Garanhuns, 27 de março de 2004
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OPINIÃO
 

Também quero o meu

Rafael Brasil


Hoje li nos jornais que a turma do PT já nem fala mais em abrir mão do antes tão criticado jeton. Para quem não sabe, o jeton são áqueles caraminguás que os deputados recebem a mais nas seções extraordinárias, não só no congresso nacional, mas também nas assembléias estaduais e nas câmaras de vereadores deste imenso e vilipendiado país. Também quero o meu. Mas, como sabemos professor é como o íbis, não ganha nada de ninguém. Para a maioria dos políticos, só serve para fazer demagogia em época de eleições, quando naturalmente, e com a maior cara de pau, prometem mundos e fundos.

Antes, quando era de oposição, os deputados petistas torciam o nariz para tal regalia, e alardeavam, quando devolviam os dinheiros aos cofres públicos. Hoje, no poder, estes mesmos deputados, com a maior cara de pau não querem nem mais ouvir falar do assunto. Só falam nos intramuros, como melhor azeitar a máquina para ganhar as eleições municipais, tal qual o velho pefelê. Que, por essas e outras deve estar sorrindo á toa, com todas essas coisas. Talvez a turma do PT esteja correndo o risco de cair na mesma armadilha, de Collor e Fernando Hernrique, que planejavam ficar no poder, pelo menos uns vinte anos. Como sabemos, Fernando Henrique foi mais feliz nesta empreitada, ficando oito anos. Já o PT, quem sabe, como a velha ARENA, dos tempos da ditadura militar, torne-se o maior partido do ocidente, como na época da ditadura, referiu-se Francelino Pereira, então nomeado governador biônico, de Minas Gerais. Mas, afinal, as vaidades são muitas, sobretudo para quem está no poder. Que é muito fugaz, como sabemos. Como certa vez disse o velho ladrão PC Farias, da quadrilha de Collor, que o poder é a pior droga que existe. Eles queriam comprar uma televisão para concorrer com a globo, e uma companhia aérea para competir com a VARIG. Além de claro querer ficar só uns vinte anos no poder. É mole ? Claro, ele só disse isso depois de defenestrado do poder, e pouco antes de morrer, naquela morte sombria e por demais suspeita, ainda hoje não esclarecida.

Mas o poder é o poder. Genoíno disse que adora o poder, como ele se sente bem. Afinal, quem não gosta de mordomias, e de ser paparicado todas as horas? Mas como sabemos tudo passa. Como a vida, o poder é muito fugaz, mas, evidentemente, quem está lá não pensa assim. Por essas e outras que tem muito pefelista chorando pelos cantos a perda dos cargos, dos tão queridinhos cargos. Mas pelo menos estão se vingando, pois seus oponentes estão se tornando absurdamente iguais. Para alegria de uns, e tristeza da patuléia. Que como eu, e talvez você, caro leitor, que não tem jetons, para comemorar mais alegremente a vida com os amigos, que, como sabemos, para quem tem dinheiro e poder, abundam por todos os cantos possíveis e imagináveis.