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Inutilidades nacionais
Rafael Brasil
Dentre as inúmeras iniqüidades nacionais, sem dúvida
alguma uma das mais significativas é a existência de
vereadores. Antes, os vereadores não recebiam um tostãozinho
sequer. Me lembro bem dos vereadores daqui de Caetés, como
o meu amigo Abílio Guarda, que foi eleito com doze votos,
e não recebia nadinha. Como muitos daquele tempo, continuaram
pobres, coisa impensável nos dias de hoje. Afinal, quase
todo mundo quer ser vereador. Basta achar que tem alguma liderança
que logo quer postular essa boquinha, aliás, muito boa mesmo.
No Brasil, tem mais vereador do que operário da indústria
automobilística. Concordo com o renomado jurista pernambucano
José Paulo Cavalcanti Filho de que vereador não serve
para nada mesmo. A não ser para privilegiar a já ampla
vagabundagem nacional, e, claro, onerar os já combalidos
cofres públicos. Teremos eleições, e os candidatos
a vereador visitarão nossas casas em busca do salvador votinho.
Também, dentre outras iniqüidades nacionais, está
a de deputado estadual. Quantos consomem as inúmeras assembléias
estaduais neste imenso país, de tantos descalabros, e injustiças
sociais, Se não acabar, pelo menos diminuir o número
de deputados estaduais, ou mesmo até reduzir o mandato dos
mesmos, para dois anos, ou pelo menos para um, desestimulando a
corrupção eleitoral, pois, afinal quem ia gastar fortunas
para se eleger, para passar um , ou mesmo dois anos no cargo um
tanto quanto obscuro de deputado. Em poucas palavras, para que serve
mesmo um deputado estadual? Para politicar , e pedir favores aos
governos de plantão. Claro, muitos me darão por louco,
principalmente àqueles que vivem e dependem da velha e venal
política. Afinal, quem já comeu, não quer mais
largar o osso, claro. Mas, a tão propalada reforma política
é tão difícil, pois temos que fazer, ao longo
dos próximos anos, ou melhor, nas próximas décadas,
uma verdadeira revolução política, com um novo
pacto federativo, pois que senão, viveremos eternamente no
mesmo barco da miséria social e empobrecimento cultural ,
dois fatores resultantes do subdesenvolvimento econômico.
Chorando eternamente a nossa miséria, e quem sabe, certamente
botando a culpa no imperialismo de plantão, sejam os Estados
Unidos , a Rússia, ou mesmo a China. Afinal, todas essas
horrorosas distorções fazem parte do que os economistas
chamam de custo Brasil. Corrupção, nepotismo, má
gerencia dos dinheiros públicos. Que, claro, ainda fazem
a festa de milhares de entes privados. Uma pena.
Não esqueçamos nunca, que, a nossa miséria,
sustenta milhares de espertalhões, e são bilhões
surrupiados a cada ano. E tome aumento de imposto para tapar os
buracos. Claro, tem que ter uma ampla reforma no judiciário
pois como até um macaco ensinado sabe, raramente um rico,
e sobretudo um político vai para a cadeia, ou pelo menos
perde a maior parte dos bens que surrupiou. Pesquisas recentes,
demonstram que, mais de noventa por cento das prefeituras de Pindorama
tem suas contas fajutas. Que fazer.
Estas questões mais dia menos dia terão que ser resolvidas,
para o bem de todos. Senão, ficaremos eternamente em berço
esplendido, como nos ensina o nosso hino nacional, que tem uma música
até bonita, mas a letra...E assim, continuaremos nossa trajetória
de iniqüidades, propulsoras da mais abjeta miséria não
só econômica, mas social, cultural e, claro, política.
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