Garanhuns, 10 de abril de 2004
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OPINIÃO
 

Sobre a política e a Tolerância

Fernão Passos


É lamentável que atravessando o limiar do século XXI e do 3º milênio, constatemos que o ser humano ainda tem muito a aprender sobre a tolerância.

Foi com pesar que lemos no Correio Sete Colinas, edição nº 112, de 27 de janeiro de 2004, que os membros do atual Governo da cidade de Capoeiras, referindo-se ao empresário Luiz Claudino Souza, conhecido por "Dudu", e pré-candidato à prefeitura, afirmaram que "os negros não podem tomar conta da cidade".

Não obstante considerado cordial, a verdade é que o brasileiro ainda é muito preconceituoso, característica que se manifesta não ostensivamente, a exemplo do que ocorre nos Estados Unidos e outros países, mas veladamente, manifestando-se através das condições que impomos aos nossos irmãos negros, sempre obrigados a se submeter as piores colocações no mercado de trabalho e, por via de consequência, vítimas dos grandes males que afligem na sociedade.

Eis que, mal passada a primeira, e não muito agradável, impressão, um ex-prefeito de São Bento do Una, referindo-se às possíveis candidaturas do Pe. Aldo Mariano, vigário Geral da Diocese de Garanhuns, e de Paulo Afonso, considerou que são uma "afronta" ao município e que deseja que "surja um homem", natural de São Bento", para enfrentar as candidaturas, segundo a coluna "Correio Político", assinada por Roberto nAlmeida e publicada no Correio Sete Colinas, edição nº 113, de 07 de fevereiro de 2004.

O sempre lembrado Lexicógrafo Aurélio Buarque de Holanda Ferreira ensina que preconceito significa "suspeita, intolerância, ódio irracional ou aversào a outras raças, credos, religiões, etc."
O que se tem diante dos olhos não é apenas o preconceito contra os cidadãos antes citados, mas principalmente, a absoluta ausência de tolerância nas relações pessoais, que o próprio Aurélio conceitua como "tendência a admitir modos de pensar, de agir e de sentir que diferem dos de um indivíduo ou de grupo determinados, políticos ou religiosos".

Lamentavelmente, a política brasileira ainda é dominada por mentes medievais, que não medem esforços a fim de impedir as transformações sociais, quando possam ameaçar seus interesses.

São homens assim que desejamos a ocupar a administração de nossos municípios?