Garanhuns, 27 de março de 2004
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OPINIÃO
 

Crise afeta a combalida economia

Marcílio Viana Luna


Garanhuns e todo o Agreste Meridional, mais uma vez, são atingidos por uma séria crise econômica, se já não bastasse a debacle política, administrativa e social, que sacrifica há alguns anos a região. Além do fraco desempenho da agricultura e da pecuária de corte, da total falta de programas sociais, do completo caos administrativo com rodovias sem conservação e quase intransitáveis, eis que surge agora o problema da Parmalat, afetando diretamente a maior bacia leiteira do Estado.

A Parmalat além de absorver, praticamente, a totalidade do leite produzido na região, é uma das duas únicas grandes indústrias de Garanhuns. A outra grande potência industrial é a antiga Refinações de Milho do Brasil, atualmente se não me engano chamada de Uni-Lever. Com a própria empresa italiana enfrentando uma terrível crise, fica difícil a sobrevivência econômica da região. As demais indústrias, com todo respeito, são fabriquetas com muito pouca importância na economia garanhuense. A economia de Garanhuns vive praticamente do seu razoável comércio, muito utilizado pelos 26 municípios do Agreste Meridional, na sua boa área de serviços, como os bancos, escritórios de contabilidade, consultórios e clínicas médicas e odontológicas, escritórios de advogacia, etc.

Dos governos, Garanhuns não recebe nada. O Federal nos nega pão e água. As rodovias estão se acabando, ficando quase intransitáveis. A BR-423, ligando Garanhuns a São Caetano, há longos 40 anos foi asfaltada e nunca mais sequer foi recapeada e encontra-se em estado deplorável. As demais, como a BR 424 por exemplo, estão uma desgraça. Para os próximos três anos as expectativas são as piores possíveis: nada deverá ser feito em termos de conservação e manutenção. O sonho de novas rodovias fica cada vez mais difícil e nem sequer um projeto existe. É uma pena como o Governo Federal, principalmente agora, relega as coisas do Nordeste e, de Garanhuns nem se fala. Também a falta de representação política a nível federal é um duro golpe para Garanhuns.

A posição geográfica da Suíça Pernambucana, a sua situação como pólo econômico dos 26 municípios que integram o Agreste Meridional e a mão-de-obra sobrando, além dos imensos terrenos disponíveis para implantação de novas indústrias, são fatores que deveriam ser utilizados para uma forte campanha a nível nacional. Políticos, empresários e lideranças outras, preferem o silêncio, nada reivindicando em favor da economia de Garanhuns. Leiam pelo menos o livro do Padre Lebret e vejam que não é impossível implantar novas indústrias na Cidade das Flores. Basta decisão política, apoio empresarial e desejo das lideranças. O resto sempre existiu: ajuda de um povo bom, trabalhador, culto e hospitaleiro.

A crise na Parmalat está sendo muito crucial para Garanhuns. E pode ainda ser pior. Os garanhuenses como um todo, principalmente os produtores de leite, trabalhadores e pessoas envolvidas direta e indiretamente com a principal indústria da região, estão cada vez mais preocupados e não é justo que mais uma vez sejamos penalizados por erros de quem quer seja. A economia garanhuense precisa desenvolver realmente e nunca ser desfalcada de suas poucas indústrias, sejam pequenas ou grandes.