Garanhuns, 10 de abril de 2004
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OPINIÃO
 

Os americanos no Iraque

Rafael Brasil


Cada vez mais os americanos se atolam no Iraque. Não existe solução á curto prazo. Um país primitivo, com as mais variadas divisões étnico/religiosas ou tribais, como os demais países do Oriente Médio, compõe , junto com os demais países árabes , ditaduras e despotismos dos mais diversos. Não existe nenhum arremedo de democracia nos países árabes, e, convenhamos na grande maioria dos países mulçumanos. De, fato teocracia é incompatível com democracia. Afinal, numa teocracia, quem for contra o governo termina sendo contra o próprio deus. E , evidentemente, uma das maiores conquistas do ocidente, mais precisamente um dos mais importantes legados da revolução francesa, foi justamente a separação da igreja do estado. Por isso, uma das maiores perdedoras do processo desencadeado pela revolução francesa, foi justamente a igreja católica. Ainda hoje a igreja católica é anticapitalista. Anticapitalista, não num sentido moderno, revolucionário, digamos assim. Mas um anticapitalismo conservador, mesmo quando inserido com colorações esquerdizantes oriundas da teologia da libertação, bem, mas isso é outra história , que trataremos depois. Mas, é um fato, de que teocracia não combina com democracia. A igreja católica não é contra a camisinha? E os absurdos das igrejas protestantes, as chamadas evangélicas, onde até prometem curar a AIDS ou mesmo afastar os demônios das pessoas? Imaginem esta gente no poder? Mas voltando ao Iraque, se eu fosse iraqueano torceria para os americanos ficarem um bom tempo no país. Afinal se por lá tivesse eleições, os fundamentalistas ganhariam com folga, abrindo caminho para a ditadura teocrática.

Os fundamentalistas, os xiitas que são por lá maioria, sonham, seguir o exemplo do Irã, fundando uma república teocrática islâmica. E o povo radicaliza nas ruas, em manifestações nunca dantes permitida por Saddam, além da reação armada dos grupos fundamentalistas. Logo logo, os americanos estarão doidos para deixar este país horrível. Enquanto escrevo, eles já admitem uma maior participação da ONU no processo de reconstrução política do Iraque. Muitos, evidentemente, lutam por uma maior participação econômica, como o Brasil, mas os que foram contra, pelo menos agora ficarão de fora do butim. Por falar no Brasil, Lula está fazendo muito barulho, mas só quem ouve é a mídia brasileira, aliás, cada vez mais subserviente ao governo. Ou seja, muito barulho por nada. No parlamento árabe, Lula disse que os mesmos deveriam negociar mais com o Brasil. Árabe, que não é besta, prefere negociar com ricos, não com pobres. É como diz bem o ditado popular: "trabalhar para pobre é pedir esmola para dois". Os carinhosamente chamados pelos brasileiros de "brimos" ouviram direitinho, mas evidentemente, negócio que é bom, nada. É, mais uma mancada brasileira. Visitou nulidades, como a Síria e a Líbia, e não visitou a Arábia Saudita, o Lula, que até ficaria bem vestido de árabe, com áquela barba de revolucionário de botequim. Ainda bem, pois se ele quisesse ser um revolucionário de verdade, seguindo os modelos heterodoxos petistas, aí é que estaríamos lascados. Viva o Lula conservador, amigo do capitalismo, da globo e do FM I !

Já os americanos, estão num sinuca de bico. A direita americana, com seu presidente fundamentalista, não tem certeza que vai ganhar as eleições, que , como as guerras e as revoluções são bastante incertas. Mas se os democratas vencerem, talvez as coisas nem mudem tanto. E, daqui para lá, Lula ainda vai acreditar que o Brasil tem realmente alguma influência no mundo. É. Tem gente que ainda acredita em papai Noel, e em comadre fulôzinha. Eu mesmo prefiro a segunda. E vocês?