Garanhuns, 24 de janeiro de 2004
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Motoristas de Garanhuns são discriminados e perseguidos no Recife

Catorze pais de família que trabalham com transporte alternativo, fazendo a linha Garanhuns-Recife, estão sendo discriminados e perseguidos pela polícia de trânsito da capital pernambucana. Os motoristas já foram multados, tiveram seus veículos retidos mais de uma vez e quando tentam dialogar com os policiais são tratados grosseiramente e ameaçados. Pelo menos um deles reclama até de ter levado uns empurrões sem nenhuma justificativa desse abuso.

"Eles chegam na BR ou em qualquer lugar, abordam o veículo, mandam a gente descer e prendem o carro alegando que o veículo está sendo monitorado. Não deixam a gente se defender ou falar e se insistirmos corremos o risco de ser presos", denuncia Alex, um dos mais revoltados com o policiamento. "Há poucos dias eu fui parado com o Fiat Uno, sem nenhum passageiro e mesmo assim meu carro foi preso. Quer dizer então que a gente não pode mais trafegar no Estado de jeito nenhum?", questiona o trabalhador.

Os motoristas estão convencidos de que a perseguição atende os interesses das grandes empresas de transporte do interior, como a Jotude e a Caruaruense, que gostariam de extinguir o serviço dos alternativos. Segundo os profissionais envolvidos na questão, a prefeitura do Recife e o Governo do Estado compactuam com os empresários. "Nós conversamos com o secretário da prefeitura do Recife, Dilson Peixoto, e ele disse que a prefeitura não pode fazer nada", revelou Valdemir, funcionário público aposentado, que tem dois filhos trabalhando com transporte de passageiros.

Esses profissionais já tentaram apoio na prefeitura de Garanhuns, Câmara Municipal e Assembléia Legislativa do Estado, mas encontram sempre dificuldades. No Legislativo Estadual, acreditam, tem parlamentar defendendo o interesse do empresariado da área de transporte. Têm esperança, no entanto, que parlamentares como Izaías Régis e outros de partidos progressistas possam fazer algumas coisa por eles.

O motorista conhecido como João de Preta, que também trabalha com transporte alternativo, acredita que o serviço prestado por ele e seus companheiros é útil a comunidade e não poderia estar sendo tão perseguido. "Nós transportamos gente doente, idosos, pessoas que nem sabem onde fica o Recife. Muitas vezes tiramos as pessoas nos braços e as levamos para atendimento médico na capital", relata.

Os profissionais que transportam passageiros confessam estar vivendo um inferno, sem conseguir dormir ou se alimentar direito e viajando sempre com medo. "Às vezes acho que é melhor carregar maconha do que levar passageiro", desabafa Júnior, outro que sofre o drama imposto pelas autoridades.

Temendo represálias, os motoristas não denunciam tudo, até porque muitas vezes não têm como provar suas acusações. Há suspeitas, no entanto, de corrupção policial. Um deles teria conseguido prosseguir viagem, dias atrás, depois de dar uma certa quantia ao guarda de trânsito.

Alex, João, Júnior e os demais companheiros defendem que a sua atividade seja regulamentada, pois eles não podem ser confundidos com os que faziam transporte alternativo na Região Metropolitana do Recife. "A gente precisava saber pelo menos onde é o limite da gente, onde podemos chegar com o carro. E não podemos ser tratados como marginal", disse Alex.

Muitos moradores de Garanhuns, ao tomar conhecimento da situação dos motoristas de alternativo, se mostraram simpáticos às suas reivindicações e criticaram a forma como eles vêm sendo tratados. Na avaliação do advogado José Ivan esses profissionais deviam receber outro tratamento e ser regularizados. Já o barbeiro Izaac Correia, que utiliza sempre o transporte das vans, quando precisa levar sua mãe ao Recife, para tratamento médico, classifica de absurda a perseguição das autoridades. "A culpa de tudo isso é do prefeito João Paulo e do governador Jarbas Vasconcelos. Este último nunca faz nada que preste para nossa cidade", disse o barbeiro.