Garanhuns, 24 de abril de 2004
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Faga participa de missão educacional Brasil-Itália

A Faculdade de Ciências da Administração de Garanhuns Faga, participou da Missão Educacional Itália 2004, com a finalidade de conhecer o sistema de educação daquele país, desde o ensino fundamental até os métodos utilizados nas universidades italianas, mediante seminários palestras e visitas.

A professora Eliane Simões Vilar, presidente da Autarquia de Ensino Superior de Garanhuns Aesga, entidade mantenedora da Faga, e o coordenador de eventos da Faga, professor Ademilto Correia, uniram-se a um grupo de professores/diretores de várias unidades educacionais brasileiras. Na viagem que percorreu as cidades de Roma, Florença, Bolonha e Veneza, o grupo teve como objetivo avaliar o estágio atual da educação italiana, procurando captar idéias inovadoras, passíveis de adaptação, e avanços metodológicos e técnicos que ajudem no aprimoramento e gestão de nossa educação.

Em Roma, o grupo participou de um seminário sobre o Sistema de Educação na Itália, com a ministra italiana da Educação, Dra. Donatella Angioni e o presidente da Associação Italiana de Instituições Particulares de Ensino, Dr. Luigi Sepiacci. Visitaram também a escola de idiomas Dilit, Instituto Massimo, o Instituto Seraphicum e a Universidade de Roma La Sapienza, havendo nesta apresentação sobre o Sistema Universitário da Itália e suas relações internacionais, tendo à frente a chefe do Departamento de Relações Internacionais, Dra. Antonella Cammisa.

Na visita ao Liceu Visconti (foto abaixo), o diretor da instituição, professor Bruno Vittorio, levou o grupo a conhecer uma turma de alunos com os quais foi possível conversar sobre educação e cultura do Brasil e da Itália. Em seguida foi a vez de conhecer o Instituto Europeu de Arte, Moda e Design.

Partindo para Florença, as visitas prosseguiram com o Colégio Dante, Escola Kindergarten e no Palácio Spinelli, onde funciona a Escola de Restauração. Depois, em Bolonha, conheceu-se o famoso sistema de pré-escola e educação infantil na Escola Infantil 25 de Abril, e visita ao Centro Remida de Reciclagem Criativa. Em Veneza, foram visitados a Escola Sichirolo e o Liceu Parini.

Diferenças culturais, sociais, educacionais, entre outras, podem ser notadas num intercâmbio como este, mas um dos pontos a destacar é a falta de informação por parte dos europeus quanto à realidade mundial. "Verificamos que há um desconhecimento da cultura do nosso país e do potencial que temos. Percebemos também que a visão do Brasil em todas as instituições visitadas é distorcida. Numa delas, um aluno do ensino fundamental nos perguntou se nós professores éramos muito pobres e ficou surpreso quando um colega paulista disse que somos iguais a ele.
Em outra, a diretora de uma escola de ensino médio nos mostrou uma planta e nos disse que deveríamos conhecê-la profundamente. Perguntada sobre o nome da planta, informou que se chama 'miséria'. Até no meio universitário, acredita-se no Brasil como um país onde as pessoas morrem habitualmente de fome. O programa Fome Zero é conhecido na Itália e tem reforçado ainda mais a idéia de descaso das autoridades frente ao sofrimento brasileiro", comentou a professora Eliane.

Para a presidente da Aesga, participar de intercâmbios como este é muito importante, pois é uma busca de novos conhecimentos nos âmbitos cultural e pedagógico, necessários no contexto educacional globalizado. Já tendo conhecido o modelo de ensino da França e de Portugal, ela agora pode ver de perto como a educação é aplicada na Itália e comparar com a realidade brasileira.

"Nas formações sociais onde existe uma intensa divisão de trabalho, no caso específico do continente europeu, o ensino formal é conservador, erudito e prioriza o controle social, visando com isto a manutenção do sistema como um todo. A adequação do sistema educacional à realidade usualmente baixa nos países subdesenvolvidos é uma variável importantíssima do crescimento econômico. Em maior grau percebemos essa adequação na França e na Itália, e em menor grau em Portugal", comenta a professora Eliane, e continua "evidentemente nossa observação não foi suficiente para subsidiar uma análise tão ampla, entretanto o que nos chamou atenção foi a consciência participativa dos alunos que, com isso, desde o ensino fundamental até o ensino universitário, exercem um relativo controle sobre a educação, proporcionando assim um ensino comprometido com os objetivos de troca com a comunidade".

Finalizando sua visão sobre a situação da educação do Brasil em relação ao que foi vivenciado nesta missão à Itália, a professora Eliane Vilar fala da importância da conscientização político-educacional. "Não estamos no Brasil aquém dos processos tecnológicos e do ensino especializado de qualidade. O que nos falta é compreender a importância política da educação, que se conscientizadora quanto à realidade social tem um papel decisivo nas mudanças. Se é alienante - como em muitas das nossas instituições seja pelas distorções ideológicas, seja pela ênfase muito específica e distante das questões sociais, torna-se mais um veículo de exclusão".

A viagem de Missão Educacional, que teve organização do International Exchange Services, e realização do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo, aconteceu no período de 26 de março a 3 de abril e foi auto-custeada pelos próprios professores.