Garanhuns, 10 de abril de 2004
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COLUNAS
 

HUMOR

Raulzito


Eu também sou charlatão

Embora não seja dono de farmácia, nem político, confesso que também sou charlatão. É que mesmo sem ser formado em jornalismo, sem ter cursado nem o segundo grau, toda quinzena escrevo esta coluna para o Correio Sete Colinas, que alguns invejosos chamam de Correio das Sete Mentiras.

Mas sou um charlata respeitado, tanto que a minha coluna é a mais lida do jornal, segundo recente pesquisa feita pelo Instituto Ibofe Plural. Ganho da Kitty, do Janduy, do Ulisses, do Givaldo Calado e até do time da AGA, embora ganhar desses últimos não seja lá grande coisa.

Viviane, a minha namorada secreta do bairro de São José, adora minhas charlatanices e por isso aplaudiu de pé a escolha do quase-médico Luís Carlos como candidato a prefeito de Garanhuns.

Ela disse que não se importa por ele ser feio e não sorrir, como o próprio anunciou no lauto (viram que palavra bonita?) café da manhã lá no restaurante xeleleu (por sinal era o que mais tinha no dia da anunciação). Vivi não quer sabe nem quem pagou a conta.

- Ora, se fosse concurso de beleza a gente votava em Alexandre ou Jorginho e pronto, a parada tava resolvida - disse Viviane, com os olhos brilhando e me deixando pra lá de enciumado.

- Fica com ciúme não, meu nego - procurou me acalmar.

Depois confessou que seu Luís nem é tão feio assim. E arrematou:

- Ora, se fiúra impedisse político de se eleger Sirvino não tinha recebido dois mandatos do povo e nem dona Orora o queria tanto.

A peste tava com o cão no coro e ainda lembrou do velho Arraia e do Jarbas.

- Arraia, que nem espelho aguenta, foi governador três vezes e agora, com quase 190 anos ainda tá pigarreando lá em Brasília. Quanto a Jarbas, além de governador, só namora menina de vinte e poucos anos, e ainda tem que sê miss... Sem falar no Lula, rouco que só um bode e com um dedo a menos...

Qualquer dia eu deixo de escrever essa coluna e entrego o cargo de vez a Viviane. Afinal de contas ela está cada vez mais inspirada, com frases de efeito altamente filosóficas. O público leitor nem iria estranhar. Sairia um charlatão masculino e entraria um charlata feminino.

Tudo muito brasileiro. Viva o país do jeitinho.