Garanhuns, 24 de janeiro de 2004
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OPINIÃO
 

Dembarques & Exigências

Odete Melo de Souza


"Quem quer mais do que lhe convém, perde o que quer e o que tem".

Será que poderíamos incluir na realidade estadunidense a veracidade desta afirmativa?

A sempre obstinada prepotência sobre todos os povos e o decepcionante fracasso da inesperada tragédia de 11 de setembro de 2001 levaram os Estados Unidos a uma inconformação, a uma quase revolta e sobretudo, a um pânico contra ataques terroristas.

O presidente Bush, sentindo-se com certeza menos prestigiado teme a derrota na sua próxima reeleição e usa de todos os mecanismos para manter-se em alta local e mundial, alvorando-se de embaixador da PAZ. Seu poderio econômico e militar está comprometido.

O governo americano se preocupa egoisticamente com a total segurança do seu país e a quer de modo absoluto. Aliás, isso constitui um desejo e privilégio de todas as nações.

É verdade que ultimamente os norte-americanos estão sendo alvo de ataques e inseguranças.

Preço da sua incontida sede de poder. Não queremos aqui aplicar-lhes a conhecida pena de talião: dente por dente, olho por olho.

Mas façamos de qualquer maneira uma ligeira consideração sobre as últimas resoluções estadunidenses: exigir de 25 países, inclusive o Brasil, como "potenciais ninhos de terrorismo", que seus cidadãos sejam fotografados e recolhidas suas impressões digitais ao desembarcarem em seus respectivos aeroportos. Medida essa discriminatória, pois, não incluiram nessa decisão, os países europeus, o Japão, a Coréia do Sul, o Canadá.

Como resposta sábia e oportuna o Juiz Federal Julier Sebastião da Silva, de Mato Grosso decidiu que o Brasil dispense aos habitantes da Terra do Tio Sam o mesmo tratamento que os nossos compatriotas recebem quando lá desembarcam.

A decisão judiciária brasileira, que já foi concretizado em São Paulo e aguarda oportunidade nos outros estados repercutiu grandemente na imprensa internacional.

Sem possuirmos conhecimentos jurídicos, atrevemo-nos a considerar a decisão justa e certa.

Entretanto, o Governo do Brasil, o Itamaraty, o Ministério Público e a Advocacia Geral da União, fazendo restrição à medida judiciária, vão discutí-la para possível ou impossível aplicação da mesma e ainda pretendem solicitar ao governo americano que suspenda o tratamento dado aos nossos cidadãos.

Alguns apontam como fatores negativos um provável desgaste na relação diplomática entre os dois países e também uma diminuição no turismo do Rio de Janeiro e outras capitais.

Aguardemos portanto um tratamento único, justo, ético e humano para todas as pessoas, sem pretensão de prepotência sobre ninguém, querendo suplantar tudo e todos.

Atribuindo O NADA aos demais homens do mundo, convém pensar que "qualquer povo ou qualquer pessoa cheia de si, torna-se vazia".

Concordando plenamente com o ilustre Juiz do Mato Grosso, lembremos de que a Terra é propriedade universal, cujos legítimos herdeiros são todos os habitantes deste nosso privilegiado Planeta e que são todos irmãos, filho do mesmo e único PAI - DEUS CRIADOR ONIPOTENTE, BONDOSO E JUSTO.