Garanhuns, 13 de março de 2004
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COLUNAS
 

CORREIO CULTURAL

Carlos Janduy


Intelectuais mostram a importância do Prof. Maurilo Matos

Faleceu no último dia 3, em Recife, acometido de enfarto, o Prof. Maurilo Campos Matos. Seu sepultamento foi no Cemitério da Várzea, na capital pernambucana.

Poeta, compositor, artista plástico, crítico literário, odontólogo, ele era respeitado em todas as áreas que atuava.
Eu tive a grata satisfação de conviver com o Prof. Maurilo Matos, por quem eu sempre tive uma grande admiração, nas reuniões do Grêmio Cultural Ruber van der Linden e na Faculdade, como seu aluno.

À Sra. Maria Helena, sua esposa, Maurilinho, Cristina e os demais filhos e parentes nossas condolências.

No intuito de prestar-lhe uma homenagem, aproveitamos o espaço desta coluna para registrar depoimentos de algumas das inúmeras pessoas que tiveram a oportunidade de conhecê-lo e desfrutar de sua amizade.


Por um Poeta que se consuma - Depoimento

O poeta Maurilo Matos expirou, em Recife, quando era a tarde da quarta feira, dia 3. É pranteado pela família e pelos amigos. Não era, com efeito, muito tarde assim. Ia fazer 77 anos de idade. Mas, para consolo, outro poeta já disse que "O poeta nunca morre". E quando se dá sua morte, é no esquecimento. Maurilo Matos, que deixou a sua poesia granítica em muro do Espaço Cultural Luís Jardim, não será esquecido aqui, certamente. Pela poesia e pela amizade, esse homem de saber terá sempre o seu nome entre os imortais da terra. Poeta compositor e artista plástico, ele deixou obras que só honraram os artistas de Garanhuns. Se publicadas como se espera, poderá vir a ser conhecido o poeta em todo País. A estátua do menino, na praça João Pessoa, foi restaurada por ele.

Era da Academia de Letras de Garanhuns. Foi seu presidente, bem como do Grêmio Cultural Ruber van der Linden. Maurilo Matos, nascido em 1927, pôde acompanhar a antiga e a nova gerações de intelectuais desta cidade. E demonstrava esforços pela efetivação dos novos. Identificava-se com todos, arrancando admiração e respeito. Entre tantas coisas boas que fez, deixou trabalho eloqüente sobre o Patrono da Cadeira 10, Ruber van der Linden, na Academia de Letras de Garanhuns. A sua participação, com poesias, nos jornais O Monitor e Jornal de Garanhuns (por último, em O Século), se deram nas décadas de 50, 60 e 70.

À Academia de Letras de Garanhuns cabe guardar a memória, tornando esse grande poeta mais conhecido. À Garanhuns, a lembrança, as homenagens de reconhecimento, para que não venha o poeta Maurilo Campos Matos realmente morrer.

João Marques dos Santos
Presidente da Academia de Letras de Garanhuns

 

Prof. Maurilo Matos: um ícone da educação

Com certeza, Garanhuns ficou muito triste na quarta-feira (03/03/2004). Recebíamos a notícia do falecimento do Prof. Maurilo Matos.

Falar do prof. Maurilo é lembrar do homem dedicado às artes, do professor capaz e atencioso, lembrar do músico excepcional e do amigo para todas as horas.

No Diocesano fez história, ensinou a várias gerações, fazendo o mesmo com sapiência em outros Colégios, como Santa Sofia, XV de Novembro e Estadual. Por sinal, sua capacidade musical o inspirou para, com rara beleza, compor os Hinos do Colégio Monsenhor Adelmar, Colégio Estadual e Escola Elisa Coelho.
Falar do Prof. Maurilo é lembrar da Academia de Letras de Garanhuns, da qual foi Presidente, das artes plásticas, da arquitetura, da odontologia, do evangelizador, através do MCC; enfim, do homem que sabia usar toda a habilidade que Deus lhe deu em favor do próximo.
Ficam a saudade e a certeza de que Garanhuns perdeu um de seus grandes nomes. O Colégio Diocesano, nesse momento de saudade, une-se à família e aos amigos do Prof. Maurilio Matos, em oração, pelo bem que ele fez a Garanhuns e à causa da educação.

Prof. Albérico L. Fernandes Vilela
Diretor do Colégio Diocesano de Garanhuns


Dr. Maurilo Matos, Grande Professor e Grande Amigo

Partiu para os braços do Pai o nobre Professor, artista, músico, escultor, literato, odontólogo, Dr. Maurilo Matos, deixando para todos que com ele conviveram, um patrimônio cultural, um testemunho de vida íntegra, cristã, repleta de sabedoria, que eterniza sua presença nesta cidade e especialmente, no Colégio Monsenhor Adelmar, antigo Ginásio do Arraial, que foi por ele contemplado com muito carinho, amor e dedicação.

Prof. Maurilo, além de ser um Mestre amigo do CMA, há muitos anos, eternizou-se na vida deste Colégio, derramando um pouco de sua alma, criando a letra e a música do seu Hino.

Dando vitalidade à poesia com uma melodia que eleva a juventude para valores reais, a construir uma vida de cristianismo e patriotismo, que os entusiasmam para vencer os percalços do caminho de sua existência.

E assim passaram gerações, sendo orvalhadas pelos acordes musicais, unidos num único ideal, formando uma grande família que luta pela construção de um mundo fraterno e justo.

Este Hino, já cantado por três gerações, continuará elevando sentimentos nobres e cristãos a todos os que ainda virão.

Querido Prof. Maurilo, você ficou imortalizado em nosso Colégio; sua presença ficará viva entre nós que o amamos e agradecemos pelo Patrimônio que você deixou para todos que fazem o Colégio Monsenhor Adelmar da Mota Valença, seu Ginásio do Arraial de outrora.

Ir. Cândida Araújo Corrêa
(Colégio Monsenhor Adelmar)


Maurilo Matos: o Homem, o Professor, o Amigo.

Para falar de Maurilo, que tão bem conheci, tomo palavras da "Canção da América", de Milton Nascimento e Fernando Brant: "...mas quem ficou, no pensamento voou com seu canto que o outro lembrou, e quem voou, no pensamento ficou uma lembrança que o outro cantou. Amigo é coisa pra se guardar no lado esquerdo do peito..."

Do homem, um mensageiro de um plano chamado "Plano de Deus...", inserido no meio ambiente como modificador das estruturas.

Do professor, o saber que nada mais queria a não ser que o outro fosse melhor. Transparente, leal e justo, nos argumentos e interpelações. Na Faculdade de Formação de Professores de Garanhuns - FFPG, o exemplo, com seu companheirismo, metódico na fala, crítico construtivo, deslumbrador de melhorias. Foi exemplo, foi profissional, foi amigo.

Do amigo, homem relacionado com outro sem nunca ter de minha parte ouvido falar que prejulgasse alguém. Sincero, conselheiro e leal.

Assim foi o homem, o profissional, o amigo, alma repleta que nunca passa, Maurilo Matos.

O Amigo Prof. Souza


Maurilo Matos: Grande Mestre

As grandes obras deixam lembranças que gostamos de rememorar sempre. O Prof. Maurilo Matos foi um dos que muito fizeram por Garanhuns. As suas poesias marcam o seu amor por esta terra. Como professor, demonstrou competência de grande Mestre. Entre os vários Hinos que compôs, está o da Escola Profª Elisa Coelho, obra que proporciona mais uma razão para sermos solidários com os seus familiares, neste momento de passagem para a eternidade.

Prof. Luiz Ferreira
Diretor da Escola Profª Elisa Coelho



"Apaga a luz e faz de conta que estamos bêbados"

O espetáculo Apaga a luz e faz de conta que estamos bêbados, de Ronald Radde, montado pela Cênicas Companhia de Repertório, foi apresentado nos dias 11 e 12 deste mês, no Teatro Luís Souto Dourado (Centro Cultural Alfredo Leite Cavalcanti). A atriz Lílian Ferreira fala sobre a peça e a Companhia:

"Em seu terceiro espetáculo, a Cênicas Companhia de Repertório trás para os palcos, o resultado da pesquisa baseada no teatro do opressor, que para outros estudiosos, é teatro psicológico. O autor é Ronald Radde, que assim como em Transe, montagem anterior, aborda em seus textos uma narrativa densa e povoada por personagens que são conseqüências diretas do próprio sistema.

Nesse espetáculo, há uma predominância de linguagens contemporâneas, com marcações dinâmicas de cena, anulando o naturalismo teatral, dando espaço à naturalidade das personagens no seu cotidiano, cujos sentimentos de inutilidade, problemas e aflições também estão em todas as pessoas que passam pelas ruas e têm suas vidas esmagadas pela rotina.

A Cênicas Companhia de Repertório, nasceu da iniciativa de garanhuenses em montar um grupo de teatro na cidade. Seu maior objetivo é utilizar novos conteúdos e experimentos do fazer teatral, buscando a nudez psicossomática de sintomas atuais, como por exemplo: stress. O conhecimento adquirido pelo grupo é constantemente feito através de cursos, oficinas, e trabalhos do próprio grupo. Com o passar do tempo, outros conterrâneos e contemporâneos de outras cidades do estado passaram a fazer parte desta companhia e hoje formam seu atual corpo de 13 componentes.

Apaga a luz... é um turbilhão de fatores em que se desenvolve a trama criada por Radde, para criticar e emocionar o ser humano. A peça gira em torno de um homem e uma mulher, suas frustrações, suas mentiras, seus medos e uma noite qualquer, numa catarse de humanismo, buscando entre si a comunicabilidade, o amor e o rompimento com a hipocrisia social. Ela, interpretada por mim (Lílian Ferreira), a fuga da realidade, a falsa realização pessoal, os traumas recentes, a cultura estabelecida de uma sociedade que oprime e deixa oprimir todos os dias. Ele, interpretado pelo ator e diretor Antônio Rodrigues, a autenticidade, o grito preso na garganta a ponto de explodir, a necessidade de se fazer escutar e de ser ele mesmo. Eles: a solidão.

Foi com grande prazer que a Companhia, montada em Garanhuns, reapresentou Apaga a luz e faz de conta que estamos bêbados. A peça participou da X Mostra de Artes Cênicas e em seguida fez apresentações em Petrolina e temporada em Recife, em dezembro do ano passado, no Teatro Joaquim Cardozo. Ainda neste semestre estaremos em Arcoverde, Caruaru, como também participando, como segundo grupo a representar a região Nordeste, da mostra FRINGE (Festival Nacional de Teatro em Curitiba-PR), no início de abril de 2004."

Mais informações, ligar para 9917-2295 ou através do e-mail encenalilian@hotmail.com.


Coral do Arraial

O Coral do Arraial estará completando no próximo dia 22, 34 anos de existência. Amanhã, às 9 horas da manhã, na Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, será celebrada uma Missa em Ação de Graças por mais um aniversário do glorioso Coral. Pe. Luiz Gonzaga Rodrigues Duarte, fundador e regente do Coral do Arraial, que está atualmente na Congregação Redentorista de Campina Grande, já se encontra em Garanhuns, para comemorar, junto a todos componentes e a comunidade em geral, mais um ano de belíssimos louvores a Deus. Segundo informações de Oswaldo Rodrigues, durante a Celebração, o Coral prestará uma homenagem ao Prof. Maurilo Matos.


Água... Nosso Petróleo?
(Artigo do Prof. Luciano Fontes)

Dos recentes conflitos bélicos no mundo, todos já sabem qual é a causa principal: petróleo. Os senhores da guerra, os bucaneiros anglo-americanos, e seus lacaios esforçam-se para convencer aos menos informados e aos que rezam em sua cartilha intervencionista e opressora, criando inúmeros motivos, ressaltando sempre os de proteção à humanidade, contra o flagelo terrorista do mundo islâmico.

Tudo que causa dano, logicamente causa terror; até aí, tudo bem, ou pior, tudo mal. A maioria das pessoas sabe, mas esquece que terror não é só jogar bombas ou praticar atos suicidas, enrolando-se em explosivos, causando mortes de gente inocente. É abominável, infinitamente condenável e covarde. Porém, será que não está claro, que existe uma modalidade de terror, satanicamente disfarçada, que assola o mundo subdesenvolvido, com bombas de fome, de opressão, de juros altíssimos, causadores de miséria e desintegração social? Este tipo de terrorismo é difícil de ser percebido e combatido. Difícil de ser percebido, porque quem está na pior não regateia qualquer pseudo-ajuda, mesmo que depois lhe tirem até as cuecas; e difícil de ser combatido, porque o poderio bélico foi construído para esmagar qualquer reação possível, em qualquer parte do globo terrestre.

O petróleo atualmente é a bola da vez, uma vez que o deles está acabando. Urge reposição: vão buscar onde houver, custe o que custar.

Virá então outra bola da vez, e, não vai demorar muito sua estada no pano verde, em nosso verde, a água. Dessa vez, o teatro de operações, como dizem os estrategistas militares, será onde? Adivinhem, caros compatriotas.

Alerta, rapaziada! "Água, fonte de vida". Devemos preservá-la sob todos aspectos.