Garanhuns, 24 de janeiro de 2004
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A pobreza impera na periferia

Na periferia de São Bento do Una a pobreza impera e tem bairros que mais parecem uma favela de cidade grande. É o caso do conjunto residencial Odete Costa, com 77 residências, a cerca de 2 km do centro da cidade. No lugar não existe uma rua calçada ou saneada, falta escola, posto de saúde, policiamento e não chega nem água nas torneiras. Uma cisterna, abastecida irregularmente pela prefeitura, é a salvação dos moradores da área.

Marilene Silva de Moura, uma das donas de casa do Odete Costa, confessa passar muita aflição no bairro devido à falta d'água. "A dificuldade aqui é muito grande. Quando precisa consultar uma criança com um médico tem de levar pra rua, nos braços", se queixa Marilene, acrescentando que "a escola também fica um pouquinho distante.

Outra moradora do conjunto Odete Costa, Maria José, aponta a falta de segurança como o maior problema da área e denuncia que as pessoas têm até medo de recorrer a polícia por conta do clima de violência. "Falta tudo, até iluminação na estrada. Aqui não tem nem orelhão", complementa a dona de casa.

Radical, a doméstica Estelita Oliveira dos Santos acha que o conjunto residencial Odete Costa só serve mesmo para ser transformado num presídio. "Isso aqui devia ter sido construído para colocar os presos e não a comunidade pobre de São Bento", explica Estelita. Segundo ela, "nós aqui não temos nada e ninguém que nos ajude".

SANTO AFONSO - No loteamento Santo Afonso, nas proximidades da estrada para Capoeiras, quase duas mil pessoas também vivem precariamente. Embora as condições de vida sejam mais favoráveis de que no Odete Costa, os moradores desse últmo bairro também não dispõem de saneamento e o calçamento chegou a umas poucas ruas, quando da última campanha eleitoral. "Passou a eleição, o calçamento parou", declarou José de Júlia, que reside em Santo Afonso e reclama também da falta de segurança no bairro.

O barbeiro Heleno Torres lamenta a falta de esgotos e de médicos no posto de saúde do loteamento e critica a própria comunidade, que a seu ver não se movimenta para reivindicar. "Devia se fazer abaixo-assinado para entregar na prefeitura", observa, reconhecendo que o bairro não tem sido assistido pelo poder público.