Garanhuns, 13 de dezembro de 2003
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CIDADE
 

Cegos estudam e dão lição de vida

Dezoito deficientes visuais de Garanhuns e outras cidades do Agreste, concluíram esta semana um curso de lancheteria realizado no Centro Cardiológico Armando Monteiro, com o apoio da ACIG e do Senai. Os próprios cegos consideram fantástica a experiência que estão tendo e quase todos fazem plano de aproveitar o aprendizado para exercer uma atividade como autônomo.

Na opinião de Lenice Couto, presidente da Associação de Deficientes Visuais do Agreste Meridional de Pernambuco, Advampe, o curso é importante porque além de permitir a conscientização da pessoa cega, mostra o potencial de cada um. "É um desafio. Mas tendo oportunidade podemos mostrar que antes de deficientes somos seres humanos, com direito a aprender e ser inseridos no mercado de trabalho", disse Lenice, que mora na cidade de Correntes.

O instrutor do curso, Marcos Barbosa, confessa que neste curso está ensinando, mas também aprendendo, com pessoas que estão lhe dando uma verdadeira lição de vida. Ele admitiu que esperava ter algum trabalho ao lidar com a turma, que de certa maneira o surpreendeu devido à capacidade e habilidade. "Planejamos dar oito receitas e vamos fazer vinte por conta do bom desenvolvimento deles", declarou o instrutor, certo de que ao final do curso de lancheteria poderia dar 10 aos seus alunos.

Edna Fernando dos Santos, que veio de Lajedo para participar desse curso do Senai considera o aprendizado nas aulas uma batalha, que poderá ser vencida com muita disposição. "Não é por ser cega que não posso aprender. O que nós todos aqui precisamos é só de oportunidade", afirmou Edna, que espera aplicar em sua cidade os conhecimentos adquiridos no curso.

Já Cícero Aurélio, deficiente visual de Saloá, tem esperança de montar um pequeno negócio com o que está aprendendo no Centro Armando Monteiro. Animado, ele garante saber tocar sanfona, violão e teclado, tendo feito o ano passado um curso de Câmara Escura. "Sempre que posso estou aprendendo, é preciso dizer que só quem sabe fazer as coisas não é só quem enxerga", observa Cicero.

Os demais companheiros de Lenice, Edna e Cícero têm a mesma disposição e esbanjaram bom humor ao ter contato com a reportagem. Líder do grupo, a presidente da Advampe fez questão de deixar uma mensagem, que deve ser refletida por quem não é deficiente: "A cegueira é uma questão de visão, depende de que ângulo você quer olhar", sustenta Lenice Couto.