Garanhuns, 07 de fevereiro de 2004
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COLUNAS
 

HUMOR

Raulzito


As viagens de Lula

Lulá sempre gostou de viajar. Mal chegara aos sete anos, pegou uma pau de arara em Caetés e foi parar em São Paulo. E sonhava tanto com viagens que foi morar perto do porto de Santos. Só pra ficar olhando os navios partindo, em busca de outros mundos. E aí, o filho de dona Lindu sonhava, sonhava.

O menino Luiz se criou pelas ruas, engraxando sapatos, vendendo picolés, até que fez um curso de torneiro mecânico e arranjou emprego numa fábrica de automóveis. De olho na possibilidade de viajar, Lulinha virou operário da Volks, convencido de que um dia poderia pegar um fusquinha e fazer turismo por mundo afora.

No Sindicato, o futuro presidente descobriu uma possibilidade: fazendo greves, aparecendo nos jornais, ficaria famoso. Então, como celebridade, conseguiria viajar. Deu certo. Andou nos caminhões do Dops, pegou carona com os políticos, terminou por conhecer o Papa.

Menino e rapaz ambicioso, o filho de Lindu vislumbrou a chance de ir ainda mais longe. "Posso ser presidente!" - pensou, e logo os companheiros concordaram, na fé e na crença de que ele estava pensando nos pobres. Os planos eram outros, como se veria mais tarde.

Como candidato a presidente, Luiz Inácio teve a oportunidade de viajar pelo Brasil. Inventou umas tais "caravanas da esperança" e assim pôde ver o pantanal, a região do São Francisco, as cataratas do Iguaçu, Porto de Galinhas, a praia do francês, sem falar nos trechos mais desagradáveis dessas turnês, como uma passagem pela Vale do Jequitinonha, em Minas Gerais, outra por Brasília Teimosa e o retorno a Várzea Comprida, onde estão os primos que não podem pagar nem uma corrida de caravan até Garanhuns.

Lulá só não realizou o seu sonho mais cedo por causa de Fernando. Foram três cacetadas e não podia ser diferente. Um lutava até caratê o outro enrolava numas trinta linguas diferente, assim um dos fernandos estava mais credenciado, naquele momento, a viajar pelo mundo.

Mas água mole em pedra dura tanto bate até que fura. Quando pegou pela frente um Zé, apelidado injustificadamente de serra e ainda por cima careca, Luiz da Silva disse é agora: sentou na cadeira de presidente e não perdeu tempo.

Já esteve em Cuba, na Venezuela, no Uruguai, na Argentina, na Líbia e outros países árabes, na Grécia, nos Estados Unidos, na Holanda, na Suíça, na França, no México, no raio que o parta e por último conheceu a Índia.

Está gostando tanto dos passeios que decidiu comprar um aviãozinho novo em folha, pela bagatela de R$ 165 milhões, só pra continuar o tour. Irá à Rússia, ao Canadá, ao Japão (outra vez?), à Finlândia, ao Afeganistão (pra ver se acha Bin Laden?), à Polônia, à Hungria, à China e de novo ao raio que o parta.

Dizem que a ambição maior agora é conhecer Marte, antes dos americanos - e aí estaria a razão da rivalidade maior com o presidente Bucho.

Mas por último o presidente brasileiro veio ao Nordeste, que depois de anos castigado pela seca agora sofre com as enchentes. Aracaju, Fortaleza, Petrolina, Recife, Maceió, Arapiraca, Ouricuri e até Exu estão em estado de calamidade. E Lulinha olhou tudo, de avião.

Imagine que até em Caetés agora tem água. A barragem do Gurjão encheu.

Será obra de Lulá? Pode ser. Nessas viagens internacionais, em contato com sábias civilizações, quem sabe o presidente conseguiu se apoderar da tecnologia de mandar chuva pra o Nordeste.

Faz sentido.

Mesmo assim, tem muita gente por aqui querendo ver Lulá de perto, sem ser pela televisão. Os primos, os sub-primos, os eleitores, os correligionários, estão torcendo para que ele apareça.

O Dudinha e o Moura (primos em segudo grau) dizem que estão com saudades de tomar umazinha com o presidente. Afinal, "depois de viajar o que ele mais gosta é de uma boa dose de pitú ou 51 com limão ou caju".

Não é pra ninguém perder a esperança. Dia menos dia Lulá vem aqui de novo. E, quem sabe, leva no seu aviãozinho novo alguns parentes e aderentes de Garanhuns e Caetés para viajar também.

Seria o "Vôo da Esperança". Desde já são candidatos a acompanhar o presidente as seguintes pessoas: Sirvino e Orora (pra desenjuar de Tamandaré), Marlo Duarte (pra ver como Cuba é uma merda), Izaías Régua (pra gastar o dinheiro do jeton extra de dezembro nas Oropa), Zé da Luz (pra mostrar nos estranja como se eletrifica uma propriedade rurá), Aluízio Ronda e Marcos Caroço (pra fazer a reportagem direto das terras dos gringo), Jarbá Vasconcelos (pra mudar um pouquinho essa coisa de só tirá férias em Portugal, onde é tudo burro) e Babão (pra mostrar o humor autêntico da terra do presidente, num patrocínio permanente das farmácia droga e rápida).

Eu também posso ir, mas preciso ser convidado pessoalmente pelo presidente. E como morro de medo de avião preciso levar a Viviane comigo, pois só com ela bem perto é que me sinto seguro, ainda mais junto de tanta traíra.

Ah, meu Deus! Agora é de avião... Lulá!