na união. As secretarias de educação são técnicas e burocráticas e as bibliotecas recebem dos governos em geral um tratamento de terceira. São mal instaladas, escuras, ultrapassadas, expondo muitas vezes somente títulos do século passado.

Ninguém se engane, o brasil só sairá desse atoleiro em que vive mergulhado há anos quando investir na educação e na cultura. E investimento nesses setores passa necessariamente pelo investimento no hábito da leitura. (R.A.)