Garanhuns, 28 de fevereiro de 2004
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COLUNAS
 

HUMOR

Raulzito


Ecos do Carnaval

Estive no Recife. Em Olinda. Passei por Bezerros, Vitória de Santo Antão, Carpina, Nazaré da Mata, Pesqueira, Arcoverde e estiquei até Triunfo, no Alto Sertão. Aterrisei ainda em Tamandaré, São José e Maragogi, esse último município já nas Alagoas. Sem dinheiro para comprar um avião, feito o meu presidente Lula, viajei de pevete, bicicleta, mototáxi, lombo de burro e carona em ônibus oficial de prefeitura.

Na capital pernambucana o frevo rolou sem parar. Fez a alegria de nativos, sulistas, ingleses e até holandeses, que dessa vez não vieram pensando em nos colonizar. Alguns dos turistas de fora até ensaiaram desajeitadamente uns passos de frevo, sob o olhar do operário-prefeito João Paulo, este meio desengoçado, além do mais ameçado pelo mercantilismo de Cadoca e pela infinita arrogância de seu Quinca.

Em Olinda vi Luciana, uma das última comunistas da face da terra, que só não conseguiu ainda acabar, na Cidade Patrimônio da Humanidade, com o Carnaval. Ela é bonitinha, os invejosos a chamam de sapatão, mas os entendidos garantem que a mercadoria dela é outra.

Tanto na velha Marim quanto em Bezerros vi um Papangu. Aí lembrei logo do Izaías Régua e pensei comigo: será esse aí que o deputado vai botar pra enfrentar o Sivardo. O mesmo pensamento mau me assaltou quando assisti um desfile de um boneco gigante, disfarçado de Osama Bin Laden: meu Deus, será esse o adversário de Givaldo Falante?

A orquestra atacou de frevos em Pesqueira e Arcoverde, pertinho daqui, que devem ter conseguidos uns trocados com o governador por conta das bajulações de Rosa Barros e Amupe ao Governo de Jarbas, o melhor do País, segundo o Datafolha.

(Meu Deus outra vez! Se esse aí é o melhor Governo do Brasil, imagine como será o pior).

Não citei lá em cima a progressista cidade de São João, mas deu tempo ainda fazer uma visita. Afinal de contas, lá se faz desde que começou a Era Sirvino (ou começou com Dom Quichute?), o melhor Carnaval de Garanhuns.

Em todas essas cidades vi alegria; homem vestido de mulher, machão aproveitando a festa pra botar de fora o seu lado feminino.

Muito cabaço voou por aí, nesse Carnaval. Com ou sem camisinha

E esquecemos por instantes as contas, a tal da telemá, compesa, celpe, a padaria, o maunanza, essas bostas todas.

Nas cidades de porte médio vi Carnaval em todas. Menos em Garanhuns. É que aqui um assessor do prefeito explicou, com antecedência: o dinheiro de gastar com festa será investido no conserto dos estragos das chuvas do início do ano.

Os buracos do Magano, da Brasília, do bairro São José, da Cohab I, do Mundaú, da subida do Pau Pombo e da Cohab II ainda estão do mesmo jeito, mas quem sabe o tal assessor não soube explicar direito e a verba vai ser gasta no próximo Carnaval...?

Bom, pelo menos aqui num tem Waldomiro nem José Dirceu. Sirvino não é besta feito Lula e secretário aqui só serve se for pau mandado. Até pra jogar na loteria tem de pedir permissão ao chefe.

E pode conferir: em Garanhuns morreu menos gente do que em Olinda, Recife, Vitória, Gravatá e São João. Daí a dedução que será feita pelos assessoria da prefeitura: Sirvino, ao acabar com o Carnaval, acabou com a violência.

Mas uma amiga minha que estava em Japaratinga (pra os ignorantes eu informo:é uma praia depois de Maragogi, na terra do governador macho que derrotou Collor), tomando umas kaiser da skin (a skol tinha acabado) estranhou o recado no celular: "aqui em Garanhuns tá um verdadeiro cemitério".

- Será que aconteceu uma outra hecatombe? - imaginou, preocupada.

Nada disso, é que aqui é assim mesmo. Carnaval aqui é em março, com a Garanheta, que rima com punheta, e em outubro, quando o papangu vai vencer a eleição.

Como diz a musiquinha da quarta-feira ingrata: "É de fazer chorar".