Garanhuns, 07 de fevereiro de 2004
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OPINIÃO
 

Medo do futuro

Jesus Campelo


Conversando com um ilustre amigo sobre o futuro que aguarda as pessoas idosas, pudemos observar a angústia que ele demonstrou em saber que brevemente irá se defrontar com aquela realidade. Enfrentar o abandono da sociedade, causar constrangimento e preocupações aos amigos e entes queridos, serão acontecimentos que lhe causarão grande tristeza. Suas colocações lhe levaram às lágrimas, chegando a ponto de insinuar que seria melhor abreviar o seu fim.

Esse problema relaciona-se estreitamente com as origens do medo, da velhice e da morte, porque leva o indivíduo através de sua imaginação, para bem perto de fronteiras de mundos desconhecidos, sobre os quais, talvez, tenha pouco conhecimento, ou que só tenha ouvido falar deles, através de histórias apavorantes.

Sabemos que a mente humana é poderosa e pujante! Tanto constrói como destrói. O ego cria ilusões e encobre verdades. É necessário ter-se conhecimentos, compreensão de si mesmo para então combatê-lo, destruí-lo e enxergar a verdade. Os pensamentos, às vezes, só criam ilusões!

Como poderá haver paz e tranqüilidade numa vida onde prevalecem a ilusão, o medo e a ansiedade? A solução é abandonar a origem desses problemas, usando seu saber instintivo para sentir novamente o amor, contemplar a beleza da natureza, desfrutar em toda sua plenitude do momento presente, pois sempre que olhamos em nossa volta o tempo estará passando, deixando de lado os contatos, os requintes e a beleza da vida, isso em qualquer fase da existência.

O passado já não mais existe! Devemos aprender com ele, através das experiências e conhecimentos obtidos e deixá-lo para traz. O futuro ainda não chegou. Devemos fazer planos para que dentro das possibilidades atuais sejam conseguidas melhorias de vida, e não perder tempo em preocupar-se com ele, ou com as coisas que talvez nunca aconteçam.

Devemos perguntar ao nosso ego: O que pode acontecer de pior, se a velhice e a morte se constituem numa realidade humana inevitável? Quantas vezes esse fenômeno já aconteceu em nossas vidas passadas? As centenas de livros de renomados médicos psiquiatras, em todo mundo, nos ajudam a compreender melhor este maravilhoso assunto.

Quando o indivíduo em determinada situação só pensa nos acontecimentos futuros, traz para si grande dor e sofrimento.

O tempo, também é uma ilusão. O futuro é apenas um sistema de possibilidade. Porque se preocupar tanto com ele?

Devemos procurar, a todo instante, momentos que tragam felicidade, e repetir os versos do poeta Gonzaguinha, deixado em sua inesquecível melodia: "Viver e não ter vergonha de ser feliz; Cantar a beleza de ser um eterno aprendiz; Eu sei que a vida deveria ser bem melhor e será, mas isto não impede que eu repita: é bonita, é bonita e é bonita". Em qualquer fase da vida sempre encontraremos meios e condições de ser feliz.

Observação:. Este artigo foi escrito depois de um longo papo com o jornalista Ulisses Pinto,sobre este tema.