Garanhuns, 10 de janeiro de 2004
  Início
  Opinião
  Política
  Cidade
  Geral
  Sociedade
  Ed. Anteriores
  Expediente
 
OPINIÃO
 

Mudança de paradigma

Jesus Campelo


O que diz respeito à forma ou as manifestações externas de pensamento sobre o mundo que nos rodeia, e, que de uma maneira geral comanda nossas vidas, chama-se paradigma. Por isso, sem que se perceba, todos nós vivemos dentro de paradigmas que foram impostos à nossa mente, pela ciência, pela sociedade atual ou oriunda de conceitos e tradições do passado.

Um sério problema social, ainda enquadrado dentro de paradigmas arcaicos, que deve receber uma melhor atenção e orientação da sociedade, é a maneira como vem sendo encarado o relacionamento sexual, que merece, ao nosso ver, ser apresentado de forma simples e científica sem os lampejos pecaminosos de como atualmente ainda está revestido.

O físico alemão, Dr. Albert Einstein, dizia que problemas importantes não podem ser resolvidos no mesmo nível de pensamentos em que foram criados. Para resolvê-los é necessários mudar-se o paradigma.

Mesmo se tratando de um assunto de grande relevância, o sexo ainda se constitui um tabu para a maioria das pessoas, pois, sempre foi cercado de mistério pelos pais e pelos diversos segmentos da sociedade. Os ensinamentos transmitidos aos jovens são passados, às vezes, por pessoas ignorantes da matéria, que tratam deste assunto de maneira equivocada, criando nas mentes das pessoas, imagens preconceituosas.

O instinto sexual tem sido muito mal compreendido, razão pela qual está sendo apresentado de forma ridícula em revistas e na internet, pelos aproveitadores mal intencionados e praticado como forma de aventura por uma juventude despreparada para assumir tal responsabilidade.

A emoção sexual analisada à luz das necessidades humanas e da ciência tem uma conotação completamente diferente da vivenciada por grande parte da humanidade. Ela se constitui, sem dúvida, na mais forte e na mais irresistível de todas as emoções humanas. Por essa razão, quando controlada e dirigida para outras ações, que não seja sua expressão física, pode levar o homem a grandes realizações.

Três potencialidades construtivas são evidenciadas na emoção sexual: A primeira é o cumprimento da finalidade determinada pelo Criador, a reprodução da espécie; A segunda se constitui num agente terapêutico inigualável; E, a terceira, considerada de suma importância no desenvolvimento da inteligência e do pensamento, quando transmutada para outros fins. A transmutação significa tirar da mente pensamentos que procuram expressar-se fisicamente e substituí-lo por outros de alguma outra natureza.

Quando dominado e redirecionado para outros fins, essa força motivadora conserva todos seus atributos de agudeza e inspiração, coragem etc., que pode ser usada como poderosa alavanca criativa na literatura, pintura ou em qualquer outra profissão ou vocação. Para isso, evidentemente, tem de haver o exercício da força de vontade.

O desejo sexual, todavia, não pode ser reprimido ou eliminado. Quando a emoção do amor começa a fundir-se com a emoção do sexo, o resultado é a firmeza de propósitos, a estabilidade, acuidade de julgamento e equilíbrio.

O sexo praticado só para atender impulsos físicos, em aventuras amorosas, pode levar o homem ou a mulher as grandes conquistas, mas seus atos serão sempre desorganizados, desequilibrados e totalmente destrutivos.

O amor romântico entre os casais que se amam, sempre trará emoções capazes de levar o homem ou a mulher às alturas de super realizações e a felicidade completa.

Durante a infância, recebemos o mais completo alimento através do seio materno. Quando casamos, nossos filhos recebem o mesmo alimento, também, através da glândula mamária da mulher. Como taxar esse órgão de imoral ou considera-lo como símbolo erótico? Como podemos taxar de imorais os órgãos criados por Deus destinados a reprodução humana?

A mulher é o ser mais belo e mais perfeito da criação. Deverá ser visto e admirado pelo seu conjunto. Acreditamos que este assunto deve ser repensado, estudado à luz da razão e conceituado em outro paradigma.