Garanhuns, 13 de março de 2004
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OPINIÃO
 

Inutilidades nacionais

Rafael Brasil


Dentre as inúmeras iniqüidades nacionais, sem dúvida alguma uma das mais significativas é a existência de vereadores. Antes, os vereadores não recebiam um tostãozinho sequer. Me lembro bem dos vereadores daqui de Caetés, como o meu amigo Abílio Guarda, que foi eleito com doze votos, e não recebia nadinha. Como muitos daquele tempo, continuaram pobres, coisa impensável nos dias de hoje. Afinal, quase todo mundo quer ser vereador. Basta achar que tem alguma liderança que logo quer postular essa boquinha, aliás, muito boa mesmo. No Brasil, tem mais vereador do que operário da indústria automobilística. Concordo com o renomado jurista pernambucano José Paulo Cavalcanti Filho de que vereador não serve para nada mesmo. A não ser para privilegiar a já ampla vagabundagem nacional, e, claro, onerar os já combalidos cofres públicos. Teremos eleições, e os candidatos a vereador visitarão nossas casas em busca do salvador votinho.

Também, dentre outras iniqüidades nacionais, está a de deputado estadual. Quantos consomem as inúmeras assembléias estaduais neste imenso país, de tantos descalabros, e injustiças sociais, Se não acabar, pelo menos diminuir o número de deputados estaduais, ou mesmo até reduzir o mandato dos mesmos, para dois anos, ou pelo menos para um, desestimulando a corrupção eleitoral, pois, afinal quem ia gastar fortunas para se eleger, para passar um , ou mesmo dois anos no cargo um tanto quanto obscuro de deputado. Em poucas palavras, para que serve mesmo um deputado estadual? Para politicar , e pedir favores aos governos de plantão. Claro, muitos me darão por louco, principalmente àqueles que vivem e dependem da velha e venal política. Afinal, quem já comeu, não quer mais largar o osso, claro. Mas, a tão propalada reforma política é tão difícil, pois temos que fazer, ao longo dos próximos anos, ou melhor, nas próximas décadas, uma verdadeira revolução política, com um novo pacto federativo, pois que senão, viveremos eternamente no mesmo barco da miséria social e empobrecimento cultural , dois fatores resultantes do subdesenvolvimento econômico. Chorando eternamente a nossa miséria, e quem sabe, certamente botando a culpa no imperialismo de plantão, sejam os Estados Unidos , a Rússia, ou mesmo a China. Afinal, todas essas horrorosas distorções fazem parte do que os economistas chamam de custo Brasil. Corrupção, nepotismo, má gerencia dos dinheiros públicos. Que, claro, ainda fazem a festa de milhares de entes privados. Uma pena.

Não esqueçamos nunca, que, a nossa miséria, sustenta milhares de espertalhões, e são bilhões surrupiados a cada ano. E tome aumento de imposto para tapar os buracos. Claro, tem que ter uma ampla reforma no judiciário pois como até um macaco ensinado sabe, raramente um rico, e sobretudo um político vai para a cadeia, ou pelo menos perde a maior parte dos bens que surrupiou. Pesquisas recentes, demonstram que, mais de noventa por cento das prefeituras de Pindorama tem suas contas fajutas. Que fazer.

Estas questões mais dia menos dia terão que ser resolvidas, para o bem de todos. Senão, ficaremos eternamente em berço esplendido, como nos ensina o nosso hino nacional, que tem uma música até bonita, mas a letra...E assim, continuaremos nossa trajetória de iniqüidades, propulsoras da mais abjeta miséria não só econômica, mas social, cultural e, claro, política.