Garanhuns, 24 de abril de 2004
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COLUNAS
 

CORREIO CULTURAL

Carlos Janduy


Lançamento e Palestras

Hoje, a partir das 20h30min, a Academia de Letras de Garanhuns, com sede na rua XV de Novembro, estará realizando sua reunião ordinária. Na ocasião, acontecerá o lançamento do livro Olinda (das colinas à planície), do jornalista Manoel Neto Teixeira, e serão proferidas as palestras: "Olinda: antecipações de brasilidade numa perspectiva multicultural", pelo o autor da obra que estará sendo lançada, e "A paixão pela palavra", pelo Presidente da Associação de Imprensa de Pernambuco, o poeta Flávio Chaves. Também estarão presentes na solenidade os escritores Vital Corrêa, Presidente da UBE - União Brasileira de Escritores (Secção/PE) e Celso Rodrigues, cronista renomado.

Segundo informações do Presidente da Academia, João Marques dos Santos, muitos foram os convites enviados para escritores, jornalistas, advogados e a sociedade em geral, para prestigiarem esse grande acontecimento, que conta com o apoio e a participação da sub-seccional da OAB-PE, em Garanhuns, SESC Garanhuns, Gráfica Primeira Mão e os Hotéis Maville e Village.

Aproveitamos a oportunidade para prestar uma homenagem ao nobre jornalista Manoel Neto, publicando, nesta coluna, dados sobre esse sempre muito atencioso amigo.

"Manoel Neto Teixeira, natural de Itaíba-PE (1943), aos sete anos migrou para Garanhuns, concluindo seus estudos básicos em 1965, no Colégio Diocesano. Em 2002 recebeu o título de Cidadão Honorário de Garanhuns, outorgado pela Câmara de Vereadores. Graduou-se em comunicação Social (Jornalismo) e Ciências Jurídicas (Direito), pela Unicap, 1968 e 1973, respectivamente; mestre em Ciência Política (1986), pela UFPE. Iniciou sua carreira profissional no Diário de Pernambuco (1967) como repórter, revisor de originais, editor de texto e articulista, até 1987; foi redator especializado da antiga Agência Nacional, hoje Radiobrás, Sucursal-Recife (1968/1973); diretor da Divisão de Comunicação Social do Departamento de Extensão Cultural da UFPE, editor do Jornal Universitário (UFPE), 1969/1984; produtor e apresentador do Núcleo de Rádio e TV Universitário (UFPE), (1984/1994). Autor dos livros: Descaminhos da Universidade, Editora Universitária (UFPE), 1981; Atos Retóricos (co-autoria), Summus Editorial, São Paulo, 1987; O Diocesano de Garanhuns (e mons. Adelmar de corpo e alma), 1994, Editora Bagaço, e 2ª edição, ampliada, 2000, Polis Editora; Eleições Gerais-1998 (Manual Prático), Editora Comunicarte; Eleições Municipais-2000, Polis Editora. No prelo, os livros Multivisão Arte, Política e Cultura; e Iniciação à Sociologia Jurídica; Membro efetivo (cadeira 44) da Academia Pernambucana de Letras Jurídicas, do Instituto Histórico de Olinda, da União Brasileira de Escritores (Secção/PE) filiado aos Sindicatos dos Jornalistas e dos Advogados-PE e à OAB-PE (Ins. 4.191); professor (assistente do mestre Pinto Ferreira) na Faculdade de Ciências Humanas de Pernambuco, nos cursos de graduação em Direito e Administração, Av. João de Barros, 561, fone 3221-4423."


Karla Cybele na Quinta da Música

No próximo dia 29, a partir das 20 horas, a cantora Karla Cybele estará se apresentando no Salão de Eventos do SESC Garanhuns, dentro do projeto "A Quinta da Música". O show preparado, inicialmente para ser apresentado na programação do SESC, traz em seu repertório, basicamente, as faixas contidas no primeiro disco da intérprete, lançado em outubro do ano passado.
Klayton (violão base), Vérisson (violão solo), ambos da Banda Travessia; Joãozinho (baixo acústico), da Cor do Jazz e Rômulo (percussão), da Travessia e Anonymatum, são os músicos que estarão ao lado de Karla Cybele, nesse show imperdível, que levará ao especial público do SESC, a verdadeira boa música popular brasileira.

 

As músicas que mais tocam não me tocam

A música brasileira que tem aparecido na mídia, em maior volume, incontestavelmente não tem contribuído em nada com a boa formação intelectual e psicológica dos nossos jovens. Desde o final dos anos 80, raras são as composições musicais brasileiras que realmente têm qualidade, principalmente em se tratando das letras, que pra serem ruins, têm que melhorar muito. Com a "insistência" dos meios de comunicações (eu disse, meios de comunicações) em evidenciar e promover o que é descartável, o processo de aculturação se tornou evidente nas pessoas, em especial, na do público jovem.

A ótima Revista Mundo Jovem publicou, na edição do mês passado, um artigo, intitulado "A música na sala de aula", do Prof. Francisco de Assis Souza, que ministra aulas de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, no Piauí. Como é um assunto que ultimamente tem sido muito comentado em "rodas de bons papos", achei oportuno transcrever, nesta coluna, o importante artigo.

* * * * * * * *

O Brasil é, reconhecidamente, um país de poucos leitores. Os dados estatísticos resultantes de pesquisas de instituições conceituadas e o baixo nível de raciocínio e de interpretação do brasileiro fornecem subsídios para que essa afirmativa seja considerada verdadeira. Além de ser um dado relevante que aponta para a deficiência do ensino no país é, sobretudo, o resultado de uma herança cultural histórica e que escola e sociedade devem juntas trabalhar para que esse quadro seja revertido.

Nesse sentido, a música brasileira poderia contribuir e muito para que a reflexão, o ato de pensar do jovem, fosse estimulado, haja visto que o rádio e a televisão são instrumentos acessíveis a todas as classes.


É bom ouvir

A produção fonográfica nacional, apegada ao consumo, convertida também ao neoliberalismo globalizante, tem priorizado a banalização, a reprodução de ritmos e de letras que fazem remexer pernas e quadris, no entanto, seu conteúdo é marcado por idéias frívolas, supérfluas, contribuindo e conduzindo a juventude para um processo de alienação plena do ponto de vista cultural e de postura social, desprezando princípios essenciais como o amor numa perspectiva positiva, atraente e duradoura.

É bem verdade que o mercado objetiva o lucro e, por isso, investe naquilo que tem maior aceitação e que, conseqüentemente, obtenha a maior vendagem possível de CDs. Mas, para a alegria daqueles que primam pela qualidade ao invés da quantidade, ainda existem compositores e artistas sensatos que zelam pela boa música, pela poesia presente em suas letras. Ainda existem aqueles que sonham, que falam de amor, tendo como base o relacionamento a dois, que não choram apenas uma dor de cotovelo, um romance mal-sucedido, traições. É possível, ainda, ouvir melodias que inspiram perspectivas de um envolvimento emocional bem sucedido, beneficiando os ouvidos e as mentes daqueles que vêm à música como elemento necessário à saúde mental e psicológica. É muito bom ouvir...

Você é assim
Um sonho pra mim
E quando eu não te vejo
Eu penso em você
Até o amanhecer
Até quando eu me deito.

Letras como essa possibilitam soar nos nossos ouvidos um...

Eu gosto de você
E gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo é
O meu amor.

Essa alusão ao companheirismo é algo subitamente indispensável entre os seres humanos, a necessidade que temos do outro. E, diante da realidade sombria que assola o nosso tempo desemprego, violência, fome -, surge a necessidade de as pessoas reconhecerem no outro, na solidariedade, um alimento para continuarem vivas e com forças para lutar.

Vivemos num mundo onde encontramos pessoas extremamente céticas, mal amadas, traumatizadas, solitárias e arruinadas pelo estresse provocado pela correria do dia-a-dia. A música "Velha Infância" - Arnaldo Antunes / Marisa Monte / Carlinhos Brown é um oásis da música popular na atualidade. Ela, assim como algumas outras, em um número bem reduzido, representa um chamamento à juventude falando de amor numa perspectiva norteadora de sonhos que trazem consigo a tentativa de fazer renascer, assim, a sensibilidade e a confiança da pessoa em seu semelhante.

Muito mais do que difundir ritmos, a música é uma instituição social. Ela está presente na vida de todos nós. Viva e curta a boa música. Alimente sonhos e realizações. Amar é preciso."

Após ao artigo do Prof. Francisco de Assis, são propostas as seguintes questões para debate em sala de aula:

1.A música pode ajudar na aprendizagem? Justifique.

2.A partir da música "Velha Infância", conversar sobre valores como o amor, a solidariedade, o companheirismo...

3.Na aula de Língua Portuguesa, conversar sobre a linguagem e o estilo literário da letra da música "Velha Infância".