Garanhuns, 29 de novembro de 2003
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CULTURA
 

Autor destaca potencial artístico da cidade

No pronunciamento feito na Assembléia o jornalista Roberto Almeida destacou o potencial artístico do município, enfatizando para os deputados, empresários, intelectuais e estudantes que foram ao lançamento do livro que "Garanhuns não se resume ao Festival de Inverno". Segundo o escritor, "Na Terra do Presidente" é apenas um, dentre os vários trabalhos que têm sido feitos na cidade, no setor literário e no campo da música, do teatro e das artes plásticas.

Dentre os talentos artísticos de Garanhuns, foram citados pelo jornalista os cantores Karla Cibele e Alderjan, os diretores de teatro Carlos Janduy, Sandra Albino e Gerson Lima, e os escritores Paulo Gervais, Nivaldo Tenório, e Mário Rodrigues. Abaixo, na íntegra, o pronunciamento de Roberto Almeida.

"Exmo Sr. Presidente da Assembléia Legislativa, deputado Romário Dias, Exmo. Sr. Deputado Estadual Izaías Régis, demais integrantes da mesa e parlamentares desta casa.

Durante 15 anos atuei na imprensa do Recife, passando pela Rádio Clube, Diário de Pernambuco, Jornal do Commercio, Folha e TV Pernambuco. Trabalhei ainda no departamento de comunicação deste poder, na gestão dos deputados Osvaldo Rabelo e João de Lima Filho, que infelizmente não estão mais no nosso convívio.

Estar hoje aqui, portanto, é motivo de satisfação e também traz as lembranças do passado. Um tempo em que a gente apurava as notícias e as passava para o papel em máquina de escrever, porque o computador e a internet ainda não estavam no dia-a-dia das redações.

Nesta Assembléia Legislativa, tive oportunidade de conviver e trabalhar com parlamentares como Luiz Freire, Ivo Amaral, Harlan Gadelha e Marcantônio Dourado, este último, representante do meu Agreste, exercendo atualmente o seu quinto mandato legislativo.

Em 1993, na busca um tanto utópica de uma vida mais tranqüila, decidi voltar as minhas origens e passei a morar em Garanhuns.

Na Cidade das Flores, onde já tinha passado parte da minha infância e adolescência, fundei os jornais da Sete e Marano, abrindo espaço para o jornalismo nas rádios FMS. Lancei posteriormente o impresso Correio Sete Colinas, que há cinco anos circula na Suíça Pernambucana e em todo o Agreste Meridional.

O jornalismo e a mania de escrever são, portanto, o meu ofício. Há vinte e cinco anos sobrevivo graças a minha profissão, atuando em jornais, rádio, TV e assessorias. Dedico ainda uma parte do meu tempo à literatura, gosto de inventar histórias ou refletir a realidade com base na ficção.

Em livro publiquei "A Árvores dos Poemas", lançado em 1990, no sindicato dos jornalistas profissionais de Pernambuco.

Depois vieram "Um Repórter na Cidade das Flores", um conjunto de artigos e reportagens, a maioria delas divulgadas originalmente no Jornal do Comercio do Recife. e "Na Terra do Presidente", este livro que ora entrego a vocês.

Este volume de contos, que alguns podem imaginar uma obra sobre o pernambucano Luiz Inácio Lula da Silva, é na verdade um conjunto de histórias retratando a vida dos que ficaram por aqui, obrigados a conviver com a seca, os baixos salários, o desemprego, as dificuldades do dia-a-dia.

A velhice, a morte, a solidão, o amor, a esperança, a busca de um deus, esses são os temas básicos do livro, a partir de personagens reais e ficctícios presentes em qualquer cidadezinha de pernambuco ou nessa recife de tantos contrastes.

Embora a política não esteja em primeiro plano, no livro "Na Terra do Presidente", estou muito satisfeito por lançar aqui na Assembléia Legislativa esta minha obra.

Não somente por já ter trabalhado nesta casa, mas sobretudo pelo espaço que tem sido dado à cultura pernambucana pela mesa diretora da assembléia, à frente o presidente Romário Dias.

Acompanhei com alegria o surgimento da coleção "Perfil Parlamentar", editada graças a iniciativa deste poder. Também com prazer vi o lançamento dos seis livros do projeto "Ícones Pernambucanos", resgatando um pouco de nossa história no campo do teatro, do cinema, da música, do artesanato, dos esportes e da literatura.

Como se não bastasse, ainda tem a segunda cultural, que tem aberto espaço para diversas manifestações artísticas do povo pernambucano.

Estou certo, Sr. Presidente, de que a atual mesa diretora do legislativo estadual tem um lugar reservado na história, por valorizar esse setor normalmente esquecido ou discriminado pelos poderes públicos, que é o setor cultural.

Agora, graças a iniciativa do deputado Izaías Régis, um homem atento a tudo que acontece Garanhuns e no Agreste, essa casa abre espaço também para a produção cultural do interior.

Fico grato pela oportunidade de mostrar não apenas o meu trabalho, mas também pela chance de dizer a vocês que Garanhuns não vive somente do Festival de Inverno.

Existem na terra das Sete Colinas escritores do porte de Carlos Janduy, Nivaldo Tenório, Paulo Gervais e Mário Rodrigues.

Temos em Garanhuns músicos e cantores de valor, como é o caso de Alderjan, Karla Cibele, Ronaldo César e o jovem Júlio César.

Esses e mais outros tantos que eu poderia citar estão lá, lançando seus livros, seus discos, ensaiando suas peças teatrais e criando seus painéis de artes plásticas. Às vezes contam com a ajuda oficial, outras vezes colocam no mercado suas produções só com a cara e a coragem.

Assim, eu poderia dizer que "Na Terra do Presidente" é apenas um, dentre os muito trabalhos que têm sido lançados em Garanhuns nos últimos tempos.

Não tenho dúvidas do potencial dos artistas da terra de Dominguinhos e Toinho Alves, dois dos garannhuenses mais conhecidos. Esses artistas de que falo só precisam de maior apoio da sociedade e dos poderes públicos para poder desenvolver mais as suas habilidades.

Quero, ao final deste pronunciamento, agradecer aos que tornaram possível a edição do livro: Às prefeituras de Garanhuns e Caetés, ao Sesc, aos colégios Diocesano, Quinze de Novembro e Santa Joana D'Arc e também à Fundarpe.

Um agradecimento especial ao deputado Izaías Régis, pela solicitação desta sessão solene e ao presidente Romário Dias e demais integrantes da mesa por terem acolhido a proposta do parlamentar.

A todos vocês, neste momento, só me resta uma palavra: obrigado!

E que possamos no futuro viver melhores dias Na Terra do Presidente!