Garanhuns, 27 de dezembro de 2003
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OPINIÃO
 

Violência do final do ano

Rafael Brasil


Mais uma vez a violência toma conta dos noticiários do país, com o assassinato brutal de um casal de adolescentes em São Paulo. Infelizmente, vai continuar assim. Enquanto não for reformado todo o sistema de segurança pública do país, e não for feita uma reforma no judiciário, nosso sofrido povo viverá à mercê do crime. Que nem é tão organizado assim, como às vezes nos faz pensar a imprensa, tão afeita a teorias conspiratórias. O crime é tão desorganizadas quanto a nossa sociedade, e, obviamente, mata-se por qualquer besteiras. Nas grandes cidade, vive-se um clima de estado de sítio. O toque de recolher é quando escurece. Gangues assaltam carros à luz do dia, sem nenhuma cerimônia. Bem, todo mundo sabe dessas coisas, mas a inação de políticos e governantes é de arrepiar. E, como diria Léon Trotski, velho líder comunista judeu/russo, a falta de ação é um dos mais perigosos posicionamentos políticos. No caso da violência, a sociedade já está cobrando há muito tempo posicionamentos fortes e equilibrados. Evidentemente vai cobrar ainda mais, abrindo brechas para muitos aventureiros da política. Lembre-mo-nos de que quem pariu Collor foi a inflação. E da violência, podem surgir mais demagogos e corruptos. Temos que evitar isso.

Do presidente da República ao porteiro do cabaré, todo mundo sabe da ineficiência da justiça. Tanto que todos procuram evitá-la. Morosidade, nepotismo e corrupção. Alguns estão sendo punidos, embora as punições sejam muito brandas. Deviam ser mais pesadas para quem recebe do estado para fazer justiça e se corrompe. Além do mais, eles ganham muito bem e se aposentam nababescamente. Só que os projetos que tratam do tema dormem nos escaninhos do Congresso Nacional, pois, claro, uma justiça assim interessa aos bem aquinhoados, e aos corruptos de plantão, que ademais não são poucos. E é preciso que a questão da violência no Brasil tenha desde já uma agenda comum. Com uma busca de ações coordenadas, dos níveis, federal, estadual e municipal. E que a população participe democraticamente das questões, sendo bem informada. Para isto temos a Imprensa. Portanto é preciso ação. Chega de lamentações e polêmicas inúteis.

Claro, como todas as instituições tem muita gente boa no judiciário. Mas também é um poder que permanece muito fechado, com muitos e suntuosos palácios e carente de quadros. É preciso também aperfeiçoar o Ministério Público, e melhorar o trabalho dos promotores, que de uma forma geral, apesar das dificuldades têm desemvolvido um bom trabalho. Em outras palavras, é preciso aperfeiçoar as boas experiências daqui e do resto do mundo para resolvermos o problema, colocando-o a níveis de países civilizados. Do jeito que está, ninnguém aguenta mais a violência. Uma das boas alternativas seria o desarmamento. Um desarmamento radical, como na Inglaterra, onde são proibidas até armas de caça. Afinal, a maioria dos homicídios são praticados em discurssões de vizinhos, ou mesmo nos milhares de botequins deste país, onde costuma-se beber armado. Bem, vamos esperar para ver o que acontece, pois, desde há muito esta situação está intolerável. Até a próxima e que Deus nos ilumine. Saravá.