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CORREIO CULTURAL
Carlos Janduy
Lançamento e Palestras
Hoje, a partir das 20h30min, a Academia de Letras de Garanhuns,
com sede na rua XV de Novembro, estará realizando sua reunião
ordinária. Na ocasião, acontecerá o lançamento
do livro Olinda (das colinas à planície), do jornalista
Manoel Neto Teixeira, e serão proferidas as palestras: "Olinda:
antecipações de brasilidade numa perspectiva multicultural",
pelo o autor da obra que estará sendo lançada, e "A
paixão pela palavra", pelo Presidente da Associação
de Imprensa de Pernambuco, o poeta Flávio Chaves. Também
estarão presentes na solenidade os escritores Vital Corrêa,
Presidente da UBE - União Brasileira de Escritores (Secção/PE)
e Celso Rodrigues, cronista renomado.
Segundo informações do Presidente da Academia, João
Marques dos Santos, muitos foram os convites enviados para escritores,
jornalistas, advogados e a sociedade em geral, para prestigiarem
esse grande acontecimento, que conta com o apoio e a participação
da sub-seccional da OAB-PE, em Garanhuns, SESC Garanhuns, Gráfica
Primeira Mão e os Hotéis Maville e Village.
Aproveitamos a oportunidade para prestar uma homenagem ao nobre
jornalista Manoel Neto, publicando, nesta coluna, dados sobre esse
sempre muito atencioso amigo.
"Manoel Neto Teixeira, natural de Itaíba-PE (1943),
aos sete anos migrou para Garanhuns, concluindo seus estudos básicos
em 1965, no Colégio Diocesano. Em 2002 recebeu o título
de Cidadão Honorário de Garanhuns, outorgado pela
Câmara de Vereadores. Graduou-se em comunicação
Social (Jornalismo) e Ciências Jurídicas (Direito),
pela Unicap, 1968 e 1973, respectivamente; mestre em Ciência
Política (1986), pela UFPE. Iniciou sua carreira profissional
no Diário de Pernambuco (1967) como repórter, revisor
de originais, editor de texto e articulista, até 1987; foi
redator especializado da antiga Agência Nacional, hoje Radiobrás,
Sucursal-Recife (1968/1973); diretor da Divisão de Comunicação
Social do Departamento de Extensão Cultural da UFPE, editor
do Jornal Universitário (UFPE), 1969/1984; produtor e apresentador
do Núcleo de Rádio e TV Universitário (UFPE),
(1984/1994). Autor dos livros: Descaminhos da Universidade, Editora
Universitária (UFPE), 1981; Atos Retóricos (co-autoria),
Summus Editorial, São Paulo, 1987; O Diocesano de Garanhuns
(e mons. Adelmar de corpo e alma), 1994, Editora Bagaço,
e 2ª edição, ampliada, 2000, Polis Editora; Eleições
Gerais-1998 (Manual Prático), Editora Comunicarte; Eleições
Municipais-2000, Polis Editora. No prelo, os livros Multivisão
Arte, Política e Cultura; e Iniciação à
Sociologia Jurídica; Membro efetivo (cadeira 44) da Academia
Pernambucana de Letras Jurídicas, do Instituto Histórico
de Olinda, da União Brasileira de Escritores (Secção/PE)
filiado aos Sindicatos dos Jornalistas e dos Advogados-PE e à
OAB-PE (Ins. 4.191); professor (assistente do mestre Pinto Ferreira)
na Faculdade de Ciências Humanas de Pernambuco, nos cursos
de graduação em Direito e Administração,
Av. João de Barros, 561, fone 3221-4423."
Karla Cybele na Quinta da Música
No próximo dia 29, a partir das 20 horas, a cantora Karla
Cybele estará se apresentando no Salão de Eventos
do SESC Garanhuns, dentro do projeto "A Quinta da Música".
O show preparado, inicialmente para ser apresentado na programação
do SESC, traz em seu repertório, basicamente, as faixas contidas
no primeiro disco da intérprete, lançado em outubro
do ano passado.
Klayton (violão base), Vérisson (violão solo),
ambos da Banda Travessia; Joãozinho (baixo acústico),
da Cor do Jazz e Rômulo (percussão), da Travessia e
Anonymatum, são os músicos que estarão ao lado
de Karla Cybele, nesse show imperdível, que levará
ao especial público do SESC, a verdadeira boa música
popular brasileira.
As músicas que mais tocam não
me tocam
A música brasileira que tem aparecido na mídia, em
maior volume, incontestavelmente não tem contribuído
em nada com a boa formação intelectual e psicológica
dos nossos jovens. Desde o final dos anos 80, raras são as
composições musicais brasileiras que realmente têm
qualidade, principalmente em se tratando das letras, que pra serem
ruins, têm que melhorar muito. Com a "insistência"
dos meios de comunicações (eu disse, meios de comunicações)
em evidenciar e promover o que é descartável, o processo
de aculturação se tornou evidente nas pessoas, em
especial, na do público jovem.
A ótima Revista Mundo Jovem publicou, na edição
do mês passado, um artigo, intitulado "A música
na sala de aula", do Prof. Francisco de Assis Souza, que ministra
aulas de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, no Piauí.
Como é um assunto que ultimamente tem sido muito comentado
em "rodas de bons papos", achei oportuno transcrever,
nesta coluna, o importante artigo.
* * * * * * * *
O Brasil é, reconhecidamente, um país de poucos leitores.
Os dados estatísticos resultantes de pesquisas de instituições
conceituadas e o baixo nível de raciocínio e de interpretação
do brasileiro fornecem subsídios para que essa afirmativa
seja considerada verdadeira. Além de ser um dado relevante
que aponta para a deficiência do ensino no país é,
sobretudo, o resultado de uma herança cultural histórica
e que escola e sociedade devem juntas trabalhar para que esse quadro
seja revertido.
Nesse sentido, a música brasileira poderia contribuir e
muito para que a reflexão, o ato de pensar do jovem, fosse
estimulado, haja visto que o rádio e a televisão são
instrumentos acessíveis a todas as classes.
É bom ouvir
A produção fonográfica nacional, apegada ao
consumo, convertida também ao neoliberalismo globalizante,
tem priorizado a banalização, a reprodução
de ritmos e de letras que fazem remexer pernas e quadris, no entanto,
seu conteúdo é marcado por idéias frívolas,
supérfluas, contribuindo e conduzindo a juventude para um
processo de alienação plena do ponto de vista cultural
e de postura social, desprezando princípios essenciais como
o amor numa perspectiva positiva, atraente e duradoura.
É bem verdade que o mercado objetiva o lucro e, por isso,
investe naquilo que tem maior aceitação e que, conseqüentemente,
obtenha a maior vendagem possível de CDs. Mas, para a alegria
daqueles que primam pela qualidade ao invés da quantidade,
ainda existem compositores e artistas sensatos que zelam pela boa
música, pela poesia presente em suas letras. Ainda existem
aqueles que sonham, que falam de amor, tendo como base o relacionamento
a dois, que não choram apenas uma dor de cotovelo, um romance
mal-sucedido, traições. É possível,
ainda, ouvir melodias que inspiram perspectivas de um envolvimento
emocional bem sucedido, beneficiando os ouvidos e as mentes daqueles
que vêm à música como elemento necessário
à saúde mental e psicológica. É muito
bom ouvir...
Você é assim
Um sonho pra mim
E quando eu não te vejo
Eu penso em você
Até o amanhecer
Até quando eu me deito.
Letras como essa possibilitam soar nos nossos ouvidos um...
Eu gosto de você
E gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo é
O meu amor.
Essa alusão ao companheirismo é algo subitamente
indispensável entre os seres humanos, a necessidade que temos
do outro. E, diante da realidade sombria que assola o nosso tempo
desemprego, violência, fome -, surge a necessidade de as pessoas
reconhecerem no outro, na solidariedade, um alimento para continuarem
vivas e com forças para lutar.
Vivemos num mundo onde encontramos pessoas extremamente céticas,
mal amadas, traumatizadas, solitárias e arruinadas pelo estresse
provocado pela correria do dia-a-dia. A música "Velha
Infância" - Arnaldo Antunes / Marisa Monte / Carlinhos
Brown é um oásis da música popular na atualidade.
Ela, assim como algumas outras, em um número bem reduzido,
representa um chamamento à juventude falando de amor numa
perspectiva norteadora de sonhos que trazem consigo a tentativa
de fazer renascer, assim, a sensibilidade e a confiança da
pessoa em seu semelhante.
Muito mais do que difundir ritmos, a música é uma
instituição social. Ela está presente na vida
de todos nós. Viva e curta a boa música. Alimente
sonhos e realizações. Amar é preciso."
Após ao artigo do Prof. Francisco de Assis, são propostas
as seguintes questões para debate em sala de aula:
1.A música pode ajudar na aprendizagem? Justifique.
2.A partir da música "Velha Infância",
conversar sobre valores como o amor, a solidariedade, o companheirismo...
3.Na aula de Língua Portuguesa, conversar sobre a linguagem
e o estilo literário da letra da música "Velha
Infância".
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