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Cegos estudam e dão lição
de vida
Dezoito deficientes visuais de Garanhuns e outras cidades do Agreste,
concluíram esta semana um curso de lancheteria realizado
no Centro Cardiológico Armando Monteiro, com o apoio da ACIG
e do Senai. Os próprios cegos consideram fantástica
a experiência que estão tendo e quase todos fazem plano
de aproveitar o aprendizado para exercer uma atividade como autônomo.
Na opinião de Lenice Couto, presidente da Associação
de Deficientes Visuais do Agreste Meridional de Pernambuco, Advampe,
o curso é importante porque além de permitir a conscientização
da pessoa cega, mostra o potencial de cada um. "É um
desafio. Mas tendo oportunidade podemos mostrar que antes de deficientes
somos seres humanos, com direito a aprender e ser inseridos no mercado
de trabalho", disse Lenice, que mora na cidade de Correntes.
O instrutor do curso, Marcos Barbosa, confessa que neste curso
está ensinando, mas também aprendendo, com pessoas
que estão lhe dando uma verdadeira lição de
vida. Ele admitiu que esperava ter algum trabalho ao lidar com a
turma, que de certa maneira o surpreendeu devido à capacidade
e habilidade. "Planejamos dar oito receitas e vamos fazer vinte
por conta do bom desenvolvimento deles", declarou o instrutor,
certo de que ao final do curso de lancheteria poderia dar 10 aos
seus alunos.
Edna Fernando dos Santos, que veio de Lajedo para participar desse
curso do Senai considera o aprendizado nas aulas uma batalha, que
poderá ser vencida com muita disposição. "Não
é por ser cega que não posso aprender. O que nós
todos aqui precisamos é só de oportunidade",
afirmou Edna, que espera aplicar em sua cidade os conhecimentos
adquiridos no curso.
Já Cícero Aurélio, deficiente visual de Saloá,
tem esperança de montar um pequeno negócio com o que
está aprendendo no Centro Armando Monteiro. Animado, ele
garante saber tocar sanfona, violão e teclado, tendo feito
o ano passado um curso de Câmara Escura. "Sempre que
posso estou aprendendo, é preciso dizer que só quem
sabe fazer as coisas não é só quem enxerga",
observa Cicero.
Os demais companheiros de Lenice, Edna e Cícero têm
a mesma disposição e esbanjaram bom humor ao ter contato
com a reportagem. Líder do grupo, a presidente da Advampe
fez questão de deixar uma mensagem, que deve ser refletida
por quem não é deficiente: "A cegueira é
uma questão de visão, depende de que ângulo
você quer olhar", sustenta Lenice Couto.
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