|
HUMOR
Raulzito
Eu também sou charlatão
Embora não seja dono de farmácia, nem político,
confesso que também sou charlatão. É que mesmo
sem ser formado em jornalismo, sem ter cursado nem o segundo grau,
toda quinzena escrevo esta coluna para o Correio Sete Colinas, que
alguns invejosos chamam de Correio das Sete Mentiras.
Mas sou um charlata respeitado, tanto que a minha coluna é
a mais lida do jornal, segundo recente pesquisa feita pelo Instituto
Ibofe Plural. Ganho da Kitty, do Janduy, do Ulisses, do Givaldo
Calado e até do time da AGA, embora ganhar desses últimos
não seja lá grande coisa.
Viviane, a minha namorada secreta do bairro de São José,
adora minhas charlatanices e por isso aplaudiu de pé a escolha
do quase-médico Luís Carlos como candidato a prefeito
de Garanhuns.
Ela disse que não se importa por ele ser feio e não
sorrir, como o próprio anunciou no lauto (viram que palavra
bonita?) café da manhã lá no restaurante xeleleu
(por sinal era o que mais tinha no dia da anunciação).
Vivi não quer sabe nem quem pagou a conta.
- Ora, se fosse concurso de beleza a gente votava em Alexandre
ou Jorginho e pronto, a parada tava resolvida - disse Viviane, com
os olhos brilhando e me deixando pra lá de enciumado.
- Fica com ciúme não, meu nego - procurou me acalmar.
Depois confessou que seu Luís nem é tão feio
assim. E arrematou:
- Ora, se fiúra impedisse político de se eleger Sirvino
não tinha recebido dois mandatos do povo e nem dona Orora
o queria tanto.
A peste tava com o cão no coro e ainda lembrou do velho
Arraia e do Jarbas.
- Arraia, que nem espelho aguenta, foi governador três vezes
e agora, com quase 190 anos ainda tá pigarreando lá
em Brasília. Quanto a Jarbas, além de governador,
só namora menina de vinte e poucos anos, e ainda tem que
sê miss... Sem falar no Lula, rouco que só um bode
e com um dedo a menos...
Qualquer dia eu deixo de escrever essa coluna e entrego o cargo
de vez a Viviane. Afinal de contas ela está cada vez mais
inspirada, com frases de efeito altamente filosóficas. O
público leitor nem iria estranhar. Sairia um charlatão
masculino e entraria um charlata feminino.
Tudo muito brasileiro. Viva o país do jeitinho.
|