Garanhuns, 28 de fevereiro de 2004
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OPINIÃO
 

O Primeiro Ministro

Rafael Brasil


Ao sair do ministério da educação, quando foi demitido por telefone, Cristóvam Buarque naturalmente ficou brabo. Mais chateado que brabo, decerto. Segundo sua avaliação, sua demissão aconteceu por brigar com o Zé Dirceu, a quem chamou de primeiro-ministro. Como sabemos, nos regimes parlamentaristas, quem manda mesmo é o primeiro-ministro. O presidente é uma espécie de rainha da Inglaterra, que serve para representar o país em eventos no exterior, como chefe de estado. Claro, com esta afirmação, o ex-ministro, quis acertar no próprio presidente, o que, ademais, conseguiu. Fala-se, na república petista, que Lula nunca gostou de fato de Cristovam, que só o tinha convidado para o ministério por pressão de inúmeros setores do partido dos trabalhadores. As alegações oficiais são de que para fazer a reforma universitária seria bom alguém de fora dos campus, ou seja, que nunca tenha pertencido aos quadros da universidade. Bem, sempre se arranja uma desculpa para qualquer coisa. Tudo bem.

Mas, realmente, o ex-ministro Cristóvam não podia ter feito muita coisa no ministério, por absoluta falta de dinheiro. Reclamar ele reclamou muito, mas a realidade da política econômica sempre se tornaria no grande empecilho, nestes tempos de globalização, e vacas magras. De ruim ele tentou acabar com o provão, o qual aliás ninguém sabe como é que vai ficar. Mas , o que importa mesmo é saber como vai fazer seu substituto, o ex-prefeito de Porto Alegre Tarso Genro. Pelo menos este deve ser mais subserviente, fator que deve muito agradar o governo. Qualquer governo, diga-se de passagem. Mas, na educação, o governo não fez nada. Claro, em um ano não dá para fazer nada mesmo, mas pelo menos as diretrizes, vá lá. Mas, evidentemente, nem palavras o governo produziu, o que é uma lástima, sobretudo para um governo de esquerda, ou pretensamente de esquerda. Quero ver os teores da reforma universitária, o que vai render muitas brigas, tal qual o corporativismo das universidades federais. Creio que vai ter muita gente com saudades de Fernando Henrique. Veremos.

Mas claro, o que preocupa mesmo é que, um sujeito que não foi eleito para presidente, de fato mandar no país. Claro, cada presidente precisa ter uma boa equipe. Seu papel, cabe coordenar, e bem, esta equipe. Afinal ninguém sabe de tudo, óbvio ululante, como diria nosso saudoso Nélson Rodrigues. Mas a impressão que fica, é que o super Zé Dirceu manda mesmo, pois é como diria Agamenon Magalhães, é ele quem segura a caneta. A que contrata e demite, nessa grande e confusa máquina enferrujada do governo federal . E Dirceu gosta da caneta e do poder. E, como os antigos mandatários soviéticos não tem pena em defenestrar seus desafetos. Lula acha que vai mesmo mudar a ordem econômica internacional. Por isso vai continuar viajando, e, evidentemente, falando besteiras em escala internacional. Para isso pretende comprar um avião novo. Não sei como um presidente de um país cheio de diferenças sociais como o Brasil , que cobra de seus concidadãos, quase quarenta por cento de carga tributária, sem praticamente dar nada em troca, pode querer ensinar alguma coisa a alguém. Sobretudo no que se refere às artes de governar. E, também, temos tantos ministérios, que foram criados pelo atual governo, para empregar os amigos, que até parece o governo Sarney, de triste memória...Vade retro, satanás...