Garanhuns, 27 de dezembro de 2003
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OPINIÃO
 

Vencendo o medo em 365 dias

Marcelo Jorge


Foram trezentos e sessenta e cinco dias de expectativa e apreensão.

Trezentos e sessenta e cinco dias nos quais a Nação esteve absorta, aguardando os primeiros sinais que indicassem uma mudança nos seus rumos com o propalado crescimento econômico.

Os indicadores foram tímidos, mas as quedas nos juros começaram a sugerir uma mudança mesmo que sutil, na nossa maltratada economia. Bolsas de todo o mundo refletiram os conflitos políticos, sociais e militares do planeta, como a desnecessária invasão ao Iraque pelos imperialistas, gerando um quadro de miséria para aquele já devastado País. Na Europa a valorização do recém criado Euro, por sua vez, gerou por um lado um fortalecimento do bloco comercial europeu e por outro o temor americano da dissolução de sua forte e até então "imexível" economia dominadora.

E nós, brasileiros, na esperança de dias melhores...

Por aqui, vitória do Palmeiras, ascendendo a primeira divisão do futebol. Cruzeiro campeão absoluto, discussões sobre as reformas e ...epa! aprovação da reforma da previdência. Mais além, cassação de direitos políticos de figurões históricos, descoberta de escândalos, prisão do Arcanjo "Comendador" no Mato Grosso, do Silveirinha e sua quadrilha no Rio, isolamento do Beira Mar em Presidente Prudente, descoberta das fraudes do Juiz Rocha Matos e sua mulher na bem sucedida operação Anaconda, entre tantas outras medidas.

Nesses trezentos e sessenta e cinco dias , o garanhuense Lula, o mais votado presidente da história do Brasil, no entanto manteve sua inabalável confiança nos dias melhores que a Nação poderia ter e foi atrás da mudanças: na busca pelo diálogo durante a crise vivida pela Venezuela, intermediando inclusive o acordo com os Estados Unidos; nas conversas com o Governo Argentino e em outros países da América do Sul na busca do fortalecimento do seu bloco comercial; na presença forte na ONU com aclamação dos líderes mundiais à nova luz que surgia no Brasil; entre os grandes capitais mundiais no encontro na Suíça e na franqueza desconcerrtante do seu discurso coloquial em defesa dos menos favorecidos. Na abertura de um novo caminho, Lula esteve também na África e no Oriente Médio abrindo um canal que nos próximos meses vai deslanchar a economia brasileira no inevitável caminho das exportações, entre outras medidas e reformas que estão em votação.

Nesses trezentos e sessenta e cinco dias, contabilizemos não apenas as obras efetivas, mas contemplemos as enormes mudanças mundiais que através da globalização influenciam diretamente nosso dia a dia e as pequenas mudanças, como a comida que enfim chegou ao interior do Nordeste para amenizar o sofrimento dos que, infelizmente, não têm tempo para esperar a votação dos congressistas e muito menos o restabelecimento de uma nova ordem mundial. Afinal fome não espera...

Já se comemora, mesmo que timidamente o crescimento do emprego em algumas regiões enquanto alguns empresários são unânimes em afirmar que acreditam em 2004 como início real dos resultados.

A expectativa e apreensão do povo brasileiro, justificada por tantos anos de sofrimento, corrupção e promessas vai aos poucos transformando-se em esperança viva de uma nação que busca em coisas simples como o carnaval, as novelas e o futebol o alento e a despressurização dos stress diário.

Comemoremos pois, esses trezentos e sessenta e cinco dias. Somos a nação verde amarela, dos que vivem de uma esperança viva que a cada dia vem vencendo o medo.


Marcelo Jorge é publicitário, radialista e assessor parlamentar.